Notícias

Justiça, renúncias e rearranjos: os motivos das trocas de suplentes

Mudanças envolveram decisões judiciais, idade mínima, problemas de documentação e rearranjos políticos; em Mato Grosso, substituição provocou embate público.

17/9/2026
Publicidade
Expandir publicidade

As trocas de suplentes de candidatos ao Senado na reta final do prazo eleitoral tiveram motivos que vão de decisões da Justiça e renúncias a rearranjos políticos. Em alguns casos, registros foram barrados por suspeitas de ligação com organizações criminosas, idade abaixo do mínimo exigido ou problemas de documentação.

Os casos fazem parte de levantamento do Congresso em Foco que identificou ao menos 16 candidatos ao Senado que modificaram uma ou as duas suplências em setembro. Embora o prazo para pedido de registro de candidaturas tenha começado em 15 de agosto, os suplentes poderiam ser trocados até a última segunda-feira (14), a 20 dias da eleição.

Cada senador tem dois suplentes, que podem assumir o mandato a qualquer momento ao longo de oito anos, mesmo sem ter recebido um voto diretamente.Arte Congresso em Foco

Vice-governador fora em Alagoas

Em Alagoas, o vice-governador Ronaldo Lessa (PDT) deixou a segunda suplência de Marina JHC (PSDB) após, segundo ele, acertar com JHC que passaria para a primeira vaga, ocupada pela senadora Eudócia Caldas (PSDB), mãe do candidato ao governo. A troca, porém, não ocorreu. Lessa afirmou que JHC alegou risco de insegurança jurídica para a candidatura de Marina. No último dia do prazo, Eudócia foi mantida na primeira suplência, e o PDT indicou Jurandir Boia para a segunda, deixando Lessa fora da eleição.

Investigação muda chapa na Paraíba

Na Paraíba, o TRE-PB indeferiu por unanimidade o registro de Janine Lucena (PSD), então primeira suplente de Veneziano Vital do Rêgo (MDB). A impugnação apresentada pela Procuradoria Regional Eleitoral teve como base elementos da Operação Mandare, que investigou suspeitas de atuação de uma facção criminosa na política de João Pessoa.

Segundo a relatora, desembargadora Giovanna Mayer, os elementos apontavam para uma "vinculação funcional consciente" entre a atuação político-eleitoral de Janine e a estrutura investigada. Ela não tem condenação nos processos mencionados. A defesa negou irregularidades e anunciou recurso. Três dias depois da decisão, Janine renunciou. Seu irmão, Matheus Lucena (PDT), foi indicado para substituí-la. Ele é filho do ex-prefeito de João Pessoa Cícero Lucena, candidato do MDB a governador.

TRE-RJ barra Pastor Everaldo

No Rio de Janeiro, Pastor Everaldo, então primeiro suplente de Marcos Dias (Podemos), teve o registro indeferido. O TRE-RJ aplicou a tese que denomina de "milícia de gravata", referente a organizações criminosas voltadas a crimes contra a administração pública.

Segundo o tribunal, Everaldo foi apontado como líder de um grupo que teria atuado durante o governo Wilson Witzel, com suspeitas de direcionamento de licitações na Saúde e cobrança de vantagens indevidas de fornecedores. Cabe recurso ao TSE. Após a decisão, Elaine Diniz passou da segunda para a primeira suplência, e Rafinha JJ foi indicado para a segunda.

Idade mínima tira suplentes das chapas

Em Mato Grosso, Jackson Pereira (Agir), segundo suplente de Beny Godoy, teve o registro indeferido porque, aos 32 anos, não cumpria a idade mínima de 35 anos exigida para integrar uma chapa ao Senado. Joaci Campos e Natanael Almeida foram apresentados como novos suplentes.

No Tocantins, Timóteo Júnior, primeiro suplente de Hélio Rodrigues Bolsonaro (Democrata), também teve o registro indeferido por ausência de condição de elegibilidade. Ele teria 33 anos na posse e foi substituído por Marcelinho Jalapão.

Documentação também provoca trocas

No Rio Grande do Norte, Modesto Neto, primeiro suplente de Sônia Godeiro (Psol), teve o registro indeferido por não apresentar integralmente certidões criminais nem comprovar a desincompatibilização, mesmo após intimações para regularizar a documentação. Rodrigo foi indicado para a vaga.

Em Alagoas, Camila Paiva, indicada para a segunda suplência de Dr. Wanderley (MDB), também foi barrada. Segundo o candidato, o TRE-AL entendeu que ela deveria ter se afastado no prazo legal de um cargo público civil no governo estadual. Após outras renúncias, a chapa terminou com Marivone Loureiro (PCdoB) na primeira suplência e Thiago Souza (PCdoB) na segunda.

Troca provoca crise na chapa de Janaína

Nem todas as mudanças decorreram de decisões judiciais. A chapa de Janaína Riva passou por sucessivas alterações durante a campanha, e a de maior repercussão envolveu a delegada aposentada Ana Cristina Feldner, inicialmente anunciada como primeira suplente.

Depois de ser retirada, Ana Cristina afirmou que não havia sido avisada previamente e acusou Janaína de violência política de gênero. A candidata negou a acusação e disse que Feldner sabia desde o início que sua participação seria temporária. Após novas mudanças, Janaína chegou à reta final com Danilo Trento (MDB) na primeira suplência e Rafael Yamada Torres (MDB) na segunda.

Veja mais no portal
cadastre-se, comente, saiba mais

Notícias Mais Lidas

Artigos Mais Lidos