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Venezuela: o colapso de Atlas

"Quando você vê que para produzir precisa obter permissão de quem nada produz, você sabe que sua sociedade está condenada".

Pedro Rodrigues

Pedro Rodrigues

8/1/2026 11:00

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Em 1928, a Venezuela já era o segundo maior produtor de petróleo do mundo — apenas seis anos depois de descobrir sua primeira grande jazida. Durante a Segunda Guerra, forneceu óleo para os americanos. Em 1945, produzia mais que todo o Oriente Médio junto. Em 1950, ostentava o quarto maior PIB per capita do planeta. Era duas vezes mais rica que o Chile, quatro vezes mais que o Japão, doze vezes mais que a China. Hoje, o país tem uma indústria sucateada e uma produção insignificante para quem possui a maior reserva do mundo. Como chegamos aqui?

A resposta tem nome e sobrenome: Hugo Chávez. Em 1998, ele surgiu como "salvador da pátria", prometendo acabar com a pobreza. O que veio foi a destruição sistemática da capacidade produtiva venezuelana, começando pela PDVSA. A companhia virou "vaca leiteira para financiar sua revolução bolivariana, comprar apoio político e enriquecer o núcleo chavista".

Entre 2003 e 2006, o governo nacionalizou os principais projetos petrolíferos. Empresas como ExxonMobil, ConocoPhillips e Chevron foram obrigadas a aceitar participações minoritárias. Quem resistiu teve os ativos expropriados. O problema não foi só o confisco. Foi o que veio depois. A direção da PDVSA foi entregue a sindicalistas e "companheiros" do regime.

O colapso venezuelano mostra como a destruição da produtividade transforma riqueza natural em miséria duradoura.

O colapso venezuelano mostra como a destruição da produtividade transforma riqueza natural em miséria duradoura.Freepik

Essa linha do tempo poderia ser o roteiro da vida real de "A Revolta de Atlas", de Ayn Rand. Uma sociedade onde os produtores, sufocados pela burocracia e pelo assistencialismo barato, simplesmente desaparecem. Na Venezuela aconteceu exatamente isso, com uma diferença, eles não só desapareceram como foram expulsos.

A desestabilização de Maduro pelos Estados Unidos tem como argumento oficial a retomada dos ativos expropriados e acusações de narcotráfico. Mas a jogada é maior. Há dois xeques-mates simultâneos. O primeiro é contra a China. A Venezuela deve cerca de US$ 60 bilhões aos chineses, dívida contraída em troca de petróleo que o país não consegue mais entregar. Pequim expandiu sua presença em setores estratégicos venezuelanos. Com a mudança de regime, Washington recupera e neutraliza a influência chinesa sobre a maior reserva de petróleo do planeta, bem no quintal americano.

O segundo xeque-mate é contra a OPEP. O cartel vinha recuperando força, coordenando cortes de produção com a Rússia. Uma Venezuela produzindo em plena capacidade, alinhada aos Estados Unidos, muda radicalmente o equilíbrio de poder no mercado global de petróleo.

Há quem defenda o regime venezuelano sob o manto da soberania nacional. Porém, soberania não é carta branca para destruir a capacidade produtiva de um país, empobrecer a população e transformar uma nação em narcoestado. A história venezuelana é um alerta, ter recursos naturais não basta. É preciso instituições que permitam sua exploração eficiente, marcos regulatórios que atraiam investimentos e tecnologia e, acima de tudo, uma cultura que valorize produtividade e competência. Quando você elimina o incentivo à produtividade, substitui meritocracia por compadrio, troca eficiência por lealdade política, o resultado é sempre o mesmo: o colapso.


O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para [email protected].

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