O presidente do Partido Missão, Renan Santos, criticou o senador Flávio Bolsonaro (PL) após a divulgação da carta na qual o parlamentar contesta o resultado da eleição presidencial. Publicado dos Estados Unidos, o documento inicialmente trazia uma declaração em que o senador se apresentava como presidente da República. Posteriormente, a publicação foi apagada e substituída por uma nova versão, sem esse trecho.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Renan questionou a decisão do senador de ir para o exterior e criticou sua aproximação com o presidente americano Donald Trump. Para ele, a atuação de Flávio a partir da Flórida não contribui para a oposição ao governo Lula.
"Eu sou oposição natural ao governo Lula, mas o Brasil não ganha em nada com esta oposição EAD, sendo feita lá dos Estados Unidos, para atender, no fundo, ao interesse americano aqui."
Renan ironizou a decisão de Flávio de permanecer na Flórida, de onde o senador contesta o resultado da eleição e afirma não reconhecer a vitória de Lula. "Ele optou não por lutar aqui. E a verdade precisa ser dita: quando você acredita em algo, você luta na tua terra", declarou. Em seguida, acrescentou que Flávio decidiu atuar "direto da terra do Mickey, lá na Flórida".
O presidente do Missão também comparou a iniciativa do senador à atuação do opositor venezuelano Juan Guaidó, que se declarou presidente interino da Venezuela em 2019, em contestação ao governo de Nicolás Maduro.
Segundo Renan, porém, a situação brasileira é diferente, uma vez que o PL continua atuando normalmente no país e o resultado das eleições foi reconhecido pela maior parte da comunidade internacional.
"Ele está tentando imitar o que o Juan Guaidó fez, venezuelano, em protesto contra o regime do Maduro, sendo ele próprio parte de um regime que está de pé", afirmou. Renan também ressaltou que os integrantes do PL continuam exercendo seus mandatos e recebendo salários no Brasil.
Apesar das críticas, Renan avaliou que a declaração do senador não representa uma ameaça imediata às instituições brasileiras. "Não acho que vai acontecer absolutamente nada. Não há ameaça de nada. A democracia brasileira não corre risco algum", disse.