Entidades representativas do setor produtivo do Distrito Federal pediram nesta quinta-feira (17) que a recuperação do Banco de Brasília (BRB) seja conduzida com critérios técnicos e de governança, sem interferência de disputas partidárias ou do calendário eleitoral.
Para as entidades, as decisões sobre o futuro do BRB devem ser tomadas de forma independente de interesses políticos e levar em conta o caráter permanente da instituição. "As instituições de desenvolvimento permanecem para além de mandatos e governos, integrando o patrimônio econômico de Brasília", registra o manifesto.
O grupo também destacou que qualquer decisão tomada deve garantir "a estabilidade do banco, a continuidade de suas operações e a proteção dos interesses de toda a sociedade".
As entidades ainda se colocaram à disposição para colaborar com o restabelecimento da solidez do BRB. "A estabilidade do BRB é de interesse direto da força de trabalho, do setor produtivo, das famílias e de toda a economia do Distrito Federal", sustenta o documento.
Crise e recuperação no BRB
O BRB atravessa uma crise financeira desde novembro de 2025, decorrente da liquidação do Banco Master. A instituição adquiriu cerca de R$ 17 bilhões em carteiras de crédito da empresa controlada por Daniel Vorcaro, dos quais R$ 12,2 bilhões foram descobertos como títulos falsos.
Para recompor o capital, o GDF tenta viabilizar um empréstimo de R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A operação enfrenta entraves relacionados às garantias exigidas. Na última sexta-feira (11), o ministro Luiz Fux, do STF, deu 15 dias para que União, Banco Central e FGC prestem esclarecimentos sobre as dificuldades para liberar os recursos.
O GDF também busca recompor os valores perdidos na operação com o Master. O Executivo distrital criou na terça-feira (15) uma comissão especial para, em até 30 dias, negociar ressarcimentos, restituições de valores e recuperação de ativos em favor do BRB.