Publicidade
Expandir publicidade
Em dezembro, o país fechou 265,8 mil postos de trabalho com carteira assinada. Os dados são do Caged, divulgados segunda-feira (31).[/fotografo] Contraf/CUT[/fotografo]
*Paulo Rocha
O mecanismo é sempre o mesmo: prometem que a retirada de direitos tem, como contrapartida, mais vantagens. As bagagens no aeroporto passariam a ser pagas, mas haveria diminuição no preço das passagens. Os trabalhadores perderiam direitos, mas aumentariam os empregos.
A cantilena vem de longe, do governo FHC: a informalização das relações de trabalho diminuiria os custos para a contratação dos trabalhadores e isso aumentaria a possibilidade das empresas contratarem mais e mais trabalhadores.
Três anos depois, o mecanismo revela toda sua crueldade: as empresas despedem trabalhadores, valendo-se da perda do direito de indenização, mas não se gera nenhum emprego. Ao contrário, se estende o que na verdade é a precarização das relações trabalhistas: emprego sem contrato de trabalho, sem carteira de trabalho, sem os direitos básicos dos trabalhadores.
Desta vez chegaram a calcular o número de postos de trabalho que a aprovação da reforma trabalhista – que retirou da classe trabalhadora 100 itens consolidados na CLT – criaria. Não foi gerado nenhum emprego, e passamos a ter o maior nível de desemprego da nossa história.
A maioria dos trabalhadores brasileiros passou a viver na precariedade, sem direito à férias, à previdência social, à licença maternidade. Perderam poder de compra, perderam garantias no trabalho, além de diminuírem as contribuições para a Previdência Social, provocando o desequilíbrio nessas contas.