O Republicanos rejeitou o convite do PL para integrar a chapa de Flávio Bolsonaro à Presidência. A decisão mantém a legenda neutra na disputa nacional e deixa o candidato do PL sem aliança formal e sem vice definido. Em consulta aos 27 diretórios estaduais, 17 defenderam a neutralidade, nove apoiaram Flávio e um se manifestou pela reeleição do presidente Lula.
O presidente nacional do Republicanos, deputado Marcos Pereira (SP), comunicou o resultado a Flávio em reunião na segunda-feira (3), em Brasília, com a presença do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e do coordenador da campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN). O partido tem como principal expoente político o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, um dos principais aliados da família Bolsonaro.
Favorável à aliança, Pereira disse que respeitará a maioria. "Fui vencido. Não posso me sobrepor ao deliberado pela ampla maioria", afirmou. A decisão deve ser formalizada na convenção nacional do partido nesta terça-feira (4), com liberdade para os diretórios estaduais definirem seus apoios.
Busca por vice
A neutralidade inviabiliza a indicação da ex-presidente da Caixa Daniella Marques, filiada ao Republicanos, para a vice. Flávio procura preferencialmente uma mulher para completar a chapa. Outro nome considerado é o da presidente do Podemos, deputada Renata Abreu (SP), mas o partido também avalia permanecer independente.
O PL oficializou a candidatura de Flávio na semana passada sem indicar o vice. As convenções terminam nesta quarta-feira (5), e as chapas devem ser registradas na Justiça Eleitoral até 15 de agosto.
A decisão ocorre depois de a federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, também optar pela neutralidade. Até agora, o PL não atraiu outra legenda para sua coligação presidencial.
Apoios estaduais
A posição nacional não impede alianças locais. Em São Paulo, Marcos Pereira declarou apoio a Flávio durante a convenção que lançou o governador Tarcísio de Freitas à reeleição.
A neutralidade era defendida por dirigentes próximos ao governo Lula, como o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o deputado Silvio Costa Filho (Republicanos-PE), ex-ministro de Portos e Aeroportos. Com a liberação dos diretórios, a legenda poderá apoiar Flávio, Lula ou outros candidatos conforme os acordos estaduais.