A Agência Nacional do Cinema (Ancine) concedeu o Registro de Obra Estrangeira (ROE) a Dark Horse, filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O pedido, aceito em 7 de agosto, é uma etapa preliminar e não autoriza, por si só, a exibição comercial da produção no Brasil.
Para chegar aos cinemas, a distribuidora ainda precisa solicitar à Ancine o Certificado de Registro de Título (CRT), comprovando os direitos de exploração comercial da obra no país. Depois, o filme terá de obter classificação indicativa do Ministério da Justiça. A expectativa dos produtores é lançá-lo em novembro, após as eleições.
Protagonizado pelo ator norte-americano Jim Caviezel no papel de Bolsonaro, Dark Horse tem 1h40 de duração e foi classificado pela Ancine como obra de ficção.
O registro ocorre enquanto a própria agência mantém processo administrativo contra a Go Up Entertainment, produtora do longa, por suspeita de ter realizado filmagens no Brasil sem a comunicação prévia exigida para obras estrangeiras. Se a irregularidade for confirmada, a empresa pode ser multada em R$ 2 mil a R$ 100 mil.
Filme é alvo de investigações
O financiamento de Dark Horse também é investigado pela Polícia Federal. Em julho, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou inquérito para apurar a origem e o destino de recursos repassados pelo empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, à produção.
O caso ganhou repercussão após a divulgação de mensagens e áudios segundo os quais Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência, teria pedido recursos a Vorcaro para financiar o longa. As negociações chegaram a mencionar US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões, embora o valor efetivamente transferido ainda seja apurado. Flávio afirma que os aportes foram destinados exclusivamente ao filme. Há suspeita de que parte dos recursos teria como destino final o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que mora nos Estados Unidos.
Em outra frente, o ministro Flávio Dino autorizou a PF a acessar informações reunidas pela Polícia Civil de São Paulo sobre Karina Ferreira da Gama, proprietária da Go Up Entertainment. A investigação paulista apura suspeitas de fraudes, superfaturamento e desvios em contrato do Instituto Conhecer Brasil, também ligado à empresária, com a Prefeitura de São Paulo.
A apuração sob supervisão de Dino busca ainda saber se emendas parlamentares destinadas a entidades vinculadas a Karina foram usadas na produção. Mario Frias (PL-SP), produtor-executivo de Dark Horse, destinou R$ 2 milhões ao Instituto Conhecer Brasil em 2024 e afirma que os recursos não financiaram o longa. Karina também nega uso de dinheiro público ou de empresas brasileiras no filme.