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Rogério Correia lança abaixo-assinado "Devolva a ilha do Richarlison"

Petição será encaminhada à Polícia Federal e cobra investigação sobre disputa por mansão de R$ 10 milhões em Angra dos Reis.

20/10/2026
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O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) lançou um abaixo-assinado intitulado "Devolva a ilha do Richarlison" para cobrar explicações sobre a disputa por uma mansão na Ilha Comprida, em Angra dos Reis (RJ), que envolve o jogador de futebol Richarlison, o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o advogado Willer Tomaz.

A petição, criada na segunda-feira (19) na plataforma Change.org, será destinada à Polícia Federal (PF).

O parlamentar questiona as circunstâncias em que a propriedade, na qual Richarlison afirma ter investido cerca de R$ 10 milhões, passou para uma empresa ligada ao advogado, apontado como amigo de Flávio.

Abaixo-assinado pede apuração de possíveis irregularidades na transferência de imóvel de Richarlison.Reprodução / Change.org

No texto, Correia acusa os envolvidos de terem utilizado mecanismos judiciais para retirar o imóvel do jogador e pede esclarecimentos sobre possíveis irregularidades na transferência dos direitos de ocupação da propriedade, localizada em uma área pertencente à União.

"Como essa mansão foi parar nas mãos da empresa do amigo de Flávio Bolsonaro? Por que os processos de transferência tiveram tramitações tão diferentes? E qual foi, afinal, o envolvimento do senador nessa história?"

O documento também incentiva os apoiadores a compartilhar a mobilização e cobrar a responsabilização dos envolvidos caso sejam comprovadas irregularidades.

Entenda a disputa pela ilha

A controvérsia ganhou novos desdobramentos no sábado (17), quando Richarlison acusou Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz de uma manobra para retirar dele a posse do imóvel.

O jogador afirmou que adquiriu direitos sobre a propriedade entre 2020 e 2021. Segundo ele, Flávio demonstrou interesse em comprar o imóvel, mas teve a proposta recusada. Posteriormente, a propriedade passou para uma empresa ligada a Tomaz.

"Eu não quis vender a ilha para ele. Como não quis, os caras pegaram na mão grande lá na Justiça."

A disputa chegou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), que manteve, em junho de 2025, entendimento favorável à empresa ligada ao advogado. O processo foi encerrado após a desistência de uma das partes.

Tomaz nega irregularidades e afirma que a aquisição ocorreu legalmente. Ele desafiou Richarlison a apresentar documentos anteriores a julho de 2022 que comprovassem seu vínculo com a propriedade e prometeu transferir o imóvel gratuitamente caso isso ocorresse. Flávio também nega irregularidades.

Rogério Correia já havia acionado a Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) para investigar possíveis irregularidades e crimes ambientais relacionados à transferência dos direitos de ocupação do imóvel.

O deputado apresentou, em agosto, documentos obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI) que apontariam diferenças na tramitação de processos na Secretaria do Patrimônio da União (SPU).

Segundo Correia, enquanto o pedido relacionado a Richarlison permaneceu sem conclusão, o processo ligado à empresa de Willer Tomaz foi finalizado em aproximadamente dois meses.

Advogado é investigado por suspeita de lavagem de dinheiro

Willer Tomaz também é investigado pela Polícia Federal em um inquérito sobre suspeitas de lavagem de dinheiro que envolve Flávio Bolsonaro.

A investigação, conduzida no STF, analisa documentos encontrados na nuvem do celular do advogado, incluindo registros financeiros que mencionam o senador.

A PF também identificou movimentações de aproximadamente R$ 130 milhões em uma conta de Tomaz entre março e maio de 2025. Os investigadores ainda apuram a origem e a destinação dos recursos. Flávio e o advogado negam irregularidades.

O inquérito é distinto da disputa pelo imóvel de Richarlison, sem ligação estabelecida entre os dois casos.

Em julho, a Justiça também julgou improcedente uma ação em que Flávio pedia R$ 61 mil de indenização a Rogério Correia por publicações sobre a propriedade.

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