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De amor e trevas

Para Paulo Castelo Branco, Bolsonaro "deve ter sido convencido por Benjamin Netanyahu que a paz, se não vem negociada, só é conseguida com combate duro e vigília permanente para uma nação sair das trevas e instalar o amor."

Paulo Castelo Branco

Paulo Castelo Branco

3/1/2019 | Atualizado 10/10/2021 às 16:31

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Para Paulo Castelo Branco, Bolsonaro

Para Paulo Castelo Branco, Bolsonaro "deve ter sido convencido por Benjamin Netanyahu que a paz, se não vem negociada, só é conseguida com combate duro e vigília permanente para uma nação sair das trevas e instalar o amor"[fotografo]Fernando Frazão / Agência Brasil[/fotografo]
A presença de Benjamin Netanyahu no Brasil e a morte de Amós Oz, cofundador do “Movimento Paz Agora”, são daquelas coincidências que marcam momentos da vida de pessoas tão díspares, mas que se misturam no amor ao próximo, e nas trevas que turvam as relações políticas e humanitárias em meio a agressivas promessas de mudança. A admiração de Jair Bolsonaro por Israel leva-nos a relembrar a perseguição que sofreu o povo judeu por séculos, o que culminou na desgraça nazista que se propunha a exterminá-lo. A criação do Estado de Israel em 1947, com a notória participação brasileira, permitiu a ocupação de território delimitado entre os israelenses e árabes, no entanto, apesar de Israel ter consolidado o seu território, até hoje, a Autoridade Palestina não conseguiu ocupar a sua parte e permanece o desentendimento. Em entrevista, o primeiro-ministro declarou que Jerusalém é capital de Israel há três mil anos e que não permitirá que seja dividida entre judeus e árabes. Amós Oz lutou contra na resistência à instalação de Israel e, posteriormente, posicionou-se a favor da paz e da proposta de um estado palestino. Além de escritor de rara sensibilidade, Amós deixou o mundo no momento em que o presidente Bolsonaro afirma transferir a embaixada brasileira para Jerusalém histórica, símbolo da fé de milhões de cristãos, muçulmanos e judeus. Essa luta milenar, em alguns momentos, parece chegar ao fim, mas logo alguém com poder de fazer paz e guerra, emperra as negociações, e a discórdia reaparece. Tel Aviv é uma linda cidade litorânea, divertida e cheia de surpresas. Viver por lá é tranquilo em virtude do sistema de segurança que protege todo o Estado de Israel. Por outro lado, em Jerusalém, o ambiente é tenso e vigiado por militares armados que garantem a estranha paz da linda cidade. Em suas vielas a história é viva e emocionante. O curioso desse relato é que Bibi, como o chamam os judeus, sai da sua redoma segura e passa alguns dias no Rio de Janeiro, cidade maravilhosa, hoje citada mundialmente como violenta. Bibi, mesmo protegido por seguranças, se transformou em carioca e saiu às ruas sem medo de ser atingido por balas perdidas, talvez tenha observado Bolsonaro de chinelos e bermudas, atravessando a rua para conversar com populares e amigos em um quiosque em que está acostumado a beber água de coco. O visitante deu uma de turista comum, bateu bola na areia da praia, bebeu caipirinha ao lado de sua esposa e visitou pontos turísticos; só não foi a ensaio de escola de samba. Talvez, no Carnaval, esteja no camarote presidencial na companhia do seu mais novo amigo de infância. A divulgação de Netanyahu sobre o Brasil apaga a péssima imagem que temos de país violento e corrupto que nos transformou em destino turístico de alto risco. A posse do presidente Jair Bolsonaro, eleito por votos de vários setores da sociedade cansada de tantas trapaças a nós impingida por governos de marginais, é sinal de que as coisas irão mudar. Bolsonaro mostrou ao israelense que no Brasil a população é da paz e convive, em sua maioria, sem discriminação de qualquer tipo, inclusive entre árabes e judeus. O presidente pode não ser o mito cantado em prosa e versos, mas é bem-humorado e escolheu auxiliares conceituados. No mais, deve ter sido convencido por Benjamin Netanyahu que a paz, se não vem negociada, só é conseguida com combate duro e vigília permanente para uma nação sair das trevas e instalar o amor. Do mesmo autor: Sempre cabe mais um Banca ou bancada – as implicações da continência protocolar
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