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BANCO MASTER

Master tinha crise de liquidez desde janeiro de 2025, diz Galípolo

Presidente do Banco Central afirmou à CPI do Crime Organizado que deterioração financeira da instituição antecede a liquidação extrajudicial decretada pela autoridade monetária.

Congresso em Foco

8/4/2026 | Atualizado às 14:12

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O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta quarta-feira (8), em depoimento à CPI do Crime Organizado do Senado, que o Banco Master já apresentava problemas de liquidez desde janeiro de 2025 e que a venda de novas carteiras pela instituição chamou a atenção da fiscalização da autarquia ainda no início do ano. Segundo ele, o movimento era incomum e levou o BC a abrir um grupo de trabalho para analisar as operações, em investigação que chegou à presidência do banco em março.

Galípolo: no dia da liquidação, caixa do Master equivalia a apenas 10% do valor que precisava honrar naquela data.

Galípolo: no dia da liquidação, caixa do Master equivalia a apenas 10% do valor que precisava honrar naquela data.Saulo Cruz/Agência Senado

Galípolo foi ouvido como convidado para esclarecer a atuação do Banco Central no caso Master e responder a questionamentos sobre sua relação institucional com o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono da instituição. O presidente do BC disse que agiu de forma estritamente técnica e afirmou ter recebido a orientação de "não proteger ninguém" nem fazer "pirotecnia" no tratamento do caso. Também negou ter realizado outras reuniões sobre o tema além da que já havia se tornado pública.

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Na audiência, Galípolo detalhou o diagnóstico traçado pela autoridade monetária sobre o banco. Segundo ele, o BC considerou pouco usual que o Master comprasse ou constituísse novos ativos para depois vendê-los em busca de liquidez. O chefe da autarquia também relatou que uma sindicância interna identificou indícios de favorecimento indevido aos servidores afastados Paulo Souza e Belline Santana, ambos suspeitos de atuar em benefício de Vorcaro.

Galípolo ainda defendeu a atuação do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), afirmando que o pagamento de CDBs vincendos foi correto para permitir o esgotamento das alternativas de mercado antes da liquidação da instituição. Segundo ele, o dia da liquidação, o caixa do banco equivalia a apenas 10% do valor que precisava honrar naquela data. O presidente do BC acrescentou que a autarquia nunca chegou a conhecer os supostos investidores árabes mencionados pelo Master durante a tentativa de sobrevivência da instituição.

O chefe da autoridade monetária também sustentou que o sigilo de oito anos imposto sobre informações da liquidação do Master segue regra em vigor desde 2018 e disse que, no caso, o BC optou por seguir o rito "mais estrito possível" para evitar questionamentos futuros. Aproveitou ainda a audiência para pedir apoio à PEC 65, que amplia a autonomia administrativa e financeira da autarquia. Segundo ele, o BC perdeu quase 25% do quadro de servidores em dez anos e precisa de mais recursos para investir em tecnologia e melhorar a supervisão do sistema financeiro.

A reunião desta quarta também foi marcada por uma nova ausência do ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto, que, segundo as informações levadas à comissão, faltou pela terceira vez ao colegiado. A CPI tentava ouvi-lo sobre o Banco Master, mas concentrou a audiência nos esclarecimentos prestados por Galípolo.

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