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Relações Comerciais
Congresso em Foco
9/1/2026 10:21
Os governos da União Europeia deram sinal verde inicial ao tratado comercial negociado com o Mercosul nesta sexta-feira (9), de acordo com diplomatas que acompanharam a reunião de embaixadores em Bruxelas. A decisão ainda depende da formalização dos votos por escrito, que deve ser concluída até o fim do dia no horário local.
A manifestação favorável do bloco abriu caminho para a assinatura do acordo, que vem sendo negociado desde 1999 e é considerado um dos mais amplos pactos comerciais já firmados pela UE. O texto prevê a redução progressiva de tarifas, além da criação de regras comuns para comércio de produtos industriais e agrícolas, investimentos e padrões regulatórios.
Com o aval preliminar, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, poderá formalizar o tratado na próxima segunda-feira (12), durante agenda no Paraguai. Caso seja ratificado, o acordo criará uma das maiores zonas de livre-comércio do mundo, conectando o Mercosul a um mercado europeu de aproximadamente 451 milhões de consumidores.
Para o Brasil, principal economia do bloco sul-americano, o tratado é visto como uma ampliação do acesso a mercados e uma oportunidade que ultrapassa o setor agropecuário, alcançando também segmentos industriais.
Apesar do avanço, o acordo ainda enfrenta resistência dentro da União Europeia. França, Irlanda e outros países manifestaram oposição, sobretudo por preocupações relacionadas à concorrência agrícola. Na véspera da votação, o presidente francês, Emmanuel Macron, reiterou que seu país votaria contra o texto.
Macron declarou ainda:
"Embora a diversificação comercial seja necessária, os benefícios econômicos do acordo UE-Mercosul serão limitados para o crescimento francês e europeu."
Na Irlanda, o primeiro-ministro Simon Harris também anunciou oposição, afirmando:
"A posição do governo sobre o Mercosul sempre foi clara: não apoiamos o acordo da forma como foi apresentado."
Nos bastidores, a posição da Itália foi decisiva para destravar a votação. O país indicou disposição para apoiar o tratado após receber sinalizações da Comissão Europeia de que os recursos destinados ao setor agrícola poderiam ser ampliados. A primeira-ministra Giorgia Meloni classificou essa iniciativa como um "passo positivo e significativo", ao comentar a proposta de antecipação de € 45 bilhões em apoio aos produtores rurais.
O ministro da Agricultura italiano, Francesco Lollobrigida, também destacou que o debate europeu passou a considerar o aumento, e não a redução, dos recursos agrícolas para o período de 2028 a 2034, reforçando o argumento para o aval de Roma.
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