O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou o rastreamento de pagamentos e dados usados na criação de sites que se apresentavam como canais oficiais da campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro, mas direcionavam doações a destinatários sem vínculo com a candidatura.
A apuração decorre de uma ação apresentada pelo PL, que apontou cinco páginas suspeitas à Corte. Em uma das diligências, a empresa responsável pela hospedagem de um dos endereços identificou duas transações via Pix usadas para pagar o serviço, além de informações que podem ajudar a localizar os responsáveis.
Os sites reproduziam o nome, fotografias, identidade visual e referências eleitorais de Flávio Bolsonaro e ofereciam mecanismos para transferência de dinheiro. O PL informou ao TSE que nenhum deles integrava o canal contratado pelo partido para receber financiamento coletivo da campanha.
Simulações de pagamento apresentadas no processo indicaram ainda que os recursos seriam destinados a empresas sem vínculo com a estrutura oficial de arrecadação.
Ação do PL
O PL procurou o TSE em agosto, depois de identificar os cinco endereços eletrônicos. O partido pediu a retirada das páginas do ar, a identificação dos responsáveis e a preservação dos valores recebidos. Também solicitou informações dos serviços de hospedagem, endereços IP e dados relacionados aos mecanismos de pagamento utilizados.
Entre os elementos apresentados estavam simulações feitas nos sites flavioodobrasil.com e campanhaflavio.com.br. Os pagamentos indicavam como destinatárias as empresas Brasil Compras On Line Ltda. e Campanha Proflavio 01 Ltda., apontadas pelo PL como estranhas à arrecadação de Flávio.
Outro endereço reproduzia quase integralmente o visual da plataforma oficial Contribua e exibia a expressão "Empresa homologada pelo TSE".
O ministro André Mendonça considerou que havia indícios da criação de falsos canais oficiais de financiamento eleitoral. Em decisão liminar, mandou suspender quatro páginas que permaneciam acessíveis, preservar os registros dos cinco domínios, identificar os valores recebidos pelos mecanismos de pagamento e obter dados dos provedores envolvidos na operação dos sites.
Os recursos diretamente relacionados às operações foram bloqueados cautelarmente, e o processo foi encaminhado à Polícia Federal. Posteriormente, o Plenário do TSE confirmou a decisão por unanimidade.
Usuário localizado
Após o início das investigações, a plataforma Battlehost, que hospedava um dos endereços investigados, encontrou um CPF, um email e um telefone usados no cadastro do serviço e identificou duas transações via Pix feitas por uma conta vinculada ao mesmo CPF.
A análise dos acessos mostrou ainda quatro conexões realizadas em Marabá (PA), cidade onde reside a pessoa identificada.
Com essas informações, Mendonça mandou citar a pessoa apontada como possível responsável pelo domínio contribuaflaviopresidente.com. O ministro também determinou novas diligências para identificar os titulares de um endereço IP, uma conta de Gmail e um número de telefone encontrados durante a apuração.
Processo: 0601412-97.2026.6.00.0000-DF