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DANÇA DAS CADEIRAS

Lula define 14 novos ministros; veja o perfil de cada um

Presidente aposta em secretários-executivos e quadros da casa para substituir ministros que deixam o governo de olho nas eleições de outubro.

Congresso em Foco

31/3/2026 | Atualizado às 16:18

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A Secretaria de Comunicação Social da Presidência divulgou nesta terça-feira (31) os nomes de 14 novos ministros que vão assumir os comandos das pastas esvaziadas pela saída de titulares que disputarão as eleições de outubro. As trocas confirmam a opção do presidente Lula por soluções internas em boa parte da Esplanada, com a promoção de secretários-executivos e nomes já integrados ao núcleo de confiança de cada ministério. A estratégia busca preservar a continuidade administrativa no último trecho do calendário eleitoral e reduzir o impacto político das substituições em áreas consideradas sensíveis do governo.

Algumas pastas importantes, como a de Relações Institucionais e a de Desenvolvimento, Indústria e Comércio, ainda não tiveram seus titulares confirmados. Entre 16 e 18 ministros devem deixar o governo Lula para disputar as eleições de outubro. O prazo para a chamada desincompatibilização termina no próximo sábado (4).

Lula em reunião ministerial nesta terça-feira (31): presidente troca quase metade de seus auxiliares diretos.

Lula em reunião ministerial nesta terça-feira (31): presidente troca quase metade de seus auxiliares diretos.Ricardo Stuckert/PR

Número 2

Entre os novos ministros, 12 são secretários-executivos que serão promovidos. As exceções são André de Paula, atual titular da Pesca, que assumirá a pasta da Agricultura, e Bruno Moretti, secretário especial da Casa Civil, que comandará o Planejamento.

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Com a estratégia, já utilizada por outros governos, Lula tenta evitar guerra por cargos entre partidos da base, preservar a continuidade administrativa e manter a máquina funcionando enquanto os titulares viram candidatos.

O movimento já começou pela Fazenda, onde Dario Durigan assumiu o lugar de Fernando Haddad em 26 de março. Durigan, que foi secretário-executivo de Haddad e assessor dele na prefeitura de São Paulo, é visto pelo presidente Lula como um quadro de confiança, com perfil técnico-político e habilidade para negociar tanto com o mercado quanto com o Congresso.

A escolha não é casual. Em geral, o secretário-executivo é o número 2 do ministério e o responsável por tocar o funcionamento cotidiano da pasta. Enquanto o ministro concentra a face política do cargo — interlocução com o presidente, Congresso e sociedade —, o secretário-executivo coordena a engrenagem administrativa. Por isso, costuma ser o nome mais natural quando o governo quer trocar o comando sem desmontar a operação.

A seguir, o perfil dos novos ministros, por ordem alfabética:

André de Paula — Agricultura

Ministro da Pesca desde janeiro de 2023, André de Paula (PSD-PE) é um político de longa trajetória no Congresso e um dos quadros mais experientes do partido. Ex-deputado federal por Pernambuco, acumulou mais de 20 anos de atuação na Câmara, onde foi líder da bancada do PSD, líder da Minoria e integrante da Mesa Diretora. Antes de chegar a Brasília, também foi vereador do Recife e deputado estadual. Substitui Carlos Fávaro (PSD), que disputará o Senado.

Antônio Vladimir Moura Lima — Cidades

Servidor da carreira de analista de infraestrutura, Antônio Vladimir construiu a trajetória longe dos holofotes e perto da engrenagem técnica do governo. Hoje secretário-executivo adjunto e substituto no Ministério das Cidades, acumulou funções na área urbana e passou também pelo extinto Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR). Engenheiro civil, com formação complementar em gestão orçamentária e desenvolvimento territorial, traz no currículo passagens por Petrobras e Braskem. Substitui Jader Filho (MDB), que disputará a Câmara.

Bruno Moretti — Planejamento

Bruno Moretti ocupa função estratégica no Palácio do Planalto, como secretário especial de Análise Governamental da Casa Civil. Sociólogo formado pela UnB e com estágio pós-doutoral na mesma universidade, ele é um quadro de perfil nitidamente técnico, ligado ao acompanhamento de políticas públicas e à avaliação da ação governamental. Seu nome não carrega densidade eleitoral nem trajetória partidária, mas tem peso dentro da engrenagem de formulação do governo. Substitui Simone Tebet (PSB), que concorrerá ao Senado.

Diego Galdino de Araujo — Esporte

Atual secretário-executivo do Ministério do Esporte, Diego Galdino chega à lista dos anunciados como um nome de perfil administrativo e de confiança interna da pasta. Advogado, ele assumiu a secretaria-executiva em 2024 e passou a ocupar posição central na coordenação da máquina ministerial, funcionando como braço operacional do comando político de André Fufuca. Substitui André Fufuca (PP), que disputará o Senado.

Eloy Terena — Povos Indígenas

Um dos principais nomes indígenas com atuação jurídica e política no país, Eloy Terena é o atual secretário-executivo do Ministério dos Povos Indígenas. Ele construiu a trajetória como advogado da Apib em ações no STF, na Corte Interamericana de Direitos Humanos e no Tribunal Penal Internacional, além de acumular pós-doutorado em ciências sociais na França. É visto como formulador e voz política da pauta indígena. Substitui Sonia Guajajara (Psol), que concorrerá à Câmara.

Fernanda Machiaveli — Desenvolvimento Agrário

Uma das formuladoras da reconstrução da agenda de agricultura familiar no terceiro governo Lula, Fernanda Machiaveli é secretária-executiva do MDA e integrante da carreira de especialista em políticas públicas e gestão governamental. Ela reúne formação em Ciências Sociais, mestrado em Ciência Política pela USP e passagem acadêmica por Harvard. Dentro do governo, já atuou também na Secretaria-Geral da Presidência, sempre em postos de bastidor ligados à formulação e coordenação. Substitui Paulo Teixeira (PT), que concorrerá à Câmara.

George Santoro — Transportes

George Santoro é visto como um nome de perfil gerencial, com formação em Direito, administração pública, contabilidade e economia empresarial. Secretário-executivo do Ministério dos Transportes, chegou ao posto em 2023 e desde então se tornou uma das vozes da pasta em concessões, logística e infraestrutura resiliente. Seu currículo também inclui experiência em conselhos de administração, governança, compliance e finanças públicas. Substitui Renan Filho (MDB), que disputará o governo de Alagoas.

Janine Mello dos Santos — Direitos Humanos

Cientista política formada pela UnB, mestre em Ciência Política e doutora em Sociologia Política pela mesma universidade, Janine Mello dos Santos ocupa a secretaria-executiva do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania desde 2024. Na administração pública federal desde 2007, passou por programas como o Brasil sem Miséria, o PAC e o Territórios da Cidadania, sempre em funções ligadas à formulação, coordenação e monitoramento de políticas públicas. Substitui Macaé Evaristo, que concorrerá a uma vaga na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.

João Paulo Capobianco — Meio Ambiente

Um dos nomes mais associados à formulação da agenda socioambiental no país, João Paulo Capobianco é uma das figuras mais próximas de Marina Silva. Secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente, ele combina formação acadêmica robusta — com doutorado em Ciência Ambiental e graduação em Ciências Biológicas — com trajetória prática na governança ambiental. Sua presença no segundo posto da pasta o transformou em um dos principais operadores da política ambiental do governo. Substitui Marina Silva (Rede), que pode disputar o Senado ou a Câmara.

Leonardo Barchini — Educação

Atual secretário-executivo da pasta, Leonardo Barchini conhece o MEC por dentro e por fora. É servidor federal há mais de 30 anos, analista sênior em Ciência e Tecnologia da Capes e já ocupou no ministério funções como chefe de gabinete, chefe da Assessoria Internacional e diretor de programas. Fora do MEC, também passou pela Prefeitura de São Paulo, onde foi secretário de Relações Internacionais e Federativas e chefe de gabinete do prefeito. Substitui Camilo Santana (PT), que pode concorrer ao governo do Ceará ou se dedicar à articulação da campanha de Lula à reeleição.

Miriam Belchior — Casa Civil

Nome histórico do núcleo técnico e político dos governos petistas, a atual secretária-executiva da Casa Civil foi ministra do Planejamento no governo Dilma Rousseff e também presidiu a Caixa Econômica Federal. Filiada ao PT desde 1981, também ocupou funções centrais na montagem e no acompanhamento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Com passagem pela Prefeitura de Santo André e forte associação à área de gestão pública, ela reúne experiência em planejamento, orçamento e execução de obras. Substitui Rui Costa (PT), candidato ao Senado.

Rachel Barros de Oliveira — Igualdade Racial

Atual secretária-executiva do Ministério da Igualdade Racial, Rachel Barros de Oliveira construiu uma trajetória ligada à participação social, à reforma urbana, à educação popular e a temas como juventude, gênero e questão étnico-racial. Seu currículo aponta experiência em democracia participativa, mobilização social e justiça ambiental, combinação que a aproxima do perfil político-técnico da pasta hoje comandada por Anielle Franco (PT), que deixa o governo para se candidatar à Câmara.

Rivetla Édipolo Cruz — Pesca

Com trajetória diretamente ligada à área pesqueira, Rivetla Édipolo Cruz é doutor em Ecologia Aquática e Pesca pela UFPA. Secretário-executivo da pasta, fez carreira em funções voltadas ao ordenamento e ao desenvolvimento sustentável da pesca continental, industrial, amadora e esportiva. Sua experiência passou por estruturas do Ministério da Agricultura e por órgãos regionais da área agropecuária na Amazônia. Substitui André de Paula, que assume o Ministério da Agricultura.

Tomé França — Portos e Aeroportos

Secretário-executivo de Portos e Aeroportos, Tomé França ganhou espaço na Esplanada como gestor de perfil administrativo, com trânsito por áreas de infraestrutura, mobilidade e articulação política. Foi secretário nacional de Aviação Civil e acumulou experiências em Pernambuco e no Recife, além de passagens por assessorias no Congresso e no Judiciário trabalhista. Sua trajetória mistura burocracia federal e administração local, com forte aderência à área logística. Substitui Silvio Costa Filho (Republicanos), que disputará o Senado.

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