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Marcus Pestana
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Política e acaso
30/8/2025 8:00
A história coloca limites para a ação humana. A liberdade de criação depende das condições econômicas, sociais e históricas objetivas. Mas os líderes têm o poder efetivo de potencializar as possibilidades abertas pela realidade. A política não pode ser apenas "a arte do possível". Mas além da ação subjetiva dos grandes líderes, há outro elemento importante nos caminhos e descaminhos da história: o acaso.
O grande dramaturgo e cronista carioca Nelson Rodrigues criou, entre tantos personagens geniais, o Sobrenatural de Almeida, que em suas aparições fantasmagóricas levava maus agouros ao Fluminense de seu coração. Depois começou a assombrar também outros times, produzindo viradas espetaculares, gols sensacionais, resultados improváveis, desmentindo os "idiotas da objetividade". Apesar de habitar o mundo do futebol brasileiro, tudo indica que o Sobrenatural de Almeida teve intensa atividade na política brasileira, dados os múltiplos exemplos de eventos inesperados e surpreendentes que foram determinantes para os rumos do país.
Vargas ocupou a presidência da República durante quase 19 anos. Liderou a ruptura com as velhas oligarquias regionais da Velha República e desencadeou o processo de modernização e industrialização do país. Era inegavelmente um grande líder popular. Quem poderia imaginar que decidiria pelo suicídio? E se? Carlos Lacerda e a UDN conseguiriam derrubá-lo? Ele apoiaria JK em sua sucessão? Ou não teríamos os 50 anos em 5, o Plano de Metas e Brasília?
Jânio Quadros literalmente varreu a candidatura do marechal Henrique Lott nas eleições de 1960. Com exotismo e imprevisibilidade planejados, venceu as eleições de forma arrasadora. Foi um vendaval de populismo e contradições. Com apenas 7 meses de poder, renunciou, decepcionando o eleitorado e abrindo um período de grande instabilidade. E se? Será que, se não houvesse a renúncia, teríamos o golpe militar de 64? Será que chegaríamos às eleições de 1965, com um embate histórico entre Carlos Lacerda e JK? A democracia brasileira sofreria descontinuidade?
Para minha geração, nenhum evento inesperado impactou tanto quanto a morte de Tancredo Neves, que ao lado de Ulysses Guimarães, liderou o complexo e desafiador processo de redemocratização. Tancredo preparou-se, ao longo da vida toda, para o exercício da presidência da República. Tinha certamente um modelo de estabilização da economia, outro de Constituição. Sarney cumpriu com dignidade e equilíbrio sua difícil missão. Mas era egresso da base de apoio ao regime autoritário. Se Tancredo tivesse governado, será que teríamos tido frustrações como a do Plano Cruzado? Teríamos preparado o terreno para um outsider voluntarista como Collor?
O próprio FHC se diz um presidente improvável. E se Montoro tivesse perdido a eleição para o governo de SP e FHC não virasse senador? E se ele ganhasse a Prefeitura de SP em 1985? E se Collor não fosse afastado? E se Itamar não o chamasse para Ministro da Fazenda e o Plano Real não tivesse dado certo?
O terrível acidente aéreo fatal de Eduardo Campos talvez tenha tirado dele a presidência, que era bem provável em 2014. Será que a facada que atentou contra a vida de Bolsonaro foi determinante para sua vitória?
Como se vê, o Sobrenatural de Almeida teve papel intenso na política nacional. Será que aprontará alguma em 2026?
O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para [email protected].
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