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Três Poderes
25/9/2026 16:03
Em 2026 serão realizadas Eleições Gerais com disputas para os cargos de: Presidente da República, Governadores, Senadores, Deputados Federais e Deputados Estaduais. Nesse momento, precisamos focar em duas peças principais: o Presidente da República e os Senadores.
Resumidamente, o Presidente da República é o chefe do Poder Executivo Federal que, em mandato de 04 (quatro) anos, exerce duas funções: Chefe de Estado e Chefe de Governo. Como Chefe de Estado, é o representante máximo do Brasil perante o mundo. Como Chefe de Governo, é responsável por ações e decisões da política brasileira.
Já o Senador representa o Estado ou o Distrito Federal no Congresso Nacional e integra o Senado Federal, uma das duas Casas do Poder Legislativo Federal. Sua principal atuação está na elaboração e revisão das leis federais, juntamente com os Deputados Federais. Sendo 3 Senadores por Estado, ou pelo Distrito Federal, com mandato de 8 (oito) anos.
Cumpre ressaltar que nas Eleições Gerais de 2026 serão escolhidos dois Senadores por Estado e pelo Distrito Federal. Isso ocorre porque, como mencionado, o mandato dos Senadores é de 08 (oito) anos, enquanto as eleições são realizadas a cada 04 (quatro) anos. Por essa razão, a renovação do Senado acontece de forma alternada: em uma eleição, é renovado um terço das cadeiras; na seguinte, dois terços. Neste pleito renovaremos, portanto, dois terços do Senado Federal. Como a Casa é composta por 81 parlamentares, 54 vagas estarão em disputa.
Acontece que esses dois cargos serão de extrema importância para os próximos anos do Judiciário brasileiro, em especial, para o futuro do Supremo Tribunal Federal. E por que são tão determinantes?
Segundo o art. 101 da Constituição Federal de 1988, "O Supremo Tribunal Federal compõe-se de onze Ministros, escolhidos dentre cidadãos com mais de trinta e cinco e menos de setenta anos de idade, de notável saber jurídico e reputação ilibada." e ainda "Parágrafo único. Os Ministros do Supremo Tribunal Federal serão nomeados pelo Presidente da República, depois de aprovada a escolha pela maioria absoluta do Senado Federal."
Ou seja, a Constituição Federal estabelece que o Presidente da República indica ao Senado Federal um cidadão para o cargo de Ministro do Supremo Tribunal Federal e o Senado Federal decide, por maioria absoluta - número de votos superior à metade dos integrantes do Senado, correspondente a 41 votos -, pela aprovação ou rejeição da indicação. Assim, o poder de escolha dos Ministros do STF está nas mãos do Presidente da República e dos Senadores.
E por que essa escolha é tão relevante em 2026?
A Constituição Federal estabelece no art. 40 que os membros do Poder Judiciário, incluindo os Ministros do Supremo Tribunal Federal, devem se aposentar compulsoriamente aos 75 (setenta e cinco) anos de idade. Estão previstas para os próximos 04 (quatro) anos - mesmo período do mandato do Presidente da República - as aposentadorias de três Ministros do STF: o Min. Luiz Fux, que completará 75 (setenta e cinco) anos em 2028, seguido da Min. Cármen Lúcia em 2029 e o Min. Gilmar Mendes em 2030.
Isso significa que nos próximos quatro anos serão abertas três vagas no Supremo Tribunal Federal em decorrência da aposentadoria compulsória dos Ministros. Contudo, existe ainda uma quarta vaga.
Em outubro de 2025, apesar de não ter atingido a idade-limite, o Ministro Luís Roberto Barroso anunciou sua aposentadoria da Corte, em decorrência de motivos pessoais. Em novembro de 2025, o Presidente da República em exercício, Luiz Inácio Lula da Silva, indicou o atual Advogado-Geral da União, Jorge Messias, para o cargo, todavia foi rejeitado pela maioria do Senado Federal em abril de 2026. Desde então, sua cadeira continua vaga.
Então, além das três aposentadorias previstas para os próximos anos, ainda há uma cadeira atualmente vaga na Suprema Corte, totalizando quatro vagas para Ministro do Supremo Tribunal Federal. Assim, o próximo Presidente da República poderá indicar até quatro nomes para o cargo de Ministro, competindo aos próximos Senadores, e os remanescentes no cargo, a função de aprovar ou rejeitar as indicações.
Acontece que ainda há um importante detalhe a ser observado. Como supramencionado, o Ministro Luís Roberto Barroso deixou a Suprema Corte antes de sua aposentadoria compulsória, por motivos pessoais. Isso significa que, embora a despedida do cargo, por via de regra, ocorra em decorrência do atingimento da idade-limite, os Ministros também podem deixar o cargo por aposentadoria voluntária, como o Ex-Ministro, ou ainda por renúncia ou perda do cargo em função de condenação por crime comum ou de responsabilidade.
No atual cenário de instabilidade da Suprema Corte, essa observação é de extrema importância. Para recapitular, nas últimas semanas o STF tem atravessado uma crise institucional envolvendo a apuração de possíveis conflitos de interesse e de eventuais irregularidades relacionadas à atuação e às relações de Ministros da Suprema Corte. Esse ponto é de extrema relevância justamente porque, caso algum Ministro, por consequência da crise, ou qualquer outra razão, deixe a Corte antecipadamente haverá ainda nova vaga no Supremo Tribunal Federal.
Ou seja, atualmente temos no horizonte até quatro vagas a serem preenchidas no Supremo Tribunal Federal, o que já corresponde a mais de um terço das cadeiras da Corte, mas podem, ainda, surgir novas vagas. Em ambas hipóteses, a indicação será sempre realizada pelo Presidente da República e aprovada pela maioria do Senado Federal, como determina a legislação federal.
O Supremo Tribunal Federal é o órgão máximo do Poder Judiciário no Brasil, tendo como principal função guardar a Constituição Federal. Compete a ele, entre outras matérias, julgar ações de controle de constitucionalidade e conflitos entre órgãos e entes federativos. É justamente por ocupar essa posição que sua atuação produz impactos que ultrapassam os casos concretos e alcançam todo o sistema judiciário.
Um terço da Corte que orienta todo o Judiciário brasileiro poderá ser definido pelos próximos representantes do Estado. Por essa razão, a escolha dos cargos de Presidente da República e Senadores nas Eleições de 2026 é tão importante para o Judiciário, porque o poder de escolha dos próximos Ministros do Supremo Tribunal Federal está nas mãos dessas pessoas.
Embora a escolha dos Ministros não seja direta, é através dos representantes de Estado escolhidos pelos eleitores que esse voto é exercido. É isso que significa estar em uma democracia representativa: escolher quem tomará decisões em seu nome. E, nesse momento, é imprescindível compreender a importância dessas escolhas para o futuro do Judiciário brasileiro.
Referências Bibliográficas:
BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Presidência da República, 1988.
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