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CARTEIRA DE TRABALHO

Mulheres são registradas como presidentes por erro na carteira digital

Três moradoras de Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife, descobriram vínculo incorreto ao consultar a CTPS Digital. Prefeitura atribui falha à migração de dados para o eSocial.

Congresso em Foco

19/5/2026 | Atualizado às 11:42

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Ao menos três mulheres de Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife, foram registradas indevidamente como presidentes da República em suas carteiras de trabalho digitais. O erro, vinculado à prefeitura, foi identificado por antigas servidoras da Secretaria de Educação no início dos anos 2000.

O primeiro caso divulgado foi o da técnica de enfermagem Aldenize Ferreira da Silva, de 46 anos. Ela descobriu o registro na semana passada, ao procurar emprego na Agência do Trabalhador de Jaboatão. Segundo o cadastro, Aldenize estaria há 24 anos e dois meses no cargo, com vínculo iniciado em 14 de março de 2002.

Registro equivocado apareceu na carteira de trabalho digital.

Registro equivocado apareceu na carteira de trabalho digital.Ministério da Fazenda | Montagem Congresso em Foco

Aldenize contou ao g1 que foi surpreendida pelo atendente da agência ao tentar se candidatar a uma vaga. Ao consultar o CPF, o funcionário questionou como ela poderia procurar emprego se constava como presidente da República havia mais de duas décadas.

A trabalhadora disse ter ficado constrangida e preocupada com as consequências do erro. "Pensei em mil coisas, só pensei em coisas que poderiam acontecer, de eu ir presa, porque isso é falsificação. Não fui eu que provoquei isso aí", afirmou. "Me senti constrangida, me senti como se eu fosse um palhaço fazendo graça pra um público."

Problema que se repete

Depois da divulgação do caso, Claudia da Silva, de 53 anos, e Suelane Fonseca, de 49, procuraram o Canal Globo e relataram erro semelhante. As duas também tiveram vínculo com a Secretaria de Educação de Jaboatão.

Claudia descobriu o registro no ano passado, ao tentar assinar a carteira digital em um emprego como cuidadora. Suelane identificou o vínculo incorreto há mais de quatro anos e afirma que ainda não conseguiu corrigir o cadastro.

Prefeitura culpa migração para o eSocial

A prefeitura informou que o problema ocorreu durante a transição do antigo Sefip para o eSocial. Segundo a gestão municipal, a falha alterou bases de dados e fez com que servidores vinculados a um "cargo comissionado genérico" fossem registrados, de forma equivocada, como presidentes da República.

A administração orientou quem identificar o problema a procurar o setor de Gestão de Pessoas da prefeitura. O Ministério do Trabalho também foi procurado, mas não havia respondido até a última atualização do caso. Embora o cargo registrado seja o mais alto da República, nenhuma das três mulheres recebeu salário ou benefício relacionado ao vínculo incorreto.

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