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"Os homossexuais, sobretudo os do sexo masculino, amargaram os dissabores por ousarem amar pessoas do mesmo gênero"
Por Luis Gustavo Reis *
Há um paradoxo na sociedade brasileira. Ao mesmo tempo que sedia a maior Parada do Orgulho LGBT do mundo, o Brasil também é recordista em assassinatos de homossexuais. E este número não para de crescer, assim como o público das Paradas.
A homossexualidade é condenada milenarmente em diversas civilizações que serviram de referência para o mundo ocidental. O alto grau de reprovação é notório nas rotulações empregadas a essa prática amorosa: vadiagem, doença, repulsa, abominação, insolência, descaramento, transgressão à natureza, sodomia, pecado nefando, frescura. Os homossexuais, sobretudo os do sexo masculino, amargaram os dissabores por ousarem amar pessoas do mesmo gênero: apedrejados, conforme versava a Lei Judaica; degolados desde 342 d.C. em toda cristandade por ordem do imperador Constantino; decapitados ou queimados vivos nas fogueiras da inquisição durante toda a Idade Média; trucidados pelos nazistas nos campos de concentração.
Cotidianamente são repetidas frases do tipo: “Viado tem mais é que morrer”. Não é de hoje que tal sentença é empregada. Há mais de 4 mil anos, desde o Antigo Testamento, Javé já havia decretado pena de morte por apedrejamento ao homem que dormir com outro homem como se fosse mulher: “o homem que dormir com outro homem, como se fosse mulher, deve ser apedrejado”.
No Brasil, durante o Período Colonial, eram previstas leis que puniam severamente os chamados sodomitas. A pena incluía confisco de bens, encarceramento nas masmorras, açoite em praça pública e outros tipos de violência desenfreada.
Mas os descalabros não cessaram nesse período, invadiram o Império, prosseguiram durante a instauração da República e continuam a manchar a história brasileira de Vermelho-sangue, mesmo após o estabelecimento do intocável Estado Democrático de Direito. Um relatório divulgado pelo Grupo Gay da Bahia (GGB) aponta que, em 2014, 326 lésbicas, gays, bissexuais e travestis foram mortos no Brasil, legando ao país o título de campeão mundial de assassinatos contra homossexuais.
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