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ELEIÇÕES

"O tempo que vai dizer", diz Aécio sobre campanha presidencial

Líder tucano aguarda mobilização política e social sólida para decidir sobre nova candidatura ao Palácio do Planalto.

Congresso em Foco

26/5/2026 20:38

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Após reunião com dirigentes partidários, o deputado Aécio Neves (PSDB-MG), presidente da federação PSDB-Cidadania, afirmou estar disposto a encabeçar um projeto de campanha presidencial, mas que a decisão sobre sua pré-candidatura segue em aberto. Segundo o congressista, "o tempo que vai dizer" se há viabilidade para sua participação na disputa.

"O que eu quero ver é se eu tenho realmente capacidade, e eu não sei se a tenho, para construir um projeto viável. (...) É o tempo que vai dizer, e é o reflexo do que estamos fazendo hoje aqui na sociedade que vai nos levar a uma decisão", disse a jornalistas.

Aécio é preferido tanto dentro do PSDB quanto entre aliados próximos da sigla para concorrer à presidência.

Aécio é preferido tanto dentro do PSDB quanto entre aliados próximos da sigla para concorrer à presidência.PSDB/Divulgação

Pressão interna e externa

O encontro ocorreu após uma semana de mobilização entre coordenadores estaduais do PSDB para que Aécio concorra ao Palácio do Planalto no lugar do Senado por Minas Gerais. Alguns diretórios, como os de São Paulo e Rio Grande do Sul, chegaram a expor publicamente o desejo pela formação da candidatura tucana.

Enquanto isso, o Cidadania formalizou oficialmente seu apoio ao lançamento de Aécio Neves, e há também esforço do presidente do Solidariedade, deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), para que ele aceite o convite.

Os partidos buscam, com a apresentação de um nome próprio, explorar a crise de imagem que atinge o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após vazamentos envolvendo sua interação com Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. A expectativa é de que a memória de um líder tucano possa atrair parte do eleitorado de direita e centro-direita.

Aécio, por outro lado, ainda observa o cenário antes de bater o martelo. "Vejo o quadro ainda com alguma instabilidade. (...) Não tenho uma data para tomar uma decisão e ela vai depender fundamentalmente do apelo, da resposta que setores importantes da sociedade brasileira e do mundo político derem a essa iniciativa", comentou.

O deputado também considera a possibilidade de lançar outro nome ao pleito em seu lugar. "Não preciso ser candidato à Presidência da República para contribuir com o Brasil na superação dessa polarização. (...) Quem sabe isso pode significar a possibilidade da construção da via, do caminho que tenho certeza que grande parte dos brasileiros ainda aguarda que seja construuído".

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Cenário desafiador

Aécio Neves possui histórico eleitoral positivo, tendo chegado ao segundo turno das eleições presidenciais de 2014, quando foi derrotado pela então presidente Dilma Rousseff por diferença de pouco mais de 3%. Seu desempenho foi o melhor entre candidatos tucanos desde 2002.

Por outro lado, seu partido enfrenta momento de fragilidade. O PSDB formou a menor bancada de sua história nas eleições de 2022, com apenas 13 deputados, além de outros cinco eleitos pelo Cidadania, legenda com a qual já era federado. Na disputa municipal de 2024, sofreu novo revés, perdendo metade de suas prefeituras.

A sigla agora está na zona de risco para a cláusula de desempenho. Caso não consiga eleger ao menos 13 deputados distribuídos em nove Estados, ou obter 2,5% dos votos válidos nacionais, com mínimo de 1,5% em nove Estados, a federação PSDB-Cidadania perderá direito à maior parte do fundo eleitoral e partidário e do tempo de rádio e televisão, correndo risco de extinção.

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