Luciana Navarro Barítono de uma ópera-bufa que pôs em cartaz os podres poderes da República, o deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) não é o único parlamentar que dedica os momentos de ociosidade política às artes. Enclausurado em seu apartamento funcional em Brasília, Jefferson fez de clássicos italianos, como “Cuore Ingrato” e “Torna a Surriento”, a trilha sonora da tragicomédia na qual mergulhou o governo Lula após suas denúncias.Tampouco não se deve creditar à atuação teatral de alguns membros do Congresso Nacional nos trabalhos das comissões parlamentares de inquérito (CPIs) a única habilidade artística de deputados e senadores. Conhecido historicamente como a casa legislativa que reúne a elite política e intelectual do parlamento, o Senado também se destaca pelo número de artistas que ocupam suas cadeiras.Pelo menos cinco deles chamam a atenção pelo sucesso fora do palco do plenário: os senadores José Sarney (PMDB-AP), Ney Suassuna (PMDB-PB), Marcelo Crivella (PL-RJ), Magno Malta (PL-ES) e Marco Maciel (PFL-PE). Música e literatura são as artes que mais despertam o interesse dos parlamentares. Além da pintura, a literatura é outra arte que desperta o interesse de Suassuna. Ainda que não tenha o mesmo talento do primo – autor de clássicos como “O Auto da Compadecida” e “A Farsa da Boa Preguiça” – o senador já publicou quatro livros. Depois da estréia, com uma obra voltada para a área em que é especialista, a administração de empresas, o peemedebista liberou seus sentimentos na forma de poesia.Em “Ousadia”, lançado em 2001, os poemas de Suassuna versam sobre amor, família, cotidiano e, claro, política. O segundo livro, “Desafios”, publicado em 2003, traz temas mais ousados. Ainda naquele ano, lançou “Desenhos e Poesias”, obra que reúne texto e ilustrações do senador. Enquanto concilia a liderança do partido no Senado, o parlamentar se dedica agora à primeira investida na prosa. Promete trazer breves histórias bem-humoradas de suas memórias.Sem nunca ter estudado música, Suassuna também se aventura pelas partituras e compõe algumas canções. Quando pode, junta uma arte à outra. Foi o que fez com poesias do seu segundo livro. Em parceria com o arranjador Marcelo Bernardi e o compositor paraibano Antônio Barros, da dupla Antônio Barros & Ceceu, musicou os textos e criou o “Primeiro CD”, lançado juntamente com o livro. Algumas músicas foram gravadas pela cantora Maíra Barros, pela Som Livre.A última aventura artística de Suassuna foi a peça teatral “Democracia Tropical”. De autoria do senador, o musical inaugurou o Centro Cultural Suassuna, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. A peça narra a história da democracia desde os tempos da Grécia antiga até hoje. O musical faz uma crítica ao sistema eleitoral e aos antigos coronéis.Mas os dotes de Suassuna para as artes não se encerram na pintura, na música e na literatura. “Me arrisco também na cozinha”, diz, orgulhoso. A comida preferida é a nordestina, mas ele garante que sabe fazer “de tudo”. O senador conta que aprendeu a cozinhar cedo para suprir a falta da mãe. “A dor ensina a gemer”, relata. |
As artes dos senadores
8/9/2005
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