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Defesa de Cezinha de Madureira nega irregularidades e cita contexto eleitoral

Advogados dizem que parlamentar prestará todos os esclarecimentos necessários à investigação.

14/9/2026
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A defesa do deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP) negou nesta segunda-feira (14) que o parlamentar tenha cometido irregularidades e questionou o momento da deflagração da nova fase da Operação Transparência, realizada pela Polícia Federal para apurar suspeitas de tráfico de influência junto a tribunais superiores.

Em nota divulgada pelo escritório Carneiros Advogados, responsável pela defesa, os advogados afirmaram que Cezinha está à disposição das autoridades e prestará os esclarecimentos necessários.

"Com a tranquilidade de quem confia plenamente na Justiça e certo de sua conduta sempre ilibada, o deputado federal Cezinha de Madureira está à disposição das autoridades e prestará todos os esclarecimentos necessários."

Nota divulgada pela defesa de Cezinha de Madureira.Reprodução / Instagram

A defesa acrescentou que espera ter acesso aos elementos reunidos na investigação e sustentou que o andamento do processo demonstrará que o parlamentar não praticou irregularidades.

Os advogados também fizeram uma crítica ao momento da operação, realizada a menos de três semanas do primeiro turno das eleições. Segundo a nota, medidas com esse grau de repercussão deveriam ser adotadas "com a devida distância de qualquer circunstância política ou eleitoral".

A defesa atribuiu o entendimento à jurisprudência do STF, mas não indicou na manifestação a qual precedente se referia.

Operação investiga influência em tribunais

Cezinha foi um dos alvos dos quatro mandados de busca e apreensão cumpridos pela PF nesta segunda no Distrito Federal e em São Paulo. A operação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do STF.

A terceira fase da Operação Transparência apura possíveis crimes de exploração de prestígio, tráfico de influência, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A investigação é um desdobramento de uma apuração iniciada em dezembro de 2025 sobre suspeitas de irregularidades na destinação de emendas parlamentares.

Segundo a Polícia Federal, integrantes do grupo investigado teriam negociado com terceiros o pagamento de valores elevados, condicionado ao resultado de processos em andamento. Em contrapartida, alegariam ter capacidade de influenciar decisões judiciais.

A PF afirma, porém, que não há elementos que indiquem participação de integrantes do Poder Judiciário nas irregularidades investigadas.

A advogada Valéria Rodrigues Linhares, mulher de Cezinha, também é investigada e foi alvo da operação.

Em agosto, a Polícia Federal apreendeu R$ 510 mil em espécie que estavam na bagagem de mão dela no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, quando embarcava para Brasília. À época, a defesa afirmou que o dinheiro tinha origem lícita.

Cezinha também aparece em outra frente que ganhou repercussão nas últimas semanas por ter participado da articulação de um encontro entre o ministro André Mendonça, do STF, e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo controlador do Banco Master, em março de 2025.

A Polícia Federal, contudo, ressalta que a atual investigação sobre possível comercialização de influência não aponta, até o momento, participação de ministros dos tribunais nos crimes apurados.

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