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ELEIÇÕES 2026
Congresso em Foco
22/5/2026 | Atualizado às 8:23
O Democracia Cristã (DC) decidiu abrir um processo disciplinar que deve resultar na expulsão do ex-ministro Aldo Rebelo da legenda. A crise começou depois que o partido passou a tratar o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa como sua nova aposta para a disputa presidencial de 2026, no lugar de Rebelo.
Aldo havia sido anunciado no início do ano como pré-candidato do DC à Presidência. Após a movimentação em torno de Barbosa, ele afirmou que manteria sua pré-candidatura até a convenção partidária, mesmo que tivesse de judicializar a disputa. Também criticou publicamente o presidente nacional da sigla, João Caldas.
Expulsão sumária
Em nota, o DC afirmou que Rebelo fez ataques à direção nacional e ao presidente do partido. A legenda disse que as atitudes do ex-ministro não condizem com os valores democratas-cristãos e informou que o procedimento disciplinar resultará em sua expulsão sumária, com comunicação da desfiliação à Justiça Eleitoral.
Balão de ensaio
Rebelo, por sua vez, sustenta que recebeu convite e compromisso da direção nacional para disputar o Planalto. Para ele, a possibilidade de lançamento de Joaquim Barbosa é uma "afronta" à forma como candidaturas devem ser construídas, com transparência e decisões coletivas.
"A candidatura anunciada em um balão de ensaio de Joaquim Barbosa é uma afronta a tudo o que defendo como relações políticas apoiadas na transparência e nas decisões democráticas", disse o ex-deputado.
Barbosa integrou o STF entre 2003 e 2014, presidiu a Corte durante parte do julgamento do mensalão e chegou a ser cotado para a eleição presidencial de 2018, mas desistiu de concorrer. No DC, é visto como um nome de maior projeção nacional para 2026.
A expulsão de Rebelo, se formalizada, inviabiliza sua tentativa de manter a candidatura pelo DC. Pela legislação eleitoral, um candidato à Presidência precisa estar filiado a um partido pelo menos seis meses antes da eleição para ter a candidatura registrada. O caso ainda pode ter desdobramentos internos e judiciais antes da definição oficial da chapa.
Da esquerda para a centro-direita
Uma das principais lideranças da história do PCdoB, Aldo foi deputado federal, presidente da Câmara e ministro da Defesa, de Ciência e Tecnologia e Inovação, do Esporte e de Coordenação Política e Assuntos Institucionais nos governos Lula e Dilma. Em 2017, deixou o partido. Desde então, passou pelo PSB, pelo Solidariedade e pelo PDT antes de se filiar ao Democracia Cristã, o antigo PSDC. O partido teve o ex-deputado constituinte José Maria Eymael como candidato a presidente em seis eleições presidenciais, de 1988 a 2022.
Veja a nota do DC
"A Direção Nacional da Democracia Cristã vem, por meio desta nota oficial, repudiar veementemente os ataques proferidos pelo recém-filiado Aldo Rebelo contra esta Direção e seu Presidente Nacional.
Nenhuma das atitudes manifestadas na imprensa nacional, nos últimos dias, condiz com os valores democratas-cristãos. Nosso partido trabalha incansavelmente por um Brasil mais solidário, fraterno, justo e desenvolvido.
Diante do esgotamento das diversas tentativas de resolução harmoniosa — frustradas pela reiterada intransigência do recém-filiado — e tendo em vista os gravíssimos fatos e provas apurados, que afrontam os valores, os princípios, os objetivos e o Estatuto do partido, a Direção Nacional do DC delibera pela abertura imediata de procedimento disciplinar contra o referido filiado. Tal medida resultará em sua expulsão sumária, com a devida comunicação de sua desfiliação à Justiça Eleitoral.
A Democracia Cristã estará sempre de braços abertos a todos os brasileiros que sonham e trabalham por um Brasil melhor. Não há espaço, porém, para ameaças, calúnias, difamação, má-fé e arrogância.
Direção Nacional da Democracia Cristã".
A nota de Aldo Rebelo
"Minha pré-candidatura à presidência da República está mantida, conforme convite e compromisso da direção nacional do Democracia Cristã.
Candidaturas são projetos coletivos e não de grupos e interesses específicos. Fui escolhido para levar adiante um projeto de união e desenvolvimento do Brasil, ancorado na minha biografia sem mácula e na minha experiência na administração pública e no Congresso Nacional.
A candidatura anunciada em um balão de ensaio de Joaquim Barbosa é uma afronta a tudo o que defendo como relações políticas apoiadas na transparência e nas decisões democráticas".
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