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Partidos pró-reeleição de Hugo Motta representam 70% da nova Câmara

Com respaldo de Lula, presidente da Câmara já tem o apoio de 15 partidos que elegeram 361 deputados. PL decidirá no dia 11 se lançará candidato próprio.

5/11/2026
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Faltando menos de três meses para a eleição, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), já reúne o apoio de 15 partidos que elegeram 361 dos 513 deputados federais, o equivalente a 70,4% das cadeiras da próxima legislatura. A aliança, que inclui o PT e partidos do Centrão, supera os 257 votos que garantem a eleição em primeiro turno. Mas o apoio partidário não assegura os votos individuais, e o PL, dono da maior bancada, com 121 deputados, ainda não decidiu se apoiará Motta ou lançará candidato próprio.

O União Brasil, que elegeu 46 deputados, reafirmou o apoio na quarta-feira (4). "O nosso campo político está aqui nas ideias que o Hugo Motta representa", declarou o líder Pedro Lucas Fernandes (MA). Motta também recebeu o respaldo do presidente Lula (PT) durante reunião no Palácio da Alvorada, em 26 de outubro.

Apoio fechado por partidos pavimenta a reeleição de Hugo Motta em 2027.Vinicius Loures/Agência Câmara

Aliança reúne Centrão e esquerda

A articulação começou em 14 de outubro, com o apoio de partidos de centro, e ganhou adesões do PSB e do PDT. No dia 27, a federação PT-PCdoB-PV oficializou sua participação, acrescentando 88 deputados eleitos à aliança.

O líder petista Pedro Uczai (SC) justificou a decisão pela necessidade de garantir governabilidade ao novo mandato de Lula. A líder do PCdoB, Jandira Feghali (RJ), destacou outro objetivo: "Nossa responsabilidade é impedir que o PL vença na Câmara e no Senado".

A aproximação entre Motta e Lula antecede a eleição. Em agosto, o presidente da Câmara apoiou a reeleição do petista, apesar da neutralidade nacional do Republicanos.

PL decidirá posição no dia 11

O PL está dividido entre negociar com Motta ou apresentar candidato próprio. O presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, é apontado como articulador de um acordo. A ala favorável à negociação teme perder espaço na Mesa Diretora e prioridade na escolha das comissões permanentes.

Segundo simulações divulgadas pela imprensa, fora do bloco majoritário, o PL poderia cair para a 14ª ou 16ª posição na ordem de escolha dos colegiados. Ainda poderia presidir cerca de sete comissões, mas teria menor possibilidade de comandar as mais disputadas, como a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). A ordem efetiva dependerá da composição dos blocos parlamentares.

Nikolas Ferreira (PL-MG) defende candidatura própria. "Existem coisas maiores em jogo agora do que meras comissões", afirmou. O líder Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), que desistiu de concorrer, informou que a bancada discutirá sua posição na próxima quarta-feira (11).

Anistia e apoio a Lula desgastaram relação

A resistência de parte do PL reflete desentendimentos durante a gestão de Motta, principalmente sobre a anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023. Em agosto de 2025, deputados da oposição ocuparam por dois dias a Mesa Diretora, exigindo a votação da anistia e o fim do foro privilegiado. Motta enfrentou resistência para reassumir a presidência da sessão. No mês seguinte, a Câmara aprovou, por 311 votos a 163, a urgência do projeto sobre anistia.

O distanciamento aumentou na campanha presidencial de 2026, quando Motta apoiou Lula, enquanto o PL defendia Flávio Bolsonaro. Em fevereiro de 2025, porém, o partido havia integrado a aliança que elegeu Motta para seu primeiro mandato.

Novo terá candidato próprio

O Novo, com dez deputados eleitos, anunciou que lançará candidato próprio. Entre os nomes cogitados estão Adriana Ventura (SP), Luiz Lima (RJ) e o recém-eleito Jeffrey Chiquini (PR).

No PL, Altineu Côrtes (RJ) e Luiz Philippe de Orléans e Bragança (SP) aparecem como alternativas. Zé Trovão (SC) admite candidatura avulsa caso a legenda não apresente um nome. A federação PSOL-Rede ainda não anunciou sua posição.

Motta teve a segunda maior votação do século

Motta foi eleito presidente da Câmara em 2025 com 444 votos, a segunda maior votação desde 2001, atrás apenas de Arthur Lira (PP-AL), que recebeu 464 em 2023. Das 13 eleições ordinárias realizadas no período, apenas duas precisaram de segundo turno: as de Severino Cavalcanti (PP-PE), em 2005, e Arlindo Chinaglia (PT-SP), em 2007.

A próxima eleição será em 1º de fevereiro de 2027. Para vencer no primeiro turno, o candidato precisa obter a maioria absoluta dos votos, com a presença de pelo menos 257 deputados. Se todos os 513 votarem validamente, serão necessários 257 votos. Esse número poderá ser menor se houver ausências, votos brancos ou nulos. O segundo turno, se necessário, será decidido por maioria simples.

Como a votação é secreta, os deputados podem divergir da orientação de seus partidos sem que suas escolhas sejam identificadas publicamente. Por isso, o apoio de legendas que representam 70,4% das cadeiras não equivale a igual proporção de votos garantidos.

O cenário na Câmara, marcado por uma ampla aliança partidária em torno de Motta, contrasta com a disputa mais equilibrada pela presidência do Senado. Lá, Davi Alcolumbre (União-AP) enfrenta a candidatura do líder da oposição, Rogério Marinho (PL-RN), cujos partidos aliados somam bancadas de tamanhos semelhantes.

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