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Alessandro Vieira propõe trava de gastos quando meta fiscal for descumprida

Projeto estabelece sanções progressivas sobre despesas e benefícios fiscais, com fiscalização independente do cumprimento das metas.

5/11/2026
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O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) propôs a criação de restrições automáticas aos gastos públicos quando o governo federal descumprir a meta fiscal. O projeto de lei complementar estabelece limites para reajustes salariais, criação de cargos, concessão de benefícios tributários e despesas dos três Poderes, com regras mais rigorosas em caso de descumprimento consecutivo.

A proposta institui a Lei de Credibilidade Fiscal, que fixa metas de resultado primário para períodos de quatro anos. O cumprimento será certificado pela Instituição Fiscal Independente (IFI), vinculada ao Senado, e as restrições começarão a valer a partir da apuração do resultado de 2027.

O pacote preserva Bolsa Família, BPC, aposentadorias e os pisos constitucionais da saúde e educação. Saulo Cruz/Agência Senado

Restrições aos gastos

No primeiro descumprimento, ficarão proibidas a criação e a ampliação de benefícios tributários, os reajustes salariais acima da inflação e a criação de cargos que aumentem despesas. O projeto também eleva de 10% para 20% a redução de determinados incentivos fiscais, estabelece corte de 10% em subvenções e operações subsidiadas e submete as emendas parlamentares ao mesmo percentual de contingenciamento das demais despesas discricionárias do Executivo.

Se o governo descumprir a meta por dois anos consecutivos ou registrar resultado inferior ao objetivo em mais de 0,5 ponto percentual do PIB, as restrições serão ampliadas. Os cortes de benefícios tributários poderão chegar a 30%, haverá suspensão de novos subsídios e os fundos eleitoral e partidário ficarão limitados aos valores nominais do ano anterior.

As restrições não alcançarão aposentadorias, Bolsa Família, Benefício de Prestação Continuada (BPC), pisos constitucionais de saúde e educação e recursos do Fundeb. Também poderão ser suspensas em situações de calamidade pública nacional, recessão ou decretação de estado de defesa ou de sítio.

O projeto estabelece metas de superávit primário equivalentes a 0,5% do PIB em 2027, 1% em 2028, 1,5% em 2029 e 2,1% em 2030. A partir de 2028, reduz de 2,5% para 1,5% o limite máximo de crescimento anual das despesas acima da inflação.

Argumentos do autor

Na justificativa, Vieira citou cálculos da IFI segundo os quais seria necessário superávit primário de 2,9% do PIB para estabilizar a dívida pública, considerando juros reais de longo prazo de 6,1% ao ano. Sob essas condições, a instituição projeta que a dívida bruta poderá alcançar 124% do PIB em 2036.

"O Brasil vive um círculo vicioso. O desequilíbrio das contas públicas eleva o custo da dívida e contribui para a manutenção de juros altos, que, por sua vez, ampliam o endividamento", argumentou.

O senador também apontou limitações nas regras fiscais atualmente em vigor, especialmente na possibilidade de revisar anualmente as metas e excluir determinadas despesas de sua apuração. Para Vieira, as mudanças propostas permitirão estabelecer obrigações fiscais mais consistentes.

"O projeto não pune o resultado fiscal, que depende também de fatores fora do controle do governante", ressaltou. Segundo o parlamentar, a responsabilização deve alcançar as autoridades que deixarem de aplicar as restrições após o descumprimento das metas.

Fiscalização e responsabilização

Em proposta de resolução apresentada conjuntamente, Vieira também propõe ampliar a autonomia da IFI, responsável por certificar o cumprimento das metas. O texto aumenta de quatro para seis anos o mandato dos diretores e estabelece novas garantias contra interferências políticas.

O projeto de lei complementar também obriga o Banco Central a prestar esclarecimentos ao Senado quando os juros reais permanecerem significativamente acima da taxa neutra e prevê crimes de responsabilidade para autoridades que descumprirem deliberadamente as restrições fiscais ou manipularem informações para impedir a fiscalização.

Leia a íntegra do projeto de lei

Leia a íntegra do projeto de resolução
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