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SOB NOVA DIREÇÃO
Congresso em Foco
5/2/2026 | Atualizado às 9:56
A Câmara dos Deputados já instalou e elegeu os presidentes de 22 das 30 comissões permanentes (veja abaixo a lista dos eleitos) até esta quarta-feira (4). As votações ocorreram de forma simbólica, resultado de um acordo entre os líderes partidários e o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), que manteve praticamente inalterado o controle dos colegiados em relação ao ano passado.
Pelo entendimento firmado, cada partido manteve as comissões que já comandava em 2025, cabendo às legendas apenas indicar o nome do deputado que assumiria a presidência em 2026. O acordo foi fechado para acelerar a instalação dos colegiados em um ano legislativo encurtado pelo calendário eleitoral e evitou a disputa tradicional pelo rateio das comissões, que costuma se arrastar por semanas.
Entre as comissões que ainda não elegeram presidente está a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), considerada a mais poderosa da Câmara por ser a porta de entrada de projetos e emendas constitucionais. O comando do colegiado caberá ao União Brasil, que deve indicar Leur Lomanto Jr. (BA) para a presidência.
Exceções ao acordo
Houve apenas uma mudança relevante no desenho original: uma troca pontual entre as comissões de Minas e Energia e de Agricultura e Pecuária. Pelo acerto, o PL ficou com Minas e Energia e cedeu a presidência da Agricultura ao PSD. Luiz Nishimori (PSD-PR) foi eleito presidente da Comissão de Agricultura, enquanto a de Minas e Energica ficou com Joaquim Passarinho (PL-PA).
Outra definição importante envolve a Comissão Mista de Orçamento (CMO), que alterna a presidência entre Câmara e Senado. Em 2026, o colegiado será comandado por um deputado do PSD. As indicações ainda não foram confirmadas.
Comissões ganham peso no orçamento
Além de analisar projetos e fiscalizar políticas públicas, as comissões ganharam protagonismo nos últimos anos por sua influência sobre o orçamento federal. Após a extinção das emendas de relator — o chamado "orçamento secreto" —, parte dos recursos foi redirecionada para as emendas de comissão.
Em 2022, essas emendas somavam R$ 329,4 milhões. Em 2023, o valor saltou para R$ 6,9 bilhões. Para 2026, o Congresso aprovou cerca de R$ 12 bilhões em recursos indicados por comissões, reforçando a relevância política dos colegiados e, consequentemente, da disputa por seus comandos.
Veja quem preside cada comissão já instalada
Comissão da Amazônia — Juliana Cardoso (PT-SP)
Comissão de Legislação Participativa — Dr. Frederico (PRD-MG)
Comissão de Defesa do Consumidor — Clodoaldo Magalhães (PV-PE)
Comissão de Administração e Serviço Público — Delegada Ione (Avante-MG)
Comissão de Agricultura e Pecuária — Luiz Nishimori (PSD-PR)
Comissão de Cultura — Carol Dartora (PT-PR)
Comissão de Direitos Humanos — Alice Portugal (PCdoB-BA)
Comissão de Comunicação — Maria Rosas (Republicanos-SP)
Comissão de Desenvolvimento Econômico — Jadyel Alencar (Republicanos-PI)
Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência — Rodrigo Rollemberg (PSB-DF)
Comissão do Esporte — Saulo Pedroso (PSD-SP)
Comissão de Desenvolvimento Urbano — Keniston Braga (MDB-PA)
Comissão de Previdência, Assistência Social, Infância e Família — Bruno Ganem (Podemos-SP)
Comissão de Integração Nacional e Desenvolvimento Regional — Moses Rodrigues (União-CE)
Comissão de Turismo — Daniela Reinehr (PL-SC)
Comissão de Saúde — Giovani Cherini (PL-RS)
Comissão de Ciência, Tecnologia e Inovação — Átila Lira (PP-PI)
Comissão de Segurança Pública — Coronel Meira (PL-PE)
Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional — Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL-SP)
Comissão de Minas e Energia — Joaquim Passarinho (PL-PA)
Comissão de Trabalho — Max Lemos (PDT-RJ)
Comissão de Viação e Transportes — Claudio Cajado (PP-BA)
Com a maior parte das comissões já em funcionamento, a expectativa é que os colegiados passem a destravar projetos represados no início do ano e concentrem parte relevante do debate político e orçamentário de 2026, sobretudo em um cenário de campanha eleitoral antecipada.
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