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RELAÇÕES INTERNACIONAIS
Congresso em Foco
4/5/2026 | Atualizado às 13:53
O presidente Lula embarca nesta quarta-feira (6) para Washington, onde deve ter uma reunião oficial com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na quinta-feira (7). O encontro é tratado pela diplomacia brasileira como uma etapa importante para normalizar as relações entre os dois países, marcadas nos últimos meses por divergências comerciais, tensão diplomática e disputas em torno de temas de segurança.
A agenda ocorre em um momento politicamente sensível para Lula. Na semana passada, o governo sofreu duas derrotas no Congresso: a rejeição da indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF) e a derrubada do veto presidencial ao PL da Dosimetria. Nesse contexto, a visita aos Estados Unidos é vista por aliados como uma oportunidade para o presidente reforçar sua imagem no cenário internacional.
Encontro negociado desde janeiro
A reunião entre Lula e Trump vem sendo articulada desde janeiro, quando os dois presidentes conversaram por telefone por cerca de 50 minutos. Na ocasião, ambos manifestaram disposição de se encontrar pessoalmente para discutir divergências de forma direta.
Lula chegou a dizer que queria tratar dos temas bilaterais "olho no olho" com Trump. A expectativa inicial era que a visita ocorresse em março, mas a definição da agenda foi adiada em razão do agravamento das tensões no Oriente Médio, envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.
Desde então, a relação entre os dois presidentes oscilou. Lula fez críticas a Trump após ataques dos Estados Unidos ao Irã, mas, mais recentemente, manifestou solidariedade ao presidente norte-americano depois de ele ter sido alvo de um atentado durante um jantar dos correspondentes em Washington.
Tarifas, segurança e minerais críticos
A pauta econômica deve ocupar espaço central na conversa. O governo brasileiro quer discutir o chamado "tarifaço" imposto por Trump a produtos nacionais e buscar caminhos para reduzir os impactos sobre exportadores brasileiros.
Outro tema considerado estratégico é a cooperação em torno de minerais críticos e terras raras. O Brasil tem reservas relevantes desses insumos, usados em setores como tecnologia, energia limpa, defesa e indústria de ponta. O interesse norte-americano no tema cresceu em meio à disputa global por cadeias produtivas menos dependentes da China.
A área de segurança pública também deve entrar na pauta. Brasil e Estados Unidos vêm discutindo formas de ampliar a cooperação no combate ao crime organizado e à lavagem de dinheiro. O governo brasileiro, porém, tenta evitar que Washington inclua facções como o Comando Vermelho e o PCC na lista de organizações terroristas internacionais, medida considerada sensível por Brasília.
Caso Ramagem elevou a tensão
A viagem ocorre pouco depois de um impasse diplomático envolvendo o ex-deputado cassado Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Ele foi detido em 13 de abril pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos e solto dois dias depois.
Ramagem deixou o Brasil em setembro do ano passado, dias antes de ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal no caso da trama golpista. Desde então, vive nos Estados Unidos, onde pediu asilo. A solicitação ainda não foi concluída.
Após a prisão, o governo Trump determinou que o delegado brasileiro que atuou junto às autoridades norte-americanas deixasse o país. A Polícia Federal e o Itamaraty não foram informados previamente da decisão. Em resposta, o governo brasileiro retirou as credenciais de um colaborador norte-americano e determinou seu retorno aos Estados Unidos. Um segundo policial dos EUA chegou a ter as credenciais suspensas, mas a medida foi revertida dias depois.
Venezuela também deve entrar na conversa
A situação da Venezuela é outro tema previsto para a reunião. O assunto costuma gerar divergências entre Brasília e Washington, especialmente em relação à forma de lidar com o governo de Nicolás Maduro e com a crise política venezuelana.
Lula tem defendido que conflitos regionais sejam tratados por meio do diálogo e da negociação diplomática. Trump, por sua vez, adota uma postura mais dura em relação ao regime venezuelano e costuma associar o tema à agenda de segurança regional.
Para o governo brasileiro, o encontro em Washington tem importância política e simbólica. Além de tratar de interesses econômicos e estratégicos, Lula tenta demonstrar capacidade de articulação internacional em um momento de dificuldades na relação com o Congresso.
A reunião com Trump será, portanto, um teste para a diplomacia brasileira. O resultado poderá indicar se os dois governos conseguirão reduzir tensões acumuladas nos últimos meses ou se as divergências em comércio, segurança e política externa continuarão pesando sobre a relação entre Brasil e Estados Unidos.
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