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Acordo comercial

Líderes assinam acordo Mercosul–UE e defendem multilateralismo

Acordo de livre comércio foi apresentado como resposta ao protecionismo e às tensões geopolíticas.

Congresso em Foco

18/1/2026 | Atualizado às 7:48

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Autoridades da América do Sul e da Europa usaram a cerimônia de assinatura do acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, realizada neste sábado (17), em Assunção, para defender o multilateralismo e o comércio baseado em regras como instrumentos centrais para o crescimento econômico e a cooperação internacional.

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Durante o evento, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, afirmou que a conclusão das negociações, iniciadas há 26 anos, representa um posicionamento político claro diante do cenário global. Para ele, o tratado reafirma o compromisso dos dois blocos com o comércio justo e com o direito internacional.

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, representou o Brasil na cerimônia de assinatura.

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, representou o Brasil na cerimônia de assinatura.Charles Sholl/Brazil Photo Press/Folhapress

"Com este acordo enviamos uma mensagem clara ao mundo, em defesa do comércio livre baseado em regras, e [a favor] do multilateralismo e do direito internacional como base das relações entre países e regiões."

Costa acrescentou que, apesar da longa negociação, o acordo chega em um momento estratégico, ao priorizar abertura e cooperação em vez do isolamento e do uso do comércio como ferramenta geopolítica.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, seguiu a mesma linha ao destacar o potencial do tratado para integrar economias e aproximar continentes. Segundo ela, o acordo pode dar origem à maior área de livre comércio do mundo, reunindo cerca de 700 milhões de consumidores.

"Escolhemos o comércio justo em vez de tarifas. Escolhemos parcerias de longo prazo em vez de isolamento."

Anfitrião da cerimônia, o presidente do Paraguai, Santiago Peña, classificou o momento como histórico e ressaltou a importância do diálogo diplomático para superar décadas de impasses.

"Estamos diante de um dia verdadeiramente histórico, muito esperado por nossos povos, [capaz de] unir dois dos mais importantes mercados globais, e que demonstra que o caminho do diálogo, da cooperação e da fraternidade é o único caminho."

Peña também atribuiu papel decisivo ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a Ursula von der Leyen na condução do processo.

"Sem o presidente Lula, talvez não tivéssemos chegado a este dia. Ele foi um dos responsáveis fundamentais deste processo."

O presidente da Argentina, Javier Milei, avaliou o acordo como um ponto de partida para novas oportunidades comerciais e para o aprofundamento da integração regional, desde que o espírito de liberalização seja preservado durante a implementação.

Já o presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, descreveu o tratado como uma associação estratégica capaz de gerar oportunidades concretas para as populações envolvidas. Em sua avaliação, o acordo ganha relevância especial em um contexto internacional marcado por incertezas.

Representando o Brasil na cerimônia, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, reiterou a posição do presidente Lula de que o acordo simboliza a força do mundo democrático e do multilateralismo.

"O acordo estabelece, de fato, uma parceria entre nossas regiões, com enorme potencial econômico para nossas sociedades e profundo sentido geopolítico para nossos países. Ele propiciará ganhos tangíveis, mais empregos e investimentos, maior integração produtiva, acesso ampliado a bens e serviços de qualidade, inovação tecnológica e crescimento econômico com inclusão social […] diante de um mundo batido pela imprevisibilidade, protecionismo e pela coerção."

Com a assinatura, o texto do acordo segue agora para a etapa de ratificação no Parlamento Europeu e nos congressos nacionais dos países do Mercosul. A entrada em vigor da parte comercial dependerá dessas aprovações e deverá ocorrer de forma gradual ao longo dos próximos anos.

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