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Pedro Rodrigues
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Energia
12/2/2026 10:30
A Empresa de Pesquisa Energética divulgou recentemente um dado que deveria soar como um alarme, mas que passou despercebido em meio a tantas outras notícias. Segundo a EPE, o consumo de energia elétrica no Brasil em 2025 (562,66 TWh) foi praticamente idêntico ao de 2024 (561,72 TWh). Enquanto isso, o mundo acelerava. Não se trata apenas de um número técnico escondido em planilhas. O consumo de energia é o batimento cardíaco da economia moderna. Quando esse batimento se torna irregular ou, pior, quase estático, estamos diante de um diagnóstico preocupante sobre a saúde do paciente.
Apesar da melhora nos índices econômicos apresentados em PowerPoint, como o PIB crescendo de forma modesta e o desemprego caindo nos comunicados oficiais, os dados de energia elétrica não mentem. Eles registram com precisão cirúrgica o que realmente acontece nas fábricas, nos comércios, nos data centers, nas residências. E o que registram no Brasil é movimento de formiga quando o mundo experimenta movimento de tsunami.
O consumo de energia elétrica no Brasil é uma confissão constrangedora do atraso. De acordo com dados da Agência Internacional de Energia, o consumo de energia elétrica nos Estados Unidos avançou de 4.082 TWh para 4.179 TWh em 2025, um aumento de 2,4%, incremento 14,15 vezes superior aos 0,2% verificados no Brasil. Em termos absolutos, no ano de 2025 os Estados Unidos adicionaram 97 TWh em seus níveis de consumo, o equivalente a quase um quinto de toda demanda brasileira. Esse abismo não é apenas estatístico. Menos energia significa indústrias menos competitivas, hospitais com equipamentos obsoletos, infraestrutura precária. Significa, em última análise, menos qualidade de vida.
Enquanto o Brasil patina, o restante do mundo experimenta uma revolução energética sem precedentes. O relatório "Electricity 2026" da Agência Internacional de Energia traz dados que amplificam o constrangimento brasileiro. A demanda global por eletricidade cresce a taxas que não víamos há décadas, impulsionada pela explosão dos data centers, pela revolução da inteligência artificial e pela eletrificação acelerada da economia. Os Estados Unidos adicionam dezenas de gigawatts para atender centros de computação que processam algoritmos de IA. A China constrói simultaneamente usinas em escala industrial. A Europa reconhece que sem energia abundante não haverá transição digital.
Segundo a IEA, a demanda global crescerá mais de 3% ao ano até 2026. O dado brasileiro não é apenas atestado de estagnação econômica. É a prova de que o Brasil não está participando da revolução tecnológica em curso no planeta. Não temos data centers de hiperescala sendo construídos. Não temos empresas de tecnologia instalando infraestrutura massiva de IA. Não temos indústrias se modernizando aceleradamente. Enquanto o consumo mundial dispara porque o mundo constrói a infraestrutura da próxima década, o Brasil mantém seu consumo estável porque continua operando a infraestrutura da década passada.
Uma economia que não consome mais energia não está crescendo de verdade. O crescimento real se manifesta em mais fábricas operando, mais servidores processando, mais residências com padrão elevado de consumo. Quando a energia não cresce, o resto é maquiagem contábil. O Brasil, ao manter sua demanda estagnada enquanto o mundo acelera, está condenado a ser telespectador passivo do crescimento de outros países. Enquanto o mundo constrói o futuro em alta voltagem, o Brasil segue em baixa tensão, alienado da revolução que transforma a economia global.
O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para [email protected].
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