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CORRUPÇÃO
Congresso em Foco
5/5/2026 | Atualizado às 9:19
O deputado estadual Thiago Rangel (Avante-RJ) foi preso pela Polícia Federal na manhã desta terça-feira (5), no Rio de Janeiro, durante a quarta fase da Operação Unha e Carne. A nova etapa da investigação mira suspeitas de fraudes em compras de materiais e contratações de serviços, como obras de reforma, no âmbito da Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro.
Ao todo, os agentes foram às ruas para cumprir sete mandados de prisão preventiva e 23 mandados de busca e apreensão. As ordens foram expedidas pelo Supremo Tribunal Federal e são cumpridas na capital fluminense e nos municípios de Campos dos Goytacazes, Miracema e Bom Jesus do Itabapoana.
O que a PF investiga
Segundo a Polícia Federal, a operação busca desarticular uma organização criminosa suspeita de atuar em fraudes em procedimentos de compra de materiais e contratação de serviços dentro da rede estadual de ensino. A suspeita central é que contratos de escolas estaduais tenham sido direcionados para empresas previamente escolhidas e vinculadas ao grupo investigado.
As contratações sob suspeita envolvem unidades ligadas à Diretoria Regional Noroeste da Secretaria de Educação. De acordo com a PF, essa área seria uma zona de influência política de Thiago Rangel.
Os investigados podem responder por organização criminosa, peculato, fraude à licitação e lavagem de dinheiro.
O esquema
A investigação aponta que, depois de receberem recursos públicos, sócios ou procuradores das empresas envolvidas faziam saques em dinheiro. Em seguida, segundo a PF, os valores eram depositados ou transferidos para empresas ligadas diretamente a integrantes do grupo.
Ainda de acordo com a apuração, parte dos recursos desviados teria sido misturada a dinheiro de origem lícita em contas bancárias de uma rede de postos de combustíveis administrada pelo líder da organização criminosa.
Por que a operação chegou a Rangel
A quarta fase da Unha e Carne é um desdobramento de apurações anteriores. Segundo a PF, os novos elementos surgiram a partir da análise de mídias apreendidas na primeira fase da operação, deflagrada para investigar o vazamento de informações sigilosas por agentes públicos.
Conteúdos extraídos do celular de Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, levaram a esse novo desdobramento da investigação.
Ligação com o caso Bacellar e TH Joias
A Operação Unha e Carne começou em dezembro de 2025, quando a Polícia Federal apurava o vazamento de informações sigilosas que teriam comprometido a Operação Zargun, ação contra o Comando Vermelho no Rio. Na primeira fase, a PF cumpriu um mandado de prisão preventiva, oito de busca e apreensão e um de intimação para medidas cautelares, todos expedidos pelo STF.
Naquela etapa, o alvo principal foi Rodrigo Bacellar, então presidente da Alerj. Segundo a investigação, o vazamento teria beneficiado o ex-deputado Thiego Raimundo de Oliveira Santos, conhecido como TH Joias, apontado como articulador político da facção criminosa.
A segunda fase, deflagrada em 16 de dezembro de 2025, investigou a atuação de agentes públicos no vazamento de informações sigilosas relacionadas à Operação Zargun. Na ocasião, a PF cumpriu um mandado de prisão preventiva e dez de busca e apreensão no Rio de Janeiro e no Espírito Santo.
A terceira fase ocorreu em 27 de março de 2026, em Teresópolis, na Região Serrana do Rio. A PF informou que cumpriu um mandado de prisão preventiva e um de busca e apreensão contra investigado acusado de vazar informações sigilosas e obstruir a Operação Zargun.
Investigação também envolve a ADPF das Favelas
As fases anteriores da Unha e Carne foram relacionadas pela Polícia Federal ao contexto da ADPF 635, conhecida como ADPF das Favelas. A ação, em tramitação no Supremo Tribunal Federal, trata de parâmetros para operações policiais e políticas de segurança pública no Rio de Janeiro.
Segundo a PF, as diligências fazem parte das determinações do STF para investigar a atuação dos principais grupos criminosos violentos no estado e suas conexões com agentes públicos.
Nova etapa muda foco da apuração
Diferentemente das fases anteriores, centradas no vazamento de informações sigilosas e na suspeita de proteção institucional ao crime organizado, a etapa desta terça-feira amplia o alcance da investigação para possíveis fraudes em contratos públicos da Educação estadual.
O ponto central agora é apurar se escolas da rede estadual foram usadas para direcionar compras, serviços e obras a empresas ligadas ao grupo investigado. Para a PF, essas contratações teriam ocorrido em uma área de influência política de Thiago Rangel. Até a publicação desta reportagem, a defesa do deputado estadual não havia se manifestado.
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