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9/7/2014 | Atualizado 10/10/2021 às 16:41

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Nunca conheci alguém que fosse contra os pobres e os analfabetos. Sim, não há quem seja contra eles - e muito pelo contrário. É realmente curioso: dos mais finos salões frequentados pelos líderes mundiais aos menores e mais simples prédios das administrações locais, todos são a favor deles! No entanto, eles continuam existindo. A humanidade já tem riqueza e tecnologia suficientes para eliminar a pobreza, mas lá estão eles! Seja ao redor das mais requintadas capitais européias, nos subúrbios das metrópoles norte-americanas ou nos vibrantes centros asiáticos, lá estará um farrapo, testemunha viva da hipocrisia de uma raça. Dizem alguns que os farrapos incomodam. Deve ser verdade. Afinal, enquanto gasta-se, sob as nossas vistas, tantas fortunas com armas, corrupção e desmandos administrativos, lá está um irmão nosso a nos lembrar que talvez estejamos sendo omissos. Sim, os farrapos incomodam muita gente. Há que se afastá-los da paisagem, pois. Mas como fazer? Afinal, não nos esqueçamos de que todos são a favor deles! A solução tem sido tão sutil quanto cruel: como não se pode proibir a presença dos farrapos, a saída é escondê-los e convencê-los a não aparecer. Na França, por exemplo, um bairro chique convivia com a miséria de alguns casebres instalados a poucos metros. O governo local, ao invés de enfrentar o problema da pobreza, decidiu ser melhor levantar um muro para separar as duas comunidades. Ao invés de acabar com a barreira da vergonha, optou-se pela vergonha da barreira. Iniciativas assim tem proliferado. Seja nos muros construídos entre países, seja naqueles que cercam pequenas comunidades do interior da França, Alemanha e Suíça, lá estará alguma verdade desagradável sendo varrida para debaixo dos tapetes - que, no entanto, algum dia não terão mais espaço. Há também a opção por mecanismos mais sutis - o idioma é um deles. E assim, em Shanghai, virou moda dar nomes ingleses às lojas e estabelecimentos que os indesejáveis não deveriam frequentar. O processo de seleção passou a ser natural: afinal, não se espere de uma pessoa menos favorecida pela vida que vá a um "Mall" frequentar um "Barbecue Place" e pedir um "steak" com "smashed potato" - será humilhação na certa! Esta forma de exclusão passou a ser utilizada de forma tão intensa e extensa que o próprio governo da China acabou por proibir nomes estrangeiros e cardápios em inglês - afinal, respeite-se o idioma pátrio! Uma outra forma de convencimento, igualmente eficiente, tem sido o clamor pela segurança. Funciona assim: quando um indesejável ousa entrar em um ambiente que não lhe é destinado, imediatamente surge a presença constrangedora de um segurança nas proximidades. É realmente curioso: nos EUA, 53% dos furtos acontecidos em lojas são fruto da ação de representantes das classes alta e média daquele país - os prejuízos montam a mais de US$ 2 bilhões anuais. Enquanto isso, recentemente, um grupo de brasileiros foi recepcionado em um "Shopping" de Las Vegas com a seguinte mensagem, veiculada no sistema de alto-falantes: "reforcem a segurança, pois há brasileiros circulando". Mas deixe isso pra lá! É domingo. Vá a alguma "steak house" e saboreie um bom "barbecue" - só tome o cuidado de pisar macio no tapete, pois pode haver alguém varrido para debaixo dele. Mais sobre pobreza Assine a Revista Congresso em Foco em versão digital ou impressa
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Segurança Pública EUA pobreza segurança Pedro Valls Feu Rosa analfabetismo furtos américa do norte

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