A Polícia Federal indiciou 15 pessoas, entre elas o banqueiro Daniel Vorcaro e o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa, por suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master e a instituição pública. Segundo relatório de 703 páginas encaminhado ao STF, as instituições negociaram R$ 17,5 bilhões em carteiras de crédito entre julho de 2024 e outubro de 2025. Desse total, ao menos R$ 12,2 bilhões não tinham comprovação adequada de existência.
A PF aponta Vorcaro como líder de um esquema que transformava créditos fictícios ou sem documentação confiável em títulos financeiros vendidos ao BRB. Paulo Henrique Costa teria viabilizado as operações no banco público. Os indiciamentos incluem suspeitas de gestão fraudulenta, organização criminosa e lavagem de dinheiro, conforme a atuação de cada investigado.
Compras apesar dos alertas
Segundo a investigação, o BRB manteve as aquisições mesmo após questionamentos do Banco Central e alertas internos. Entre abril e maio de 2025, realizou novas operações de R$ 4,05 bilhões. Em vez de recuperar os recursos das carteiras problemáticas, aceitou substituí-las por outros ativos do Master.
A PF identificou ainda o fracionamento das compras em operações de até R$ 750 milhões, permitindo sua aprovação pela diretoria sem passar pelo Conselho de Administração. Cerca de R$ 7,6 bilhões foram desembolsados antes da conclusão dos pareceres técnicos exigidos. O Banco Central proibiu novas aquisições de ativos pelo BRB em outubro de 2025.
Créditos sem comprovação
As suspeitas envolvem carteiras atribuídas à Tirreno Consultoria, empresa que, segundo a PF, não possuía estrutura compatível com operações bilionárias. A fiscalização encontrou divergências sobre a origem dos créditos e indícios de produção posterior de documentos.
Em uma amostra de 100 contratos, o Banco Central não conseguiu comprovar a existência dos empréstimos. Outra análise, envolvendo 30 supostos clientes, não identificou movimentações que demonstrassem a liberação dos recursos.
Os 15 indiciados
Além de Vorcaro e Paulo Henrique Costa, foram indiciados Augusto Ferreira Lima, Angelo Antônio Ribeiro da Silva, Luiz Antonio Bull, Alberto Félix de Oliveira Neto, Allan da Silva Machado, Henrique Souza e Silva Peretto, André Felipe de Oliveira Seixas Maia, Daniel Lopes Monteiro e Dario Oswaldo Garcia Junior.
Também estão na lista quatro integrantes da diretoria colegiada do BRB: Luana de Andrade Ribeiro, Cristiane Maria Lima Bukowitz, Diogo Ilário de Araújo Oliveira e José Maria Correa Dias Junior, todos por suspeita de gestão fraudulenta.
O relatório é parcial, e a PF mantém diligências sobre a atuação de outros funcionários e possíveis crimes. O indiciamento não equivale a denúncia do Ministério Público nem a condenação judicial.
Processo: Inquérito 5026