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[fotografo] Marcos Corrêa/PR [/fotografo]
O crescimento do número de militares em postos-chave do governo federal tem afetado a tentativa de aliança entre o presidente Jair Bolsonaro e o Centrão, bloco informal de deputados de centro e de direita. Bolsonaro negocia há semanas com o grupo a nomeação de cargos dentro do governo em troca da construção de uma base aliada formal no Congresso.
>Militares ganham mais espaço no Ministério da Saúde
São de origem militar todos os quatro ministérios abrigados no Palácio do Planalto (Casa Civil, Secretaria de Governo, Secretaria-Geral e Gabinete de Segurança Institucional).
Também há estatais importantes dominadas por militares como o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), autarquia vinculada ao Ministério da Infraestrutura. Recentemente esse movimento foi ampliado com as nomeações para secretarias no Ministério da Saúde.
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Na semana passada alguns desses cargos prometidos às legendas foram entregues. São eles o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), indicado pelo PP, e a Secretaria de Mobilidade do Ministério de Desenvolvimento Regional, indicado pelo Republicanos (ex-PRB).
No entanto, ainda há insatisfação com a demora na entrega de estruturas que têm o controle de partes maiores do orçamento como o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), do Ministério da Educação e a Fundação Nacional da Saúde (Funasa), do Ministério da Saúde.
O FNDE deve ficar sob o comando do PP e as diretorias vinculadas ao órgão com indicados do MDB, DEM, PL e Republicanos. Já a presidência da Funasa, hoje com a bancada evangélica, deve ficar com o PSD.
>Governo já enfrenta primeira crise na entrega de cargos ao Centrão
Membros do Centrão ouvidos pelo Congresso em Foco reclamam que a presença de militares em muitos postos do governo dificulta as indicações partidárias. Políticos reclamam que seus indicados serão tutelados por oficiais das Forças Armadas.
Também é alvo de reclamações o ministro da Educação, Abraham Weintraub, que inicialmente havia travado a nomeação dos partidos para o FNDE e suas diretorias. A demora inclusive fez crescer no grupo o desejo que Weintraub saísse do cargo. No entanto, deputados ouvidos pelo site disseram que após criar dificuldades para a nomeação, o ministro cedeu.
A grande presença de militares dá menos margem para próximas indicações, sobretudo as negociadas pelo PL, que almeja uma secretaria do Ministério da Saúde e o comando do Dnit, hoje comandado pelo general Antonio Leite dos Santos, diretor-geral.
No mês passado, o tenente-coronel André Kuhn saiu do cargo de diretor-executivo do DNIT para assumir o comando da Valec. Ao responder um seguidor no Twitter, o ministro de Infraestrutura, Tarcísio Freitas, negou indicação partidária e disse que o substituto do de Kuhn será alguém de perfil técnico.
Porque eu o indiquei para a Presidência da Valec. É um profissional técnico e de grande conhecimento da gestão pública, vai liderar o processo de fusão da empresa com a EPL dentro de nossa política de redução do Estado. Para seu lugar indicarei outro técnico com o mesmo perfil
— Tarcísio Gomes de Freitas (@tarcisiogdf) April 27, 2020