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CERIMÔNIA

Congresso retoma os trabalhos com uma salva de tiros; entenda motivo

Tradição medieval inglesa aplicada no mundo inteiro marca a cerimônia de abertura dos trabalhos do Congresso Nacional.

Congresso em Foco

2/2/2026 7:00

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O Congresso Nacional inicia na segunda-feira (2) os trabalhos legislativos de 2026. A cerimônia, marcada para começar às 15h, é marcada pela execução de um rito que segue o mesmo formato desde o período imperial.

O ato conta com uma exibição militar que inclui as três grandes unidades militares do Exército encarregadas de proteger a capital: o Batalhão da Guarda Presidencial (BGP), o 1º Regimento de Cavalaria de Guardas (RCG) e o 32º Grupo de Artilharia de Campanha.

Os três batalhões estão entre os mais antigos da história do Brasil: todos serviram no reinado de D. Pedro II. O Regimento de Cavalaria de Guarda, conhecido como "Dragões da Independência" é o mais antigo, tendo sido fundado ainda em 1808, quando a corte portuguesa fugiu para o Rio de Janeiro durante as guerras napoleônicas.

Cada uma dessas unidades atua de forma distinta na cerimônia: a música é tocada pelo batalhão presidencial; os Dragões da Independência se posicionam na rampa do Congresso Nacional e o grupo de artilharia posiciona canhões no gramado e dispara 21 vezes durante a chegada do presidente da República ou seu representante. Os tiros de canhão configuram uma prática diplomática que remonta à tradição medieval.

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A "Salva de Gala" surgiu como uma forma de navios diplomáticos ou comerciais indicarem suas intenções pacíficas às cidades costeiras.Exército/Divulgação

Gun Salute

O disparo de canhões para saudar a chegada de autoridades, conhecido no resto do mundo como como gun salute e no Brasil como "salva de gala", remonta a uma tradição naval de origem britânica que se difundiu em cerimônias oficiais ao redor do mundo.

No século XIV, final da Idade Medieval, navios comerciais ou diplomáticos que se aproximavam das cidades costeiras inglesas deveriam descarregar seus canhões para indicar suas intenções pacíficas. Os exércitos da ilha, com maior oferta de pólvora, deveriam replicar o gesto com o triplo de disparos.

A prática se espalhou pela Europa e se remodelou ao longo de décadas. No século XVI, se consolidou a tradição em que o navio efetua sete disparos, e a cidade 21. Os salvos de canhão ganharam caráter simbólico, tornando-se uma forma de saudar a autoridade ou os comerciantes que se aproximam.

No caso do Congresso Nacional, a salva de gala serve para homenagear a chegada dos presidentes da República, do STF e do Congresso Nacional.

O número de disparos na salva de gala pode variar em diferentes cerimônias, a depender do cargo da autoridade hierarquicamente superior a ser recepcionada. A lista segue o padrão:

  • 21 tiros: presidente da República, chefe de Estado estrangeiro na sua chegada à capital federal, presidentes do Congresso e do STF.
  • 19 tiros: vice-presidente da República, ministros de Estado, embaixadores de nações estrangeiras, governadores. Também para almirante, marechal e marechal-do-ar e comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica;
  • 17 tiros: chefes dos Estados-Maiores de cada uma das Forças Armadas, almirante-de-esquadra, general-de-exército, tenente-brigadeiro, ministros plenipotenciários de nações estrangeiras, enviados especiais e ministros do Superior Tribunal Militar.
  • 15 tiros: vice-almirante, general-de-divisão, major-brigadeiro, ministros residentes de nações estrangeiras;
  • 13 tiros: contra-almirante, general-de-brigada, brigadeiro-do-ar e encarregado de negócios de nações estrangeiras.
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