Mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro mostram que o fundador do Banco Master discutiu como reagir às declarações de Celina Leão (PP), então vice-governadora do Distrito Federal, sobre a tentativa de compra do Master pelo Banco de Brasília (BRB).
Na conversa de 5 de abril de 2025, Vorcaro afirmou que era preciso "atacar" a descredibilização dele e do Master depois que Celina declarou publicamente que não havia sido consultada sobre a operação e que soubera das negociações pela imprensa.
O diálogo ocorreu com o empresário Thiago Miranda. Ao enviar a Vorcaro uma reportagem de O Globo sobre as declarações de Celina, Miranda afirmou que ela estaria tentando aparecer porque havia "ficado de fora da negociação".
Vorcaro afirmou que a discussão política sobre a operação não o preocupava, mas acrescentou: "o problema é a descredibilização minha e do Master. Isso sim, temos que atacar".
As mensagens integram o material apreendido pela PF na Operação Compliance Zero e foram tornadas públicas após o ministro André Mendonça, do STF, levantar o sigilo de parte das investigações. A tentativa de aquisição do Master pelo BRB foi barrada pelo Banco Central em 2025.
Celina nega participação
Celina, que assumiu o governo em 30 de março com a renúncia de Ibaneis, afirma que a conversa entre Vorcaro e Miranda cria uma "narrativa que não é verdadeira". Segundo a governadora, ela já era contrária à operação antes de o negócio se tornar público e nunca manteve contato com o fundador do Master. "Eu nunca tive nenhum contato com o Vorcaro. O Vorcaro não tem meu telefone no telefone dele. Não tem uma mensagem minha trocada para o Vorcaro", afirmou.
Na interpretação de Celina, Vorcaro e Miranda sabiam de sua posição contrária à compra e a referência a "atacar" surgiu como reação às declarações que ela havia dado sobre a operação. A defesa de Thiago Miranda também afirmou que Celina não participou das negociações e sustentou que mensagens privadas, analisadas isoladamente, podem levar a interpretações que não correspondem ao contexto em que ocorreram.
"As conversas divulgadas são recortes de diálogos privados e, isoladamente, podem levar a interpretações que não correspondem ao que efetivamente ocorreu. Importante deixar claro que, pelo que era do seu conhecimento, Celina Leão não participou da negociação envolvendo a aquisição do Banco Master pelo BRB. Inclusive, a própria mensagem atribuída a Thiago, quando lida em seu contexto, expressa justamente a percepção de que ela havia ficado de fora daquela operação", afirmou a defesa de Thiago.