Após o encerramento do segundo turno das eleições para o Palácio do Planalto no último domingo (25), partidos que apoiaram a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se manifestaram em reconhecimento à vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). As siglas saudaram sua reeleição e explicitaram a demanda por pacificação nacional no próximo mandato.
Os cumprimentos partiram dos presidentes nacionais do Republicanos, Podemos, MDB e União Brasil, legendas que permaneceram neutras no primeiro turno e aderiram à candidatura de Flávio na disputa final. Juntas, elas terão 150 deputados e 20 senadores a partir de 2027.
O presidente nacional do Republicanos, deputado Marcos Pereira (SP), pronunciou-se no mesmo dia do resultado e expressou a necessidade de uma política conciliatória para o próximo ciclo do governo. "O novo mandato traz a responsabilidade de governar para todos os brasileiros, inclusive os que votaram em Flávio Bolsonaro, com respeito às diferenças e diálogo com o Congresso Nacional. É o que esperamos em favor do Brasil."
A deputada Renata Abreu (SP), presidente nacional do Podemos, também cumprimentou Lula e desejou que sua gestão tenha sabedoria e responsabilidade na condução do país. A legenda, que contará com 27 deputados e dois senadores, destacou que sua bancada no Congresso preservará a postura independente adotada na atual legislatura.
"O Podemos seguirá atuando com independência no Parlamento, colocando os interesses do Brasil e da população acima de qualquer disputa política. Nosso compromisso é construir soluções para os problemas reais que impactam a vida dos brasileiros. Independentemente de quem esteja no governo, o Brasil estará sempre em primeiro lugar", disse a dirigente.
No MDB, que terá 36 deputados e oito senadores, o presidente Baleia Rossi (SP) reconheceu a legitimidade da reeleição de Lula. "É um momento em que a vontade popular se fez soberana. Desejamos que ele tenha serenidade para governar o País em favor de TODOS sem exceção." Tal como os demais, o partido aderiu à campanha de Flávio no segundo turno, mas não conseguiu chegar a um consenso interno.
O presidente do União Brasil, deputado eleito Antonio Rueda, saudou Lula e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e defendeu o respeito à decisão dos eleitores. "Encerrado o processo eleitoral, é hora de unir o país em torno de uma agenda comum", declarou o coordenador, que também manifestou disposição para colaborar com o Executivo em "medidas e ações por um Brasil que cresça, gere empregos e reduza as desigualdades, em benefício de todos os brasileiros."
O União Brasil integra federação com o PP, presidido pelo senador Ciro Nogueira (PI). O dirigente, por sua vez, não se pronunciou sobre o resultado.
Partidos neutros
Lula também obteve o reconhecimento das legendas que optaram pela neutralidade no segundo turno: o PSD, que disputou o primeiro com a candidatura própria de Ronaldo Caiado, e o PSDB, que liberou os diretórios estaduais nas duas etapas da eleição.
Presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab cumprimentou Lula e Alckmin e defendeu a cooperação institucional entre os Poderes. "Tenho certeza que nossos parlamentares e governadores eleitos seguirão defendendo os bons projetos e manterão a relação republicana com o Governo Federal, em defesa do objetivo comum a todos nós, que é o desenvolvimento do Brasil e o bem-estar da nossa população."
O partido terá 43 deputados e quatro senadores a partir de 2027, além de quatro governadores eleitos. Kassab citou como prioridades o fortalecimento de políticas públicas nas áreas de saúde, educação e desenvolvimento técnico-científico.
No PSDB, o presidente nacional, Aécio Neves (MG), e o líder da legenda na Câmara, Adolfo Viana (BA), assinaram uma manifestação conjunta na qual parabenizaram Lula pela reeleição e, ao mesmo tempo, reiteraram que a sigla permanecerá na oposição no Congresso Nacional.
"O PSDB seguirá na oposição com responsabilidade, equilíbrio e firmeza. Faremos as críticas que julgarmos necessárias, sem perder de vista que, acima das disputas políticas, devem estar sempre os interesses do Brasil e dos brasileiros."
Os dois signatários se somaram ao apelo por uma postura conciliatória por parte do Executivo. "Desejamos êxito ao presidente reeleito e esperamos que seu governo saiba buscar a união dos brasileiros, respeitando as diferenças que fazem parte da vida democrática, e avance na solução dos problemas que afetam a vida dos brasileiros".
Novo contesta vitória
Em posição contrária à dos demais partidos que apoiaram Flávio Bolsonaro, o presidente nacional do Novo, Eduardo Ribeiro, questionou a legitimidade da eleição presidencial. A legenda, que teve candidatura própria de Romeu Zema no primeiro turno, terá dez deputados e três senadores na próxima legislatura.
"O resultado da eleição é a prova de que o Brasil não é uma democracia. Como se não bastasse fazer uma campanha cheia de mentiras, o PT usou como nunca a máquina pública e o STF para se manter no poder", acusou Ribeiro, que completou: "Temos três ações pedindo a cassação da chapa de Lula. Cabe agora à Justiça cumprir seu papel, se ainda existe Justiça nesse país."
A posição do Novo coincide com a adotada por Flávio após o pleito. O senador anunciou no domingo que não reconheceria sua derrota e que pediria à Justiça a anulação do segundo turno. O candidato contestou a decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF, que prorrogou até as 19h a votação em seções eleitorais que permaneciam abertas às 17h. Segundo Flávio, a alteração comprometeu a igualdade de condições entre os eleitores.
A prorrogação ocorreu a pedido das duas campanhas, diante de dificuldades no transporte de eleitores na Bahia e problemas causados pelas chuvas na região Sul. O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, afirmou que a decisão criou dificuldades operacionais, mas não comprometeu o resultado da eleição.