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ELEIÇÕES 2026
Congresso em Foco
2/4/2026 7:00
A eleição de 2026 já movimenta o Senado bem antes do início oficial da campanha. Levantamento do Congresso em Foco com base em 85 senadores mapeados — entre titulares em exercício, suplentes que ocupam cadeiras e licenciados que devem reassumir o mandato — mostra que 60 têm ou discutem algum projeto eleitoral para outubro. Desse total, 49 já aparecem com pré-candidatura definida.
Segundo o levantamento, 34 planejam disputar a reeleição, 11 miram os governos estaduais e outros cinco ainda avaliam entrar na corrida aos Executivos locais. Além deles, dois pretendem disputar vaga na Câmara dos Deputados, uma senadora mira a Assembleia Legislativa e Flávio Bolsonaro é o único pré-candidato à Presidência da República. Os demais ainda estão indecisos entre disputar a reeleição, buscar outro cargo ou abrir mão da corrida eleitoral.
Outros 25 não devem disputar cargo algum em 2026. Desse grupo, apenas seis ficarão sem mandato. Os demais ainda têm mais quatro anos de Senado pela frente.
Entre os que podem entrar na disputa, os governistas são maioria, com 27 nomes, à frente da oposição, com 22, e dos independentes, com 11. No plano partidário, os grupos com mais senadores no radar eleitoral são PL e PSD, com 10 nomes cada, seguidos por MDB, com 9, PT, com 6, e Podemos, com 5. O retrato ajuda a dimensionar a disputa pela futura composição da Casa. Em 2026, estarão em jogo 54 das 81 cadeiras do Senado.
Reeleição segue como destino principal
O principal projeto dos senadores continua sendo permanecer onde estão. Dos 60 nomes com algum plano eleitoral, 34 têm a reeleição como objetivo central. O segundo bloco mais numeroso é o dos que miram os governos estaduais: 11 já aparecem diretamente como candidatos a governador, além de 4 que mantêm esse movimento em aberto.
Quem pode perder sem sair do Senado
A disputa não impõe o mesmo risco a todos. Entre os senadores que estão no meio do mandato, 11 devem concorrer em 2026. É o caso de nomes como Alan Rick, Omar Aziz, Cleitinho, Efraim Filho, Wellington Fagundes, Sergio Moro, Wilder Morais e Professora Dorinha Seabra. Se forem derrotados, todos poderão voltar ao Senado e cumprir o restante do mandato.
A vantagem é relevante. Enquanto esse grupo pode testar candidaturas sem abrir mão da cadeira, os senadores em fim de mandato dependem diretamente do resultado das urnas para continuar com mandato político.
Outros cargos também entram no mapa
Embora a reeleição concentre a maior parte dos movimentos, o levantamento mostra que a ambição eleitoral vai além do Senado. Flávio Bolsonaro aparece como pré-candidato à Presidência. Carlos Portinho e Roberta Acioly são citados como nomes para a Câmara dos Deputados. Mara Gabrilli deve concorrer a uma vaga na Assembleia Legislativa de São Paulo. Tereza Cristina aparece como possibilidade para compor uma chapa presidencial como vice.
Esses movimentos reforçam o papel do Senado como vitrine política e ponto de partida para outros projetos de poder.
Indefinição ainda trava parte do tabuleiro
Apesar do alto número de nomes já associados à disputa, o quadro está longe de fechado. Entre os senadores listados como indefinidos estão Dra. Eudócia, Cid Gomes, Flávio Arns, Ivete da Silveira e Giordano. Eles ainda não definiram se disputarão a reeleição ou outro cargo. Há ainda casos em aberto com viés majoritário, como Camilo Santana, Izalci Lucas, Cleitinho e Rodrigo Pacheco, apontados como possíveis candidatos a governador, mas sem definição consolidada.
Em vários Estados, a corrida ao Senado ainda depende da montagem das chapas para o Executivo local e das negociações partidárias em curso.
Quem está deixando a cena
Se parte da Casa já se movimenta para a próxima eleição, outra parte dá sinais de saída. Entre os senadores em fim de mandato, seis aparecem fora de qualquer corrida em 2026, sem disputar reeleição nem outro cargo: Jorge Kajuru, Jader Barbalho, Daniella Ribeiro, Oriovisto Guimarães, Luis Carlos Heinze e Paulo Paim. Dos seis, cinco já anunciaram que não pretendem disputar novos cargos públicos. Daniella Ribeiro, por sua vez, abriu mão da candidatura para apoiar a eleição do filho, Lucas Ribeiro (PP), ao governo da Paraíba.
Por que o Senado virou prioridade
A disputa pela Casa ganhou centralidade porque o Senado ocupa um dos pontos mais estratégicos do sistema político. É ali que passam indicações do Executivo para tribunais superiores, agências reguladoras, Banco Central, embaixadas e outros cargos de alto escalão. Também cabe ao Senado abrir, processar e julgar pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal.
A preocupação dos aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é evidente. Entre os 54 senadores que terão a cadeira submetida ao teste das urnas, 27 são alinhados ao governo, 16 são de oposição e 11 se colocam como independentes. O dado mostra que a disputa tende a ser especialmente sensível para o Planalto. Já a oposição aposta na renovação das cadeiras para ampliar espaço e tentar formar maioria na Casa.
O retrato final é o de um Senado já em clima de pré-campanha. A Casa aparece, ao mesmo tempo, como destino de quem quer preservar espaço nacional, trampolim para projetos estaduais e trincheira decisiva na disputa entre governistas e oposicionistas. Em 2026, a eleição para o Senado tende a ser menos uma disputa paralela e mais uma das batalhas centrais da política brasileira.
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