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Relações Exteriores
Congresso em Foco
3/1/2026 10:24
Os Estados Unidos anunciaram neste sábado (3) uma ação militar contra a Venezuela que teria resultado na retirada do presidente Nicolás Maduro do território venezuelano. A informação foi divulgada pelo presidente norte-americano, Donald Trump, por meio da rede social Truth Social. Segundo ele, Maduro e a esposa, Cília Flores, foram levados para fora do país após uma operação conduzida por forças dos EUA.
De acordo com Trump, a ofensiva incluiu ataques à capital, Caracas, e não há registro oficial de vítimas até o momento. Um vídeo foi publicado junto à declaração. O presidente norte-americano afirmou ainda que a ação contou com apoio direto das forças de segurança dos Estados Unidos e anunciou uma coletiva de imprensa para este sábado, às 13h (horário de Brasília).
"Os Estados Unidos da América realizaram com sucesso um ataque em larga escala contra a Venezuela e seu líder, o presidente Nicolás Maduro, que foi capturado e levado para fora do país juntamente com sua esposa".
A reação do governo venezuelano ocorreu pouco depois. Em nota oficial, autoridades locais acusaram Washington de promover ataques em diferentes regiões do país e informaram a decretação de estado de emergência nacional. O comunicado também convocou a população a reagir à ofensiva estrangeira.
"Todo o país deve se mobilizar para derrotar essa agressão imperialista".
Segundo o governo venezuelano, áreas civis e militares teriam sido atingidas não apenas em Caracas, mas também nos estados de Miranda, Aragua e La Guaira. A administração local classificou a ação como uma agressão militar grave e reiterou a rejeição às operações conduzidas pelos Estados Unidos.
"O Governo Bolivariano convoca todas as forças sociais e políticas do país a ativarem os planos de mobilização e a repudiar este ataque imperialista. O povo da Venezuela e sua Força Armada Nacional Bolivariana, em perfeita fusão popular-militar-policial, estão mobilizados para garantir a soberania e a paz".
O episódio ocorre em meio a um cenário de escalada de tensões entre Washington e Caracas. Nos últimos meses, os Estados Unidos intensificaram sua presença militar na América Latina e no Caribe, alegando combater o tráfico internacional de drogas. Nesse contexto, Maduro passou a ser apontado pelo governo norte-americano como liderança do chamado Cartel de los Soles, grupo classificado recentemente pelos EUA como organização terrorista internacional.
Apesar do agravamento da crise, o presidente venezuelano havia declarado recentemente disposição para dialogar com Donald Trump. Em entrevista concedida no início de janeiro, Maduro mencionou conversas anteriores entre os dois líderes e afirmou que, embora o diálogo inicial tenha sido cordial, os desdobramentos posteriores não avançaram de forma positiva. Desde então, a retórica norte-americana se tornou mais agressiva, acompanhada de novas movimentações militares na região.
A operação atual soma-se a ações iniciadas em 2024, que envolveram o envio de navios de guerra, fuzileiros navais, aeronaves de combate, um submarino nuclear e o porta-aviões USS Gerald R. Ford. Segundo informações divulgadas por autoridades dos EUA, dezenas de embarcações já foram alvo de ataques em águas do Caribe e do Pacífico, dentro da chamada operação Lança do Sul.
A repercussão internacional foi imediata. O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, utilizou as redes sociais para alertar sobre os ataques em andamento e pediu reação de organismos multilaterais.
"Estão bombardeando Caracas. Alerta para o mundo inteiro, atacaram a Venezuela. Estão bombardeando com mísseis. A OEA e a ONU devem se reunir imediatamente".
O governo do Irã também se manifestou, condenando a ofensiva norte-americana e classificando a ação como ilegal à luz do direito internacional e da Carta das Nações Unidas.
"Tais posições irresponsáveis, que constituem uma continuação da abordagem intimidatória e ilegal dos EUA em relação à nação iraniana, não apenas representam uma violação flagrante dos princípios e regras fundamentais da Carta da ONU e do direito internacional no que diz respeito ao respeito à soberania nacional".
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