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Congresso em Foco
17/10/2026 18:44
O atacante Richarlison acusou neste sábado (17) o senador e candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de ter participado da tomada "na mão grande" de uma mansão na Ilha Comprida, em Angra dos Reis (RJ), após uma disputa judicial com o advogado Willer Tomaz, amigo do parlamentar. Em vídeo publicado nas redes sociais, o jogador afirmou ter perdido cerca de R$ 10 milhões na negociação e pediu que a Polícia Federal investigue o caso.
A publicação recebeu um comentário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que escreveu torcendo "que a justiça seja feita".
No vídeo, o jogador contou que adquiriu o imóvel entre 2020 e 2021, durante a pandemia de covid-19, em parceria com Alencar da Silveira Júnior, então presidente do América-MG, e Renato Velasco, seu antigo empresário. Segundo Richarlison, Flávio demonstrou interesse em comprar a propriedade, mas ele recusou a proposta.
"Entre eles estava o Flávio Bolsonaro. Na época ele foi até com um dronezinho lá, filmou a ilha de cima. Tem um vídeo no Instagram dele", relatou. O atacante sustentou que a recusa teria sido determinante para a posterior disputa pela posse do imóvel. "Como eu não quis vender, os caras pegaram na mão grande lá na justiça, né?"
Richarlison afirmou que enfrentava dificuldades para regularizar a documentação da propriedade e havia recebido a informação de que o processo poderia demorar meses ou anos. Segundo seu relato, Flávio e Willer Tomaz teriam conseguido a posse em apenas 24 horas. O jogador questionou a diferença de tratamento e afirmou que não recebeu qualquer compensação financeira pela perda da mansão.
"Porque pra gente foi uma coisa e pros caras foi outra, sabe? Então peço ajuda aí a Polícia Federal também pra estar investigando. Porque a gente quer saber, né? A gente tá em busca de resposta, tá em busca do meu dinheiro. Eu nem quero a ilha de volta, não", declarou.
O atacante também prometeu destinar parte do valor que eventualmente recuperar ao hospital de Nova Venécia, município onde nasceu, no Espírito Santo. Richarlison mencionou a visita de Flávio Bolsonaro ao Estado, prevista para domingo (18), e incentivou os capixabas a cobrar esclarecimentos do candidato.
"Como capixaba peço a vocês que estejam cobrando ele aí também. Para que ele possa estar devolvendo aí minha ilha", encerrou.
Disputa judicial
O conflito judicial pela mansão na Ilha Comprida se arrasta desde 2022, travado entre empresas ligadas a Richarlison e Renato Velasco de um lado, e do outro a WT Administração de Imóveis e Bens, vinculada ao advogado Willer Tomaz. As partes reivindicavam direitos de ocupação sobre a propriedade com base em diferentes contratos de transferência de posse.
O processo chegou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), que manteve em 2025 o entendimento favorável à empresa de Tomaz. Posteriormente, a defesa do jogador desistiu de prosseguir com a contestação judicial, e o caso foi encerrado.
Embora citado nas acusações de Richarlison, Flávio Bolsonaro não figurou como parte no processo. O senador foi incluído como testemunha pela empresa ligada ao jogador após visitar a propriedade acompanhado de Willer Tomaz. Em 2022, negou qualquer participação na disputa e afirmou ter sido arrolado como testemunha sem envolvimento com a negociação.
Em julho deste ano, após a repercussão de novas cobranças do atacante, a assessoria do senador voltou a negar qualquer vínculo de Flávio com o imóvel. A equipe afirmou que ele não participou da compra, venda ou intermediação da propriedade e sustentou que as acusações tinham motivação eleitoral.
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