O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, concedeu entrevista ao Flow Podcast nesta quinta-feira (1º). A conversa foi transmitida ao vivo pelo YouTube, a três dias do primeiro turno das eleições, marcado para domingo (4).
A participação ocorreu na noite em que estava previsto o último debate presidencial da Globo antes do primeiro turno. A emissora cancelou o encontro, que começaria às 21h30.
O presidente havia sido convidado, mas sua campanha comunicou que ele não compareceria. Flávio Bolsonaro (PL) também desistiu de participar.
Antes do cancelamento, a participação de Renan Santos (Missão) havia sido determinada pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Também estavam previstos Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante) e Romeu Zema (Novo).
Lula encerra a campanha do primeiro turno sem participar de debates com os adversários. Na data do encontro promovido pela Band, o presidente concedeu entrevista à Record.
Confira os destaques:
Crítica ao formato dos debates presidenciais
Durante a entrevista ao Flow, Lula criticou o formato dos debates presidenciais com vários candidatos e justificou sua ausência no encontro da Globo.
"Eu, sinceramente, acho que esses debates são infrutíferos, não produzem nada, não dão sequência."
Segundo o presidente, os intervalos entre as respostas prejudicam a discussão de propostas e favorecem piadas e pegadinhas.
O petista também acusou a emissora de tratamento desigual ao lembrar a cadeira vazia exibida por sua ausência no debate de 2006.
Ao mencionar que uma decisão judicial havia proibido a medida nesta quinta-feira, Lula fez referência à determinação da ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), para retirar a cadeira vazia do debate da Globo.
Presidente questiona apoio a Flávio e critica trajetória do adversário
Lula questionou por que eleitores pretendem votar em Flávio Bolsonaro (PL) e afirmou que o adversário se sustenta apenas no antipetismo.
"Esse rapaz nunca trabalhou na vida. Seguiu a carreira dele ganhando dinheiro público e ainda quer passar a ideia de que não é político!."
O presidente também atacou a trajetória do senador.
"Ele não tem passado, não tem presente e não tem futuro".
Ao criticar sua qualificação para a Presidência, Lula afirmou que Flávio não teria capacidade nem para ser síndico de prédio.
"Investigação do Master deve atingir todos, doa a quem doer"
Ao comentar o caso Master, o presidente defendeu que as investigações alcancem todos os envolvidos, sem proteção a ministros do Supremo, deputados ou senadores.
"Vamos investigar, investigar, doa a quem doer, doa a quem doer."
Também citou Luciano Huck e alegou que o apresentador utilizava o avião de Daniel Vorcaro para reduzir custos de seu programa na Globo.
Segundo o petista, o Will Bank financiava o programa. Ao criticar supostas relações de parlamentares com mulheres ligadas ao caso, declarou que a população tem o direito de conhecer os fatos.
Ainda ao comentar o caso Master, Lula mencionou supostas orgias com mulheres suíças e suecas e brincou que nunca havia sido convidado. "E se chamasse, a Janja me dava tanta porrada que...", disse, interrompendo a frase. Ao perceber a presença da primeira-dama, acrescentou: "A Janja já está ali, desculpa, Janja".
Vira-lata e traidor da pátria
Ao falar sobre Donald Trump, o presidente afirmou que pretende enfrentar o norte-americano no campo do discurso. Citou artigos publicados na imprensa dos Estados Unidos como uma forma de conversar com a população americana e afirmou que exige respeito na relação entre os dois.
Na sequência, chamou Flávio Bolsonaro de "vira-lata" e "traidor da pátria" e o acusou de mandar o irmão Eduardo Bolsonaro aos Estados Unidos para falar mal do Brasil. Também alegou que o dinheiro destinado ao filme Dark Hores, biografia sobre Jair Bolsonaro serviria para sustentá-lo no país.
Também afirmou que Eduardo havia sido expulso da Polícia Federal e que seria preso caso retornasse ao Brasil.
Integridade do STF
O presidente defendeu o pedido de vista do ministro Flávio Dino, que suspendeu o julgamento no STF sobre a investigação de Alexandre de Moraes por sua relação com Daniel Vorcaro, do Banco Master. Segundo o presidente, pedir mais tempo para analisar o processo é um direito dos ministros.
O petista afirmou ainda que Dino, ao examinar o caso, se deparou com outras denúncias além do contrato da advogada Viviane Barci, mulher de Moraes, com o banco.
Questionado sobre uma possível interferência no STF por meio de telefonemas a ministros, Lula rejeitou a insinuação e citou decisões desfavoráveis tomadas por integrantes da Corte que indicou.
"O Toffoli, que eu indiquei, foi o cara que negou eu sair da cadeia pra ver meu irmão morto"
Fim das bets, doa a quem doer
O presidente reafirmou a intenção de acabar com as bets e desafiou o Congresso a derrubar a medida provisória que proíbe o setor.
"Eu duvido que o Congresso tenha coragem de acabar com ela. Essa é uma briga boa."
Lula contou que decidiu adotar a medida após uma reunião no Palácio do Planalto com familiares de pessoas endividadas e com dependência em apostas. Segundo ele, os relatos mostraram como o problema compromete a renda das famílias.
Questionado sobre o lobby das empresas, disse que enfrentará os interesses do setor, inclusive de veículos de comunicação e influenciadores. "Eu vou acabar com as bets, doa a quem doer", declarou.
O petista também relatou resistência dentro de sua equipe, com alertas de que a decisão poderia provocar oposição de clubes de futebol e deputados e prejudicá-lo eleitoralmente.
"A única coisa certa é que eu tomei a decisão de não permitir que o povo pobre seja extorquido, perdendo o dinheiro do pão e do leite do filho para aposta."
Vorcaro feminino
Questionado sobre fotos com a lobista Roberta e o caso envolvendo Lulinha, o presidente negou conhecê-la ou ter se reunido com ela. Disse que costuma posar com quem lhe pede e que as imagens não demonstram uma relação pessoal.
"Se ela tiver mais foto comigo, eu tiro com todo mundo."
Lula também rejeitou a alegação, atribuída à lobista, de que teria oferecido um cargo no governo. Acusou-a de mentir sobre sua influência e de enganar diversas pessoas. Ao compará-la a Daniel Vorcaro, declarou: "deve ser o Vorcaro feminino".