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Segurança digital
9/1/2026 12:00
Recentes acontecimentos no ambiente digital mostram que estamos cada vez mais expostos a fraudes e manipulações. Um caso que chamou atenção foi o de uma mulher que acreditou manter um relacionamento com o ator Brad Pitt por meio da internet e acabou vítima de um golpe. Pode parecer inusitado, mas o episódio revela um problema grave: a facilidade com que perfis falsos e mecanismos automatizados conseguem enganar até adultos informados. Se isso já acontece com pessoas maduras, como não nos preocupar com crianças e adolescentes, que estão diariamente conectados, muitas vezes sem orientação adequada?
Esse tipo de manipulação é apenas uma das faces da vulnerabilidade digital em que estamos vivendo. Ferramentas de inteligência artificial podem potencializar golpes, criar conteúdos falsos e ampliar a atuação de criminosos no mundo virtual — justamente no momento em que o Brasil discute um projeto de lei essencial para regulamentar o uso da inteligência artificial no país. Como integrante da Comissão Especial sobre Inteligência Artificial da Câmara dos Deputados, cobro com veemência que esse projeto avance e seja aprovado com a urgência que a realidade impõe. Precisamos de regras claras, que protejam os direitos dos usuários e estabeleçam limites para o uso da tecnologia, especialmente quando ela pode afetar a segurança de nossas crianças e adolescentes.
Foi com essa preocupação que institui a Frente Parlamentar de Combate à Violência em Ambiente Digital contra Crianças e Adolescentes. A internet é uma ferramenta poderosa de aprendizado e conexão, mas sem proteção adequada pode se tornar um espaço perigoso, onde criminosos se aproveitam da ingenuidade e da falta de preparo de usuários mais jovens. A cruzada contra o crime digital não pode ser apenas reativa; deve ser preventiva, educativa e legislativa.
A vulnerabilidade de crianças e adolescentes no mundo digital não é também um problema social e legislativo. Os mecanismos atuais de proteção são insuficientes diante da velocidade com que novas formas de crime surgem e se adaptam. A regulamentação do uso da inteligência artificial é parte fundamental dessa solução. Quando mal utilizada, a IA pode gerar perfis falsos, produzir deepfakes e intensificar campanhas de desinformação, colocando diretamente em risco a integridade emocional, psicológica e até física dos mais jovens.
É por isso que insisto que a tramitação do projeto de lei sobre inteligência artificial não pode continuar sendo postergada no Congresso. O Brasil precisa de normas que garantam transparência, responsabilidade e mecanismos reais de fiscalização para o uso dessa tecnologia. Sem isso, continuaremos a assistir a situações como a do golpe com "Brad Pitt", e isso será apenas a ponta do problema.
Ao mesmo tempo, a Frente Parlamentar trabalha para promover debates, propor aperfeiçoamentos normativos e articular políticas públicas que integrem educação digital, proteção jurídica e cooperação entre governo, sociedade civil e setor privado. Precisamos educar nossas crianças para o uso crítico da internet, orientar famílias e integrar escolas nessa missão de preparar as novas gerações para os desafios do mundo conectado.
A tecnologia, inclusive a inteligência artificial, é uma grande aliada quando empregada corretamente. Mas ela também precisa estar cercada de limites, regras e salvaguardas que protejam os mais vulneráveis. A aprovação de uma lei que regule o uso da IA no Brasil é um passo importante nessa direção. Não é uma questão de frear o desenvolvimento, mas de garantir que ele ocorra com segurança, ética e respeito à dignidade humana.
O caso do golpe digital com "Brad Pitt" deve nos servir como um alerta: se adultos podem ser enganados dessa forma, nossas crianças estão ainda mais em risco. É hora de aprovar as leis que o país precisa e de promover uma internet mais segura para todos. O futuro digital que queremos depende das decisões que tomamos hoje.
O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para [email protected].
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