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ELEIÇÕES 2026

Flávio Bolsonaro tem mais palanques indefinidos que Lula nos Estados

Disputa em Minas Gerais preocupa os dois presidenciáveis, mas não é o único entrave. Levantamento mostra dez palanques em aberto para o senador do PL e seis pendências no campo do petista. Mapa mostra quem está com quem.

Congresso em Foco

9/6/2026 | Atualizado 10/6/2026 às 7:20

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Favoritos na corrida presidencial, de acordo com as pesquisas, o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tentam destravar a disputa em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país e principal impasse das duas campanhas presidenciais. Os dois querem um desfecho rápido no Estado, mas a indefinição mineira está longe de ser um caso isolado. A menos de quatro meses do primeiro turno, marcado para 4 de outubro, o mapa de palanques estaduais ainda tem áreas abertas nos dois campos.

Levantamento do Congresso em Foco mostra que Lula tem palanques em aberto em ao menos seis unidades da federação. Em três delas — Minas Gerais, Roraima e Tocantins — ainda não há definição clara sobre quem será o principal candidato apoiado pelo presidente. Em outras três — Distrito Federal, Pernambuco e Paraíba — há possibilidade de palanque duplo, com mais de um aliado disputando espaço no mesmo campo político.

No caso de Flávio, o quadro é mais amplo. O senador enfrenta indefinição ou disputa interna em ao menos dez Estados: Acre, Alagoas, Amapá, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Maranhão, Minas Gerais, Pará e Tocantins. Em parte deles, como Acre, Ceará, Pará e Tocantins, há mais de uma alternativa no campo da direita. Em outros, como Alagoas, Amapá, Bahia e Espírito Santo, existe um nome provável, mas o apoio ainda não foi formalmente fechado.

A distinção é importante. Ter dois palanques possíveis não equivale a não ter palanque. Para Lula, em alguns Estados, o desafio é acomodar aliados sem criar conflito local. Para Flávio, em várias unidades da federação, o problema é definir se o PL terá candidato próprio ou se apoiará nomes de outros partidos.

10 x 13

O quadro revela estratégias diferentes. Lula terá candidatos do PT ao governo em dez Estados: Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Norte, Rondônia e São Paulo. O número pode chegar a 11 se o partido decidir lançar Kátia Abreu no Tocantins. Flávio, por sua vez, conta com candidaturas próprias do PL em 13 Estados: Amazonas, Goiás, Mato Grosso, Paraíba, Paraná, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rondônia, Roraima, Santa Catarina e Sergipe.

A definição mais recente do PT ocorreu em Goiás. Na última segunda-feira (8), o partido decidiu lançar o ex-deputado estadual Luís César Bueno ao governo. O presidente Lula defendia a indicação da deputada Delegada Adriana Accorsi, mas ela declinou e optou por disputar a reeleição. O PL também terá candidatura própria, com o senador Wilder Morais. As pesquisas mais recentes, no entanto, são lideradas pelo governador Daniel Vilela (MDB), que dará palanque a Ronaldo Caiado (PSD), de quem foi vice.

Ter candidatura própria, no entanto, resolve apenas parte do problema. Em vários Estados, o desafio é garantir que o candidato ao governo carregue a campanha presidencial no horário eleitoral, nos materiais de campanha, nos atos públicos e na composição das chapas ao Senado. É nesse ponto que as negociações estaduais podem afetar a disputa nacional.

A menos de quatro meses das eleições, Lula e Flávio intensificam formação de palanques nos Estados.

A menos de quatro meses das eleições, Lula e Flávio intensificam formação de palanques nos Estados.Marcelo Camargo/Agência Brasil e Pedro França/Agência Senado | Arte Congresso em Foco

Minas trava os dois lados

Minas Gerais concentra a maior pressão porque combina peso eleitoral e indefinição simultânea nos dois campos. No lado de Lula, o plano mais forte era Rodrigo Pacheco, hoje no PSB, mas a resistência do senador em disputar o governo obrigou PT e aliados a buscar alternativas. Sem Pacheco, entraram no radar a possibilidade de candidatura própria e nomes como Gabriel Azevedo, do MDB, e Alexandre Kalil, do PDT.

A escolha em Minas precisa equilibrar dois objetivos: dar palanque competitivo a Lula e evitar o afastamento de partidos de centro que o Planalto tenta manter por perto. Do lado de Flávio, o principal nome é Cleitinho Azevedo, do Republicanos. O PL quer uma definição rápida para organizar a chapa, com Cleitinho ao governo e nomes do partido ao Senado. Caso ele recue, alternativas ligadas ao PL, como Flávio Roscoe, entram no radar, mas sem o mesmo grau de articulação.

São Paulo e Rio antecipam a polarização

Em São Paulo, a disputa tende a reproduzir a polarização nacional. Lula terá Fernando Haddad, do PT, como palanque próprio no maior colégio eleitoral do país, enquanto Flávio deve se apoiar na reeleição de Tarcísio de Freitas, do Republicanos, aliado do bolsonarismo. Ainda há pontos a resolver nos dois lados, especialmente a escolha dos candidatos a vice e ao Senado. Para o Planalto, a candidatura de Haddad garante a Lula um palanque direto contra o principal nome da direita fora do PL.

No Rio de Janeiro, o ex-prefeito Eduardo Paes, do PSD, aparece no campo de Lula. Douglas Ruas, do PL, recém-eleito presidente da Assembleia Legislativa, é o nome alinhado a Flávio. O Estado tem peso adicional por ser o terceiro maior colégio eleitoral do país e por estar no centro da reorganização política provocada pela sucessão no governo estadual. Para o grupo de Flávio, a desistência de Cláudio Castro de disputar o Senado, após operações policiais envolvendo aliados, também interfere na montagem da chapa.

Bahia e Ceará mostram limites da nacionalização

Na Bahia, Lula tem um dos palanques mais definidos do país. O governador Jerônimo Rodrigues, do PT, deve disputar a reeleição em um Estado governado há anos pelo partido e por seus aliados. A chapa governista também deve ter dois petistas na disputa ao Senado: o líder do governo na Casa, Jaques Wagner, e o ex-ministro da Casa Civil Rui Costa.

Para Flávio, a Bahia depende de ACM Neto, do União Brasil. O ex-prefeito de Salvador é o principal nome da oposição baiana e aparece como possível palanque do campo bolsonarista, mas a aliança ainda não está fechada. O PL pressiona por apoio explícito a Flávio, enquanto ACM mantém relação política com Ronaldo Caiado, do PSD, outro pré-candidato à Presidência. A composição estadual tende a aproximar ACM do PL, especialmente se João Roma disputar uma vaga ao Senado, mas a definição nacional ainda é sensível.

No Ceará, Lula terá o governador Elmano de Freitas, do PT, candidato à reeleição. A indefinição está no campo de Flávio. Ciro Gomes, agora no PSDB, é candidato ao governo e tenta conduzir a disputa em bases locais, sem associação direta ao bolsonarismo. Eduardo Girão, do Novo, busca ocupar o espaço da direita mais alinhada a Jair Bolsonaro e tem apoio de Michelle Bolsonaro. O resultado é um campo conservador dividido entre um nome mais competitivo e outro mais identificado com o bolsonarismo.

Maranhão, Pará e Tocantins embolam o mapa

No Maranhão, Lula tem o vice-governador Felipe Camarão, do PT, como candidato do partido ao governo, mas o cenário estadual inclui outros atores, como Orleans Brandão (MDB), Eduardo Braide (PSD) e Lahesio Bonfim (Novo). Para o Planalto, o risco é ter candidatura própria sem reunir todos os aliados que integram ou orbitam sua base nacional. Para Flávio, a direita local ainda não tem palanque definido.

No Pará, o campo de Lula está ligado à sucessão do grupo de Helder Barbalho, do MDB. A vice-governadora Hana Ghassan aparece como nome governista ao Palácio dos Despachos. O palanque lulista, nesse caso, passa menos pelo PT e mais pela aliança com o MDB paraense. No campo de Flávio, Dr. Daniel Santos, do Podemos, aparece como alternativa de oposição; Mário Couto, do DC, também é citado; e Éder Mauro, do PL, surge mais associado à disputa pelo Senado do que ao governo.

Tocantins é um dos casos mais abertos para os dois lados. No campo de Lula, há duas hipóteses: apoiar Laurez Moreira, do PSD, ou lançar Kátia Abreu, filiada ao PT. Laurez tem a máquina estadual; Kátia daria a Lula um palanque petista formal. No campo de Flávio, Vicentinho Júnior, do PSDB, já declarou que terá apoio do presidenciável do PL, mas outros nomes da direita e do centro-direita também aparecem no cenário, como Professora Dorinha, do União Brasil.

DF, Pernambuco e Paraíba podem ter palanques múltiplos

No Distrito Federal, Pernambuco e Paraíba, a situação de Lula não é ausência de palanque, mas excesso de alternativas no mesmo campo. São Estados em que o presidente pode ter de escolher entre unificar aliados ou conviver com mais de uma candidatura próxima ao governo federal.

No DF, Leandro Grass, do PT, e Ricardo Cappelli, do PSB, deixaram recentemente cargos no governo federal e disputam espaço na oposição local. Uma candidatura única poderia concentrar a oposição à vice-governadora Celina Leão, do PP, nome mais provável do campo de Flávio. Dois palanques preservariam aliados de Lula, mas poderiam dividir votos no mesmo campo.

Em Pernambuco, João Campos, do PSB, é o aliado natural de Lula e deve disputar o governo com uma chapa vinculada ao campo lulista. A governadora Raquel Lyra, do PSD, porém, mantém relação próxima com o presidente e tenta preservar essa aproximação. Campos resiste à ideia de dividir com Raquel o apoio de Lula. Na Paraíba, o PT decidiu apoiar Lucas Ribeiro, do PP, mas Cícero Lucena, do MDB, ainda aparece como possível segundo palanque. Nos dois Estados, o desafio de Lula é acomodar aliados locais sem transformar a multiplicidade de palanques em conflito aberto.

Flávio ainda negocia em Estados menores

A indefinição pesa sobretudo no campo de Flávio em Estados onde o PL pode depender de aliados. No Acre, o senador tem a possibilidade de ocupar três palanques: Mailza Assis, do PP; Alan Rick, do Republicanos; e Tião Bocalom, do PSDB. Em Alagoas, o apoio pode ir para o ex-prefeito JHC, que deixou o PL e se filiou ao PSDB, mas a decisão ainda depende do arranjo local. JHC, no entanto, ainda não confirmou se disputará o governo ou Senado.

No Amapá, Clécio Luís, do União Brasil, é o palanque de Lula, enquanto Dr. Furlan, do PSD, aparece como possibilidade para Flávio. No Espírito Santo, Lula tem Helder Salomão, do PT; o campo de Flávio avalia apoiar Lorenzo Pazolini, do Republicanos, ou mesmo lançar candidatura própria. Esses Estados têm menor peso eleitoral que São Paulo, Minas, Rio ou Bahia, mas importam para a presença territorial das campanhas e para as composições ao Senado.

PT e PL precisam de aliados

O levantamento mostra a diferença entre candidatura partidária e palanque presidencial. Lula não dependerá apenas do PT: em vários Estados, seu apoio passará por MDB, PSD, PSB, PP, PDT e União Brasil. Flávio também não dependerá apenas do PL: em unidades decisivas, precisará negociar com PP, Republicanos, PSD, União Brasil, PSDB e Podemos.

As candidaturas próprias, portanto, contam apenas parte da história. O PT terá dez nomes próprios ao governo, com possibilidade de chegar a 11. O PL terá 13. Ainda assim, ambos precisarão de alianças fora de suas siglas para cobrir o país inteiro e transformar pré-candidaturas em palanques efetivos.

O calendário aumenta a pressão. As convenções partidárias começam em 20 de julho e vão até 5 de agosto. Até 15 de agosto, os partidos precisam registrar oficialmente os candidatos. A propaganda eleitoral começa em 16 de agosto. Até lá, conversas reservadas, sinais públicos e pré-candidaturas terão de virar chapas formalizadas.

Minas pode ser o primeiro teste dessa engenharia, mas não será o único. A menos de quatro meses da eleição, Lula e Flávio ainda precisam converter apoios prováveis em palanques reais e evitar que disputas estaduais interfiram na campanha nacional.

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