Publicidade
Publicidade
Receba notícias do Congresso em Foco:
Dia Internacional da Mulher
Congresso em Foco
8/3/2026 7:00
39 anos depois da Assembleia Constituinte de 1987, a presença feminina no Congresso quase quadruplicou em números absolutos, mas continua a ocupar menos de um quinto das cadeiras.
O dado diverge da porcentagem populacional, visto que as mulheres representam pouco mais de 51%, segundo o Censo 2022. Também não é proporcional ao eleitorado feminino, porque as mulheres são 52,47% do total de eleitores, conforme números divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Com as eleições de 2022, 107 das 594 cadeiras reunidas na Câmara dos Deputados e no Senado passaram a ser ocupadas por mulheres. São 91 deputadas e 16 senadoras responsáveis por representar 104,5 milhões de mulheres, uma média pequena se comparada à representação global.
Segundo dados da União Interparlamentar e da ONU Mulheres, em 2025 o Brasil estava na 133ª posição no ranking mundial de participação feminina no Parlamento. Entre os países do G20, apresenta a segunda menor taxa de representatividade feminina no Legislativo, apenas o Japão possui menor participação feminina. O dado consta no Caderno Desigualdades, iniciativa do grupo.
Nomes históricos da política feminina
A primeira mulher foi eleita à Câmara dos Deputados, em 1933. Carlota Pereira de Queirós manteve o cargo em novo pleito, que ocorreu após a promulgação da Constituição de 1934.
Já no mandato seguinte, uma segunda mulher chegou a ocupar posição de destaque na Câmara. Foi Bertha Lutz, que tomou posse após a morte do deputado Cândido Pessoa em 1936. Seu mandato foi interrompido pelo Estado Novo, quando Getúlio Vargas dissolveu o Congresso.
Bertha Lutz, hoje conhecida como ativista do feminismo, foi também uma das idealizadoras da Federação Brasileira para o Progresso Feminino, frente responsável por luta pela concessão do direito ao voto às mulheres.
Mesmo com o Parlamento reaberto desde 1946, uma mulher só voltou à Câmara em 1950. Era a sobrinha de Vargas, Ivete Vargas. Em 1954, foi a vez de Nita Costa e, em 1962, Necy Novaes foi eleita. Durante os pleitos seguintes, o número não avançou, ou uma mulher era eleita, ou nenhuma.
Nas eleições de 1978, a mudança de pensamento popular começou a transparecer: quatro deputadas. O mesmo pleito trouxe a primeira ao Senado Federal. a professora Eunice Michiles tomou posse após a morte de um titular representante do Amazonas.
No mandato seguinte, o número de deputadas federais dobrou, com a marca de oito mulheres eleitas. No Senado, a morte de outro senador levou mais uma mulher à Casa. Era a médica Laélia de Alcântara, que representava o Estado do Acre.
Lobby do batom
O ponto de partida para a participação feminina expressiva no Parlamento é a Assembleia Constituinte. Em 1987, 26 mulheres tomaram posse entre os 559 deputados e senadores escolhidos para elaborar a Constituição Federal, cerca de 5%.
Essas mulheres ficariam conhecidas como o "lobby do batom", articulação suprapartidária que atuou para incluir na Constituição direitos civis, sociais e trabalhistas para as mulheres. Entre os benefícios conquistados estão a licença-maternidade de 120 dias e a igualdade entre homens e mulheres no casamento.
No Senado, o cenário era ainda mais duro. Depois de Eunice Michiles, o período da Constituinte chegou a registrar uma legislatura inteira sem nenhuma mulher. A partir da legislatura seguinte, o número passou a crescer de forma constante, com registro de mulheres em todos os mandatos até hoje.
A legislatura atual apresenta o maior número de mulheres na Casa, com 20% dos senadores. A representação feminina é superior a um décimo desde 2023, quando foram registradas oito senadoras.
O mesmo ocorreu na Câmara. A porcentagem cresceu de forma lenta entre 1991 e 2015, quando a participação feminina chegou próxima de 10%. Em 2018, houve o maior avanço, de 9,9% para 15%. Hoje, 17,7% dos deputados são mulheres.
Embora em números absolutos a Câmara tenha mais mulheres, proporcionalmente o Senado foi mais feminino em todos os mandatos desde 1999. A exceção é a legislatura iniciada em 2019, quando as duas Casas registraram 15%.
Ao longo dos anos, todos os Estados brasileiros já elegeram mulheres ao Senado, mas Santa Catarina e o Acre se destacam pelo maior número: foram seis senadoras eleitas em cada. Na sequência, Mato Grosso e o Rio Grande do Norte aparecem com cinco representantes. Alagoas, Ceará, Maranhão, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Sergipe e Tocantins já elegeram quatro.
Negativamente, Pernambuco se destaca. A primeira mulher eleita pelo Estado foi a senadora Teresa Leitão (PT-PE), em 2023. Amapá, Bahia e Rio de Janeiro também só elegeram uma mulher para o Senado desde 1986.
O levantamento não considera reeleição, mas das senadoras eleitas até hoje, sete se reelegeram. A recordista é Maria do Carmo Alves, por Sergipe, que completou três mandatos como senadora.
Na Câmara dos Deputados, o Amapá se destaca como Estado com maior número de deputadas eleitas de forma proporcional. Dos deputados eleitos ao longo das dez legislaturas desde a Constituinte, 32,9% são mulheres no Estado. O Acre fica em segundo lugar, com 30%, seguido pelo Espírito Santo, com 25%.
Em contraste, os três Estados a elegerem menos mulheres proporcionalmente estão no Nordeste. Sergipe elegeu somente 3,8% de participação feminina na Câmara, enquanto a Paraíba possui 4,2% e Pernambuco, 4,8%.
LEIA MAIS
Proteção às Mulheres
Projeto prevê recursos para abrigos de mulheres vítimas de violência
Trabalho Invisível
Tatto propõe regulamentação do trabalho de distribuidor de folhetos
Advocacia Pública
Projeto autoriza servidores a advogarem fora do horário de trabalho