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Governo vira o jogo

29/9/2005
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Guillermo Rivera

O governo apostou todas as fichas na candidatura de Aldo Rebelo (PCdoB-SP), com a promessa de liberação de emendas parlamentares e negociação de cargos, virou o jogo da disputa eleitoral e conduziu, de forma inédita, o representante de um partido de apenas nove deputados à presidência da Câmara. Com a eleição do ex-ministro da Articulação Política, o Palácio do Planalto retoma o comando da Casa, sete meses após a derrota para Severino Cavalcanti (PP-PE), e tenta amenizar os efeitos da pior crise política do governo Lula. O cargo tradicionalmente é ocupado pela maior bancada.Por 258 votos a 243, Aldo derrotou ontem (28), em segundo turno, o primeiro vice-presidente da Câmara, José Thomaz Nonô (PFL-AL). O mandato do sucessor de Severino se estende até fevereiro de 2007. O placar acirrado reflete bem o que foi a disputa eleitoral mais concorrida da história da Câmara dos Deputados. Os dois chegaram à finalíssima após um incrível empate no primeiro turno com 182 votos.A conquista de Aldo simbolizou, acima de tudo, uma importante vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que havia perdido a presidência da Câmara em fevereiro deste ano. Ao contrário do que ocorreu na última eleição, desta vez Lula não cruzou os braços e se envolveu diretamente na disputa. O presidente impôs ao PT um candidato de outro partido, evitando-se que se repetisse o quadro do início do ano, quando Virgílio Guimarães (PT-MG) e Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP) se enfrentaram, dividiram a base aliada e permitiram a surpreendente vitória de Severino Cavalcanti.Lula também obrigou os ministros a entrarem no corpo-a-corpo para obter os votos, e autorizou a liberação de verbas para satisfazer os aliados. O esforço deve render bons frutos ao petista, uma vez que cabe ao presidente da Câmara decidir se um pedido de impeachment contra o presidente da República tem prosseguimento ou é arquivado. Com a vitória do comunista, tido como aliado incondicional de Lula, o foco da atual disputa política começa a sair da crise desencadeada pelo mensalão e dá lugar, paulatinamente, aos movimentos em torno da sucessão presidencial do próximo ano.Dois dos pivôs da atual crise, o PTB e o PP foram decisivos para a eleição de Aldo. A diferença de votos entre os dois candidatos no segundo turno coincide com o número de deputados da base aliada ameaçados de cassação. Líderes da oposição acusaram o governo de barganhar eventual absolvição dos cassáveis em troca de votos. Os governistas já haviam acertado com os principais dirigentes dos dois partidos o apoio ao candidato no segundo turno e, por isso, não pressionaram para que os deputados Ciro Nogueira (PP-PI), que obteve 76 votos, e Luiz Antonio Fleury (PTB-SP), que conseguiu 41 votos, abrissem mão de suas candidaturas. No segundo turno, o governo também garantiu o apoio do PDT, que começou com a candidatura declaradamente oposicionista de Alceu Collares (RS). O primeiro dia da era Aldo Rebelo começará sem votações em Plenário. A sessão será reservada aos trabalhos das comissões. A pauta está trancada por cinco medidas provisórias. Só após votá-las, os deputados poderão analisar as propostas de reforma política e eleitoral. O prazo para que as mudanças entrem em vigor já em 2006 vence nesta sexta-feira. Por meio de um proposta de emenda à Constituição (PECs), os deputados discutem a possibilidade de prorrogar a data-limite para 31 de dezembro.Em entrevista após a eleição, Aldo disse que seu primeiro esforço juntamente com os líderes, será analisar a possibilidade de aprovar até amanhã mudanças na legislação eleitoral. O novo presidente da Câmara também refutou as críticas dos adversários políticos sobre a atuação do Planalto na sua eleição. Segundo ele, a liberação de verbas de emendas parlamentares é algo corriqueiro e que não se deve fazer uma relação entre essas liberações e a sua vitória. Apesar do apoio maciço do governo, Aldo assumiu a presidência prometendo fazer uma gestão independente. “As senhoras e os senhores garantiram o espírito democrático desta sessão e demonstraram que esta Casa é uma instituição livre, um espaço independente, que pertence ao seu titular maior, que é o povo brasileiro."

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