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Cultura
Congresso em Foco
15/3/2026 16:00
Neste domingo (15), acontece a 98ª edição do Oscar, realizada no Dolby Theater, em Los Angeles (EUA). Este é o segundo ano consecutivo em que o Brasil será representado na principal categoria da premiação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. Em 2026, o país disputa a estatueta de melhor filme com O Agente Secreto (2025), dirigido por Kleber Mendonça Filho. No ano anterior, o Brasil concorreu ao prêmio máximo com Ainda Estou Aqui (2024), de Walter Salles.
Para além do reconhecimento internacional e do sucesso de crítica, outro elemento aproxima os dois longas: ambos dialogam diretamente com aspectos centrais da política brasileira. As duas produções abordam temas ligados ao funcionamento do Estado, às relações entre indivíduos e instituições e aos impactos de períodos autoritários na sociedade brasileira.
O longa Ainda Estou Aqui, baseado no livro de Marcelo Rubens Paiva, reconstrói a trajetória da família do ex-deputado Rubens Paiva, desaparecido durante a ditadura militar. O filme acompanha sobretudo a luta de Eunice Paiva para compreender o destino do marido e manter a família diante das consequências da repressão estatal. Ao retratar o desaparecimento forçado de um parlamentar e a busca por respostas ao longo dos anos, a obra dialoga com debates sobre memória histórica, responsabilidade do Estado e os efeitos da violência política durante o regime militar.
Já O Agente Secreto, ambientado no final da década de 1970, aborda o funcionamento das estruturas estatais durante o período autoritário. A narrativa acompanha personagens inseridos em ambientes institucionais marcados por hierarquia, protocolos e divisão de responsabilidades. O poder aparece menos associado a figuras individuais e mais ao funcionamento de uma engrenagem administrativa, na qual decisões são tomadas em níveis superiores e executadas por diferentes agentes ao longo da cadeia de comando. A obra também explora a centralidade da segurança e da vigilância como princípios organizadores da atuação estatal naquele contexto.
Mas essas não foram as únicas produções nacionais que levaram a política brasileira para o centro da narrativa e alcançaram o reconhecimento do Oscar. Ao longo das décadas, outros filmes indicados ao Oscar também exploraram episódios, conflitos e debates políticos do país.
O Pagador de Promessas
Lançado em 1962 e dirigido por Anselmo Duarte, O Pagador de Promessas tornou-se o primeiro filme brasileiro a conquistar a Palma de Ouro no Festival de Cannes e também foi indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro. A trama acompanha Zé do Burro, um homem simples do interior que percorre quilômetros carregando uma cruz para cumprir uma promessa. Ao chegar a Salvador, ele é impedido de entrar na igreja para finalizar o ritual, pois a promessa havia sido feita em um terreiro de candomblé.
A partir desse conflito, o filme aborda temas sociais e políticos relevantes para o Brasil da época. A história expõe tensões entre religião institucional e religiosidade popular, além de retratar desigualdades sociais e debates ligados à concentração de terras. Em determinado momento, a promessa do personagem de dividir suas terras com trabalhadores pobres passa a ser interpretada por setores da imprensa como um gesto político ligado à reforma agrária, um tema que marcava intensos embates no país nos anos que antecederam o golpe militar de 1964.
O Que É Isso, Companheiro?
Indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro em 1998, O Que É Isso, Companheiro?, dirigido por Bruno Barreto, revisita um dos episódios mais emblemáticos da resistência à ditadura militar. Baseado no livro homônimo do jornalista Fernando Gabeira, o filme retrata o sequestro do embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Charles Burke Elbrick, realizado em 1969 por integrantes de organizações de esquerda que atuavam na luta armada contra o regime.
A narrativa acompanha jovens militantes que participam da ação com o objetivo de pressionar o governo militar a libertar presos políticos. O episódio real, que terminou com a troca do diplomata por militantes encarcerados, tornou-se um marco da história política do período e ilustra tanto a radicalização da oposição ao regime quanto o ambiente de repressão, censura e perseguição política característico daqueles anos.
Democracia em Vertigem
Mais recentemente, o documentário Democracia em Vertigem, dirigido por Petra Costa, foi indicado ao Oscar de melhor documentário em 2020. O filme apresenta uma leitura pessoal da crise política brasileira que marcou a década de 2010.
A obra acompanha eventos como as manifestações de 2013, a Operação Lava Jato, o processo de impeachment da então presidente Dilma Rousseff (PT) em 2016 e a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ao entrelaçar a trajetória política do país com memórias familiares da diretora, o documentário discute os processos de polarização política, a instabilidade institucional e os desafios enfrentados pela democracia brasileira no período recente.
A cerimônia
A 98ª edição do Oscar será realizada neste domingo (15). No Brasil, o público poderá acompanhar a premiação ao vivo a partir das 21h (horário de Brasília) pela TNT, na TV fechada, pela plataforma de streaming HBO Max e pela TV Globo, após o Fantástico. A cobertura do tapete vermelho começa mais cedo, às 18h30.
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