Entrar

    Cadastro

    Notícias

    Colunas

    Artigos

    Informativo

    Estados

    Apoiadores

    Radar

    Quem Somos

    Fale Conosco

Entrar

Congresso em Foco
NotíciasColunasArtigos
  1. Home >
  2. Notícias >
  3. Da fraude à liquidez: as principais divergências entre Master e BRB

Publicidade

Publicidade

Receba notícias do Congresso em Foco:

E-mail Whatsapp Telegram Google News

INVESTIGAÇÃO NO STF

Da fraude à liquidez: as principais divergências entre Master e BRB

Acareação revela contradições sobre fraude, liquidez e capacidade de pagamento. Depoimentos de Vorcaro e do ex-presidente do BRB ampliam controvérsia sobre o negócio bilionário.

Congresso em Foco

30/1/2026 8:58

A-A+
COMPARTILHE ESTA NOTÍCIA

A retirada do sigilo da acareação entre o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, trouxe à tona divergências que vão além da disputa sobre a origem das carteiras de crédito negociadas entre as duas instituições. O confronto foi realizado em 30 de dezembro de 2025, sob condução da Polícia Federal (PF) e com acompanhamento da Procuradoria-Geral da República (PGR), no inquérito que investiga suspeitas de fraude financeira e a tentativa de compra de ativos do Master pelo banco público.

Com o sigilo levantado pelo ministro Dias Toffoli, relator do caso no STF, os vídeos e a transcrição da acareação revelam versões conflitantes sobre quando surgiram os primeiros sinais de irregularidade, se o Master tinha liquidez para ressarcir o BRB, como se deu a substituição dos ativos contestados e até se a operação chegou a existir plenamente no sistema bancário. O material também registra episódios laterais, como a recusa de Vorcaro em fornecer acesso ao celular apreendido e referências a encontros com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB).

Assista à íntegra da acareação:

Quando o alerta apareceu

Segundo Paulo Henrique Costa, o BRB começou a comprar carteiras do Banco Master em julho de 2024 e manteve as operações ao longo de 2024 e 2025 sem identificar problemas relevantes. Ele afirma que o primeiro sinal concreto de irregularidade surgiu apenas no fim de abril de 2025, quando o volume das carteiras aumentou e o banco passou a exigir documentação mais detalhada.

"Só no final do mês de abril de 2025, quando a carteira atingiu um tamanho muito grande, a gente percebeu a chegada de um padrão documental um pouco distinto", afirmou Costa na acareação.

Vorcaro apresenta uma linha do tempo diferente. Ele confirma que, em 2 de abril de 2025, o Banco Master notificou a empresa Tirreno sobre o encerramento das operações. Questionado se houve o envio formal da notificação, respondeu: "Acredito que sim. Eu confirmo", acrescentando que tomou conhecimento do ato "no momento em que ela foi enviada".

Na prática, enquanto o BRB situa o alerta no fim de abril, Vorcaro sustenta que o rompimento ocorreu no início do mês.

O que é a Tirreno

A Tirreno Consultoria é apontada pela Polícia Federal como uma empresa de fachada usada no esquema investigado. Criada em novembro de 2024, a empresa teve o Banco Master como único cliente e fechou apenas um contrato durante toda a sua existência. Inicialmente com capital social de R$ 100, a Tirreno teve esse valor elevado para R$ 30 milhões em apenas cinco dias.

Segundo a PF, a Tirreno foi usada para simular a origem de carteiras de crédito, que depois foram vendidas ao BRB. Os investigadores afirmam que o Master, em crise de liquidez em 2025, teria adquirido esses créditos sem efetuar pagamento e, em seguida, os repassado ao banco público por cerca de R$ 12 bilhões. Após a operação, os papéis se desvalorizaram, gerando prejuízo ao BRB.

A "troca" de ativos e os valores em disputa

Na acareação, Paulo Henrique Costa afirma que o BRB negociou a substituição integral das carteiras contestadas, mas que, no momento da liquidação, ainda restavam pendentes entre R$ 1,4 bilhão e R$ 1,6 bilhão, que não haviam sido formalizados.

Vorcaro apresenta outra fotografia da operação. Segundo ele, de um total de R$ 12,7 bilhões, cerca de R$ 10,2 bilhões já teriam sido substituídos, com R$ 1,6 bilhão em treasuries em processo de liquidação e R$ 9 bilhões em garantias adicionais. Ele afirma que o BRB não considerava concluída parte da transferência por "questões formais, procedimentais".

Na discussão sobre valores, Vorcaro sustenta que não havia divergência de precificação em créditos consignados, operações com pessoas jurídicas, imóveis (avaliados por terceiros independentes), CRIs e FIDCs. O que ainda estaria pendente, segundo ele, seria a precificação de cerca de R$ 800 milhões, referentes exclusivamente a ações. O banqueiro também afirma que o Master aplicou um deságio de aproximadamente R$ 2,1 bilhões nos ativos substituídos.

"Nem um real para a Tirreno"

Um dos trechos mais claros da acareação envolve o suposto pagamento do Master à Tirreno. Confrontado sobre a afirmação de que teria pago cerca de R$ 6 bilhões pelos créditos, Vorcaro nega.

"Não pagamos nem um real para a Tirreno", afirmou, explicando que o valor ficou registrado em uma conta transitória, descrita por ele como uma "conta extra", vinculada à empresa, mas sem movimentação financeira efetiva.

Paulo Henrique Costa rebate essa versão com um argumento técnico. Segundo ele, o que existia era apenas "um registro contábil", que não representava liquidez real. Por isso, afirma, não havia "condição prática, fática" de o BRB exigir o pagamento imediato.

Liquidez: versões opostas

A divergência sobre a capacidade de pagamento do Master aparece de forma explícita. Vorcaro sustenta que o banco teria condições de honrar os compromissos.

"Sem dúvida nenhuma, a gente honraria esse também", disse, reconhecendo dificuldades, mas afirmando que até 17 de novembro o banco teria atendido todos os pedidos de resgate. Ele também argumenta que nenhum banco mantém liquidez suficiente para cobrir todos os depósitos simultaneamente.

Costa discorda. Segundo ele, o Master "não tinha condição" de devolver os recursos, o que levou o BRB a optar pela substituição de ativos em vez de exigir a recompra imediata das carteiras.

A operação chegou a existir?

Outro ponto de choque é a própria caracterização do negócio. Vorcaro afirma que, do ponto de vista operacional, a transação não chegou a se concretizar plenamente. Segundo ele, não houve registro contábil de compra e venda, recolhimento de impostos ou inserção dos créditos no sistema de cobrança.

"Nada disso foi feito. Ela foi interrompida e desfeita antes de ser concluída", afirmou.

Costa descreve um cenário distinto. Ele afirma que o BRB reportava as cessões ao Banco Central de forma semanal e, em determinados momentos, até diariamente, e que o regulador acompanhava de perto as operações durante a tentativa de aquisição do Master.

Celular, vazamentos e reuniões políticas

A acareação também registra a recusa de Vorcaro, por meio de seus advogados, em fornecer a senha do celular apreendido pela PF. Ele alegou a necessidade de preservar "relações pessoais e privadas" e não respondeu se mantém bens no exterior, afirmando apenas que todos os seus bens estão declarados.

Na abertura do ato, a defesa reclamou de supostos vazamentos de informações, afirmando que perguntas atribuídas ao ministro Dias Toffoli já estariam circulando na imprensa poucos minutos após o fim de uma audiência anterior.

Vorcaro também confirmou que se reuniu "algumas vezes" com o governador Ibaneis Rocha, inclusive no Palácio do Buriti, para tratar das negociações. Costa afirmou que mantinha o governador informado em reuniões periódicas, argumentando que o governo do DF é o acionista controlador do BRB.

O pano de fundo do caso

O inquérito está ligado à Operação Compliance Zero, deflagrada em novembro de 2025, que investiga a concessão de créditos falsos pelo Banco Master e a tentativa de compra da instituição pelo BRB. As suspeitas envolvem valores que podem chegar a R$ 17 bilhões.

Em dezembro, Dias Toffoli determinou que o caso tramitasse no STF, após a citação de um deputado federal nas investigações, o que atraiu o foro privilegiado.

Com a divulgação da íntegra da acareação, o caso ganha contornos mais amplos: não apenas uma disputa sobre a origem das carteiras, mas um embate sobre quando os alertas surgiram, qual era a real situação financeira do Master, como se deu a substituição dos ativos e se a operação chegou, de fato, a existir como negócio bancário concluído.

Siga-nos noGoogle News
Compartilhar
[Erro-Front-CONG-API]: Erro ao chamar a api CMS_NOVO.

{ "datacode": "NOTICIAS_LEIA_MAIS", "exhibitionresource": "NOTICIA_LEITURA", "showDelay": false, "articlekey": 115974, "viewed": [ "115974" ], "context": "{\"articlekey\":115974,\"originalarticlekey\":\"115974\"}" }

NOTÍCIAS MAIS LIDAS
Congresso em Foco
NotíciasColunasArtigosFale Conosco

CONGRESSO EM FOCO NAS REDES