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CPMI do INSS

"Linguaruda": Malafaia acusa Damares de manchar imagem de líderes evangélicos

Após reação de Malafaia às declarações da senadora sobre possível envolvimento de líderes religiosos em fraudes contra aposentados, Damares afirma que indícios constam de requerimentos e documentos oficiais da comissão.

Congresso em Foco

15/1/2026 | Atualizado às 7:58

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O pastor Silas Malafaia e a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) entraram em confronto público após a parlamentar mencionar a possível participação de igrejas e líderes religiosos em esquemas de fraude contra aposentados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), no âmbito da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) instalada para investigar o caso.

Em vídeo publicado nas redes sociais, Malafaia acusou a senadora de fazer denúncias sem apresentar provas e exigiu que ela divulgue os nomes das igrejas e líderes citados. O pastor classificou a fala de Damares como irresponsável e afirmou que, caso não apresente nomes e evidências, ela estaria sendo "leviana".

"Ou a senhora dá os nomes ou a senhora é uma leviana linguaruda", disse Malafaia. Ele também afirmou que a senadora estaria manchando a imagem de líderes evangélicos e cobrou que eventuais denúncias sejam feitas de forma direta, com identificação dos envolvidos.

A reação de Malafaia ocorreu após entrevista concedida por Damares ao SBT News, no último domingo (11). Na ocasião, a senadora afirmou que a CPMI do INSS tem identificado indícios de envolvimento de igrejas e líderes religiosos em esquemas de fraude contra aposentados, o que, segundo ela, causa "tristeza" e "desconforto".

Damares também mencionou que há pressão e lobby para evitar o aprofundamento das investigações, sob o argumento de que a apuração poderia causar danos à imagem de grandes igrejas e lideranças religiosas.

Resposta de Damares

Em nota divulgada após o ataque de Malafaia, a senadora afirmou que suas declarações se baseiam em informações já discutidas oficialmente no âmbito da CPMI e que os dados mencionados são públicos, constam de requerimentos aprovados pela comissão e têm origem em documentos oficiais.

Damares lembrou que foi a autora do requerimento que resultou na criação da CPMI do INSS, instalada em 2025, e que atua como membro titular da comissão desde o início dos trabalhos. Segundo a senadora, a investigação tem o dever constitucional de apurar os fatos com base em documentos, respeitando o devido processo legal e a presunção de inocência.

A nota detalha uma série de requerimentos apresentados no âmbito da CPMI que envolvem igrejas e líderes religiosos, incluindo pedidos de transferência de sigilo e convocações para depoimento. Entre eles estão requerimentos relacionados à Adoração Church, à Igreja Assembleia de Deus Ministério do Renovo, ao Ministério Deus é Fiel Church, à Igreja Evangélica Campo de Anatote e a líderes religiosos como André Machado Valadão e Cesar Belucci do Nascimento.

Segundo a senadora, os requerimentos foram apresentados com base em indícios identificados em Relatórios de Inteligência Financeira (RIF) e informações da Receita Federal.

Após a divulgação da nota, Silas Malafaia voltou a se manifestar nas redes sociais. Em publicação, o pastor afirmou que a senadora teria se contradito ao divulgar a lista de requerimentos, argumentando que a nota menciona apenas um nome que ele considera de "grande líder" e não cita, segundo sua avaliação, nenhuma "grande igreja".

Malafaia também afirmou que os demais nomes citados não representariam grandes lideranças ou grandes instituições evangélicas e que o líder mencionado já havia sido citado anteriormente pela imprensa. Para o pastor, o uso do plural nas declarações da senadora teria sido indevido e generalizaria acusações contra o conjunto da igreja evangélica.

"A acusação que ela fez foi leviana e denigre de maneira geral a igreja evangélica", escreveu Malafaia, reiterando críticas ao posicionamento da senadora e recomendando que seus seguidores assistam ao vídeo que publicou sobre o tema.

Malafaia diz que Damares se contradisse em nota divulgada.

Malafaia diz que Damares se contradisse em nota divulgada.Reprodução/Instagram

CPMI do INSS

A CPMI do INSS investiga um esquema de fraudes que causou prejuízos a aposentados e pensionistas, envolvendo descontos indevidos e possível uso de entidades e organizações para viabilizar os desvios. As apurações incluem a análise de movimentações financeiras, contratos e atuação de intermediários.

Damares afirmou que a eventual participação de igrejas ou líderes religiosos nesses esquemas causa profundo desconforto, mas ressaltou que a comissão tem a obrigação de investigar todos os indícios, independentemente do envolvimento de instituições religiosas.

Veja a íntegra da nota de Damares:

A senadora Damares Alves foi a parlamentar responsável pela apresentação do requerimento que resultou na criação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, instalada em 2025. Desde o início dos trabalhos, a senadora atua como membro titular da Comissão, participando ativamente das sessões, contribuindo com os debates e apresentando requerimentos para o aprofundamento das investigações.

A senadora também acompanha de forma contínua a análise das respostas encaminhadas à CPMI, especialmente aquelas oriundas de órgãos oficiais de controle e fiscalização.

As declarações feitas pela senadora em entrevista ao SBT News, no último domingo (11), tratam de temas que já vêm sendo discutidos oficialmente no âmbito da CPMI. As informações mencionadas são públicas e constam em requerimentos apresentados e aprovados pela Comissão, amplamente divulgados e acessíveis à sociedade.

A senadora já manifestou que a eventual participação de igrejas ou líderes religiosos em esquemas de fraude no INSS causa profundo desconforto e tristeza, considerando o relevante papel social e espiritual dessas instituições. Ainda assim, a CPMI tem o dever constitucional de apurar os fatos com responsabilidade, imparcialidade e base documental.

No curso dos trabalhos da Comissão, foram apresentados os seguintes requerimentos, conforme registros oficiais da CPMI:

REQ 2746/2025 – Transferência de sigilo da Adoração Church;

REQ 2745/2025 – Transferência de sigilo da Igreja Assembleia de Deus Ministério do Renovo;

REQ 2635/2025 – Transferência de sigilo do Ministério Deus é Fiel Church (SeteChurch);

REQ 2636/2025 – Convite ao Sr. Cesar Belucci do Nascimento, líder religioso, para comparecimento à CPMI;

REQ 2638/2025 e REQ 2734/2025 – Convocação do Sr. André Machado Valadão, líder religioso, para prestar depoimento;

REQ 2728/2025 – Transferência de sigilo do Sr. André Machado Valadão;

REQ 2639/2025 – Convite ao Sr. Péricles Albino Gonçalves, líder religioso, para comparecer à CPMI;

REQ 2642/2025 – Convite ao Sr. Fabiano Campos Zettel, empresário e líder religioso, para comparecer à CPMI;

REQ 2826/2025 – Convite ao Sr. André Fernandes, líder religioso, para comparecer à CPMI;

REQ 2640/2025 – Transferência de sigilo da Igreja Evangélica Campo de Anatote.

Todos esses requerimentos foram apresentados por membros da CPMI com base em indícios concretos identificados em documentos oficiais, especialmente Relatórios de Inteligência Financeira (RIF) e informações da Receita Federal do Brasil.

Esses documentos estão sendo analisados com rigor e responsabilidade, sempre respeitando o devido processo legal, a presunção de inocência e a transparência que se espera de uma investigação parlamentar séria.

A senadora Damares Alves reafirma seu compromisso com a apuração responsável dos fatos, com a proteção dos recursos públicos, a defesa dos direitos de aposentados e pensionistas e a preservação da credibilidade das instituições.

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