O influenciador Rico Melquiades publicou um vídeo de retratação após ameaçar demitir uma funcionária que declarou apoio ao PT.
A gravação anterior levou o Ministério Público Eleitoral de Alagoas a encaminhar o caso à Polícia Federal para apuração de possível coação eleitoral.
Na nova publicação, Rico pediu desculpas aos brasileiros e aos trabalhadores que se sentiram ofendidos. Ele afirmou ter consciência de sua responsabilidade como influenciador e de seu compromisso com as leis trabalhistas e eleitorais.
"Nenhum funcionário deve sofrer qualquer tipo de coação ou imposição por parte do seu empregador", declarou.
Em seguida, o influenciador defendeu o direito dos trabalhadores de escolherem livremente seus candidatos.
"O respeito no ambiente de trabalho deve ser mútuo, garantindo a liberdade de expressão, de opinião política e o direito do voto livre e secreto."
Mulheres do vídeo são parentes, diz Rico
Rico afirmou que todas as mulheres que aparecem na gravação são integrantes de sua família. Segundo ele, o vídeo mostra sua tia, sua irmã, sua mãe e sua prima.
O influenciador acrescentou que as familiares consentem com as publicações das quais participam. Ele não esclareceu, no entanto, se alguma delas também mantém vínculo de trabalho com ele.
"Vivemos em uma democracia e precisamos respeitar uns aos outros, sem jamais ultrapassar os limites previstos pela Constituição", afirmou.
Ao encerrar a retratação, Rico voltou a se desculpar. "Peço de coração desculpa a todos os trabalhadores que se sentiram ofendidos com o vídeo que eu postei."
Caso foi encaminhado à Polícia Federal
No vídeo que provocou a investigação, Rico perguntou a preferência política das mulheres e afirmou que não queria "petista" trabalhando em sua casa. Em seguida, disse que uma delas estava demitida e ordenou que ela recolhesse seus pertences.
O procurador regional eleitoral em Alagoas, Marcial Duarte Coêlho, afirmou que emprego e salário não podem ser usados para impor ou tentar influenciar o voto de trabalhadores.
O MPE encaminhou o episódio à PF diante da possibilidade de violação do artigo 301 do Código Eleitoral, que trata do uso de violência ou grave ameaça para coagir alguém a votar ou deixar de votar em determinado candidato ou partido.
O Ministério Público do Trabalho também abriu um inquérito civil para investigar possível assédio moral no ambiente de trabalho.