Onze integrantes da cúpula da Polícia Federal colocaram seus cargos à disposição nesta terça-feira (8), em reação ao afastamento preventivo do diretor-geral Andrei Rodrigues e do diretor de Inteligência, Leandro Almada, determinado pelo ministro André Mendonça, do STF. Em nota (veja a íntegra mais abaixo), os dirigentes manifestaram "total apoio" aos dois delegados. Os cargos foram colocados à disposição de William Marcel Murad, diretor-executivo da PF que assume interinamente o comando da corporação após o afastamento de Andrei.
A iniciativa não representa a saída automática dos 11 diretores, mas deixa com o novo comando da corporação a decisão sobre a permanência deles nas funções. "Repudiamos toda e qualquer tentativa de imputar a eles ou à Polícia Federal uma atuação não republicana. Tais acusações, desprovidas de fundamento, afrontam a história, a credibilidade e o compromisso institucional que sempre pautaram suas condutas", afirma o comunicado.
Os signatários também classificaram como "injustificados" os ataques sofridos pela PF e afirmaram que "narrativas marcadamente influenciadas por interesses político-eleitorais" não apagam a reputação e a trajetória profissional dos dois delegados.
Mendonça afastou Andrei e Almada ao apontar indícios de irregularidades na produção de relatórios de inteligência da PF. O ministro alega ter sido alvo de monitoramento ilegal pelo período de 30 dias. Ele também determinou a abertura de apurações penal e administrativo-disciplinar pela Corregedoria da corporação.
A 2ª Turma do STF formou maioria nesta terça para manter os afastamentos, com votos de Mendonça, Luiz Fux e Nunes Marques. Gilmar Mendes pediu vista e suspendeu a conclusão formal do julgamento.
Leia a íntegra da nota dos diretores da PF:
Os Diretores da Polícia Federal vêm a público expressar seu total apoio ao Diretor-Geral, Delegado de Polícia Federal Dr. Andrei Rodrigues, e ao seu Diretor de Inteligência, Delegado de Polícia Federal Dr. Leandro Almada, diante dos injustificados ataques sofridos pela Polícia Federal na data de hoje.
Da mesma forma como a Instituição Polícia Federal tem, em sua história e feitos, a razão de sólida admiração dos brasileiros, o Dr. Andrei também conta com um percurso profissional dedicado à defesa da PF, com atuação técnica, isenta e responsável.
Narrativas marcadamente influenciadas por interesses político-eleitorais não têm o poder de apagar a história, a reputação e a trajetória profissional de quem quer que seja.
Assim, cumprindo nosso dever de defender a Instituição de ataques e tentativas de usurpação de funções, e assegurando o interesse público na manutenção de uma Polícia Federal capaz de promover justiça e assegurar o Estado Democrático de Direito, tornamos público nosso apoio aos diretores.
Para que fique absolutamente claro, repudiamos toda e qualquer tentativa de imputar a eles ou à Polícia Federal uma atuação não republicana. Tais acusações, desprovidas de fundamento, afrontam a história, a credibilidade e o compromisso institucional que sempre pautaram suas condutas. Neste ato, colocamos nossos cargos à disposição do Diretor-Geral substituto.
Assinam a nota:
- Dennis Cali, diretor de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção (Dicor/PF);
- Fabrício Schommer Kerber, diretor de Polícia Administrativa (DPA/PF);
- Otavio Margonari Russo, diretor de Combate a Crimes Cibernéticos (DCiber/PF);
- Felipe Tavares Seixas, diretor de Cooperação Internacional (DCI/PF);
- Helena de Rezende, diretora de Gestão de Pessoas (DGP/PF);
- Roberto Reis Monteiro Neto, diretor Técnico-Científico (Ditec/PF);
- André Luis Lima Carmo, diretor de Administração e Logística (Dlog/PF);
- Christiane Correa Machado, diretora de Ensino da Academia Nacional de Polícia (Diren-ANP/PF);
- Alexsander Castro de Oliveira, diretor de Proteção à Pessoa (DPP/PF);
- Ademir Dias Cardoso Júnior, diretor de Tecnologia da Informação e Inovação (DTI/PF);
- Humberto Freire de Barros, diretor da Amazônia e Meio Ambiente (Damaz/PF)."
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