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JUSTIÇA

"Viveu um momento de terror", diz advogada sobre assessora de Marielle que sobreviveu ao ataque

Defesa de Fernanda Chaves detalhou impactos pessoais e familiares do atentado que vitimou Marielle e Anderson.

Congresso em Foco

24/2/2026 17:59

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Única sobrevivente do ataque que matou a vereadora Marielle Franco (Psol) e o motorista Anderson Gomes, a jornalista e ex-assessora parlamentar Fernanda Chaves teve sua trajetória relembrada nesta terça-feira (24) na 1ª Turma do STF. O colegiado iniciou o julgamento da Ação Penal 2343, que apura a responsabilidade de acusados de planejar o duplo homicídio, ocorrido em março de 2018, no Rio de Janeiro, e a tentativa de homicídio contra Fernanda.

A advogada Maria Victoria Hernandez Lerner, que representa Fernanda, relatou aos ministros os desdobramentos do crime na vida da cliente. Segundo ela, o episódio levou a jornalista a deixar o Brasil e enfrentar dificuldades financeiras e familiares após o atentado. "No dia seguinte da morte da Marielle, todos os assessores foram desligados automaticamente. Então, sequer um salário da Câmara ela tinha", disse. "Ela recebeu um apoio, que foi muito importante naquele momento, da Anistia Internacional. Com esse apoio, conseguiu passar um período fora do Brasil."

A defesa destacou ainda os efeitos da mudança repentina na rotina da filha de Fernanda, que na época tinha seis anos.

"Rosa não apareceu mais para os amigos. Ela desapareceu da escola. Isso gera um impacto em toda a família, evidentemente. A mãe da Fernanda não sabia onde ela estaria, para onde ela foi asilada."

De acordo com a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), Fernanda só sobreviveu porque foi protegida pelo corpo de Marielle, que estava ao seu lado no carro atingido por 13 tiros. A tentativa de homicídio contra a assessora integra o escopo da ação penal. Os réus respondem por duplo homicídio qualificado e tentativa de homicídio contra Fernanda Chaves.

Respondem ao processo:

  • Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ);
  • João Francisco Brazão, conhecido como Chiquinho Brazão, ex-deputado federal;
  • Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro;
  • Ronald Paulo de Alves Pereira, ex-policial militar.

Leia Mais

Ao vivo: PGR pede condenação de acusados de matar Marielle e Anderson

O ex-assessor do TCE Robson Calixto Fonseca, conhecido como Peixe, responde por organização criminosa, acusado de atuar como intermediário entre os supostos mandantes e os executores.

Segundo a denúncia da PGR, os mandantes pretendiam eliminar todos os que estivessem com Marielle, para dificultar investigações. A acusação classifica o crime como motivado por razões torpes e vinculado à atuação dos réus em uma organização criminosa envolvida com milícias e grilagem na zona oeste do Rio.

Além das sessões realizadas nesta terça, o julgamento prossegue na quarta-feira (25), a partir das 9h. O Ministério Público pede a condenação dos acusados por duplo homicídio qualificado e tentativa de homicídio contra Fernanda Chaves.

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