O jornalista Paulo Figueiredo afirmou nesta quinta-feira (29) que o uso do ChatGPT esteve por trás de dois dos principais problemas identificados nas diferentes versões da carta divulgada por Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após sua ida aos Estados Unidos.
Segundo Figueiredo, Eduardo Bolsonaro pediu à ferramenta de inteligência artificial que inserisse o brasão da República no documento, mas o arquivo acabou sendo gerado com um símbolo antigo. Ele também atribuiu à IA a inclusão de uma versão anterior do texto, na qual Flávio se apresentava como o verdadeiro "presidente eleito".
A versão posteriormente publicada pelo senador passou a usar a expressão "líder do Brasil". A explicação foi publicada por Figueiredo no X depois da repercussão das diferentes versões da carta.
Segundo Figueiredo, depois que as primeiras versões do texto estavam prontas, Eduardo Bolsonaro pediu ao ChatGPT que acrescentasse o brasão da República ao documento. O resultado, segundo seu relato, foi a inclusão de um símbolo antigo, com a inscrição "Estados Unidos do Brazil".
"Por que o ChatGPT escolheu um brasão antigo da época em que Brasil se escrevia com Z, eu não sei. Mas nós achamos muito engraçado."
Figueiredo afirmou que houve ainda um segundo problema durante a geração do documento. Segundo ele, a inteligência artificial incluiu uma versão anterior do texto, na qual Flávio Bolsonaro se apresentava como o verdadeiro "presidente eleito".
"O segundo erro foi que, ao gerar o documento, a IA acabou incluindo uma versão anterior do texto", afirmou. Figueiredo confirmou que a carta passou por diferentes versões antes da publicação definitiva e disse que mais de uma pessoa participou intelectualmente de sua elaboração.
Segundo ele, a opção final pela expressão "verdadeiro líder" ocorreu por duas razões. A primeira seria jurídica. A segunda, política: a palavra "liderança", segundo Figueiredo, representaria melhor a mensagem que Flávio pretendia transmitir.
"A liderança não se exerce com a caneta, e sim com o exemplo", escreveu. A mudança já havia sido identificada na comparação dos documentos. Na primeira versão, Flávio aparecia como o "verdadeiro presidente eleito do Brasil". Depois, passou a se apresentar como "líder do Brasil".
Figueiredo afirmou ainda que recebeu autorização para distribuir à imprensa uma versão considerada final naquele momento. Pouco depois, segundo ele, o grupo percebeu os erros e realizou duas correções: primeiro no brasão e depois no texto.
Para evitar novas versões circulando simultaneamente, a decisão teria sido deixar que o próprio Flávio publicasse o documento corrigido.