Entrar

    Cadastro

    Notícias

    Colunas

    Artigos

    Informativo

    Estados

    Apoiadores

    Radar

    Eleições 2026

    Quem Somos

    Fale Conosco

Entrar

Congresso em Foco
NotíciasColunasArtigosRadarEleições 2026
  1. Home >
  2. Notícias >
  3. Senado aprova socorro a produtores rurais com impacto de R$ 140 bi

Publicidade

Publicidade

Receba notícias do Congresso em Foco:

E-mail Whatsapp Telegram Google News

REFINANCIAMENTO DE DÍVIDAS

Senado aprova socorro a produtores rurais com impacto de R$ 140 bi

Texto autoriza uso do Fundo Social do Pré-Sal e de fundos constitucionais para refinanciar débitos do campo. Ministério da Fazenda vê medida como "pauta-bomba". Projeto vai à Câmara.

Congresso em Foco

11/6/2026 | Atualizado às 7:59

A-A+
COMPARTILHE ESTA NOTÍCIA

O Senado aprovou nesta quarta-feira (10) o projeto de lei que cria uma linha especial de refinanciamento para produtores rurais endividados. A proposta autoriza o uso de recursos do Fundo Social do Pré-Sal, de fundos constitucionais e de outras fontes para renegociar débitos do setor agropecuário.

Considerado uma "pauta-bomba" pela equipe econômica, o projeto teve apoio da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e foi aprovado sem acordo com o Ministério da Fazenda. Como sofreu alterações no Senado, o texto voltará à Câmara dos Deputados.

Negociações com o governo foram lideradas por Renan Calheiros e Tereza Cristina, mas não houve acordo entre Legislativo e Executivo.

Negociações com o governo foram lideradas por Renan Calheiros e Tereza Cristina, mas não houve acordo entre Legislativo e Executivo.Carlos Moura/Agência Senado

O projeto original é do deputado Domingos Neto (PSD-CE) e tinha como foco produtores afetados por eventos climáticos, como as enchentes no Rio Grande do Sul em 2024. No Senado, o relator, Renan Calheiros (MDB-AL), ampliou o alcance da proposta para incluir também prejuízos provocados por impactos econômicos negativos decorrentes de conflitos geopolíticos internacionais, como as guerras na Ucrânia e no Irã.

Principais pontos do projeto:

  • Cria uma linha especial de financiamento para produtores rurais, associações, cooperativas de produção e condomínios rurais;
  • Autoriza o uso de recursos do Fundo Social do Pré-Sal, de fundos constitucionais e de outras fontes definidas pelo Executivo;
  • Permite renegociar dívidas de crédito rural, empréstimos e Cédulas de Produto Rural contratadas até 31 de dezembro de 2025;
  • Segundo a FPA, o texto final também alcança operações renegociadas ou prorrogadas até 30 de abril de 2026, desde que estejam adimplentes na contratação;
  • Estabelece limite de R$ 10 milhões por beneficiário e de R$ 50 milhões por associação, cooperativa ou condomínio;
  • Prevê prazo de pagamento de até dez anos, com três anos de carência;
  • Define juros de 3,5% ao ano para agricultores do Pronaf e pequenos produtores, 5,5% para produtores do Pronamp e médios produtores, e 7,5% para os demais;
  • Autoriza instituições financeiras a prorrogarem por 180 dias o vencimento de parcelas de principal e juros;
  • Suspende, nesse período, cobranças administrativas, execuções judiciais e extrajudiciais, inscrições em cadastros negativos e prazos processuais;
  • Determina que os débitos possam ser recalculados sem multa, mora e outros encargos por inadimplência.

Fundos do pré-sal e constitucionais

Pelo texto aprovado, o Executivo poderá usar receitas correntes do Fundo Social de 2026 e 2027, superávits financeiros apurados no fim de 2025 e 2026, superávits de outros fundos supervisionados pelo Ministério da Fazenda e outras fontes definidas pelo governo.

Também poderão ser usados, dentro de suas disponibilidades e áreas de atuação, o Fundo Constitucional de Financiamento do Norte (FNO), o Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE), o Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO) e o Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé).

Caso os recursos desses fundos se esgotem nas respectivas regiões, o Fundo Social poderá assumir a implementação das medidas e os custos correspondentes. Renan Calheiros afirmou que não haverá prejuízo aos recursos do Fundo Social destinados a saúde e educação.

Governo prevê impacto de R$ 140 bi

A equipe econômica estima que a proposta pode ter impacto fiscal de R$ 140 bilhões em dez anos. Na véspera, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, havia citado um custo superior a R$ 800 bilhões em 13 anos, mas reduziu a projeção após mudanças feitas no texto.

"A estimativa que eu tenho é de que, conforme o texto estava sendo elaborado no Senado, a se confirmar, isso abrange um investimento de R$ 200 bilhões em operação, cujo custo para o Tesouro ficou em 70%, o que dá um pouco R$ 140 bilhões para o Tesouro Nacional", declarou o ministro um dia antes da votação.

O governo avalia vetar pontos da proposta e não descarta recorrer ao Supremo Tribunal Federal caso eventual veto seja derrubado pelo Congresso.

A Fazenda também diverge do Senado sobre o alcance da renegociação. Parlamentares estimam que o projeto permitirá renegociar entre R$ 170 bilhões e R$ 180 bilhões em débitos. A equipe econômica calcula que o volume potencialmente abrangido pode chegar a R$ 1,39 trilhão, considerando operações de crédito rural, Cédulas de Produto Rural, contratos renegociados e financiamentos em atraso.

A proposta defendida pelo governo previa condições menos favoráveis: juros de 6% ao ano para beneficiários do Pronaf, 8% para produtores enquadrados no Pronamp e 12% para os demais. O Senado aprovou taxas menores: 3,5%, 5,5% e 7,5%, respectivamente.

Votação sem acordo

A votação ocorreu após semanas de negociação entre governo e Congresso. Renan Calheiros disse que ainda havia impasses com a área técnica da Fazenda, apesar de reuniões com Durigan.

"O ministro [foi] sempre muito cordato, receptivo, mas nós não tivemos com a área técnica do ministério a mesma facilidade que tivemos na discussão com o ministro Dario Durigan", afirmou Renan no Plenário. "Em restando impasse, outra solução não há senão a que encaminhamos no nosso relatório, infelizmente."

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), reconheceu que não havia acordo com o governo, mas manteve a votação. Segundo ele, havia compromisso com os senadores para deliberar sobre a matéria.

"O ministro [Durigan] me informou que o texto relatado pelo senador Renan Calheiros não tem o acordo, o entendimento e o apoio do governo. Porém, todavia, entretanto, eu fiz um compromisso público, aguardando alguns meses a deliberação desse assunto no Senado", disse Alcolumbre. "Não há um acordo com o governo, mas vou deliberar hoje o relatório aprovado pela CAE."

Outras pautas com impacto fiscal

A aprovação do refinanciamento rural ocorreu em um dia de avanço de outras propostas com impacto fiscal no Senado.

A Comissão de Constituição e Justiça aprovou uma PEC que efetiva vínculos temporários e flexibiliza regras de aposentadoria para agentes comunitários de saúde e de combate às endemias, com custo estimado em R$ 30 bilhões em dez anos.

Já a Comissão de Assuntos Sociais aprovou projeto que eleva o piso salarial de médicos e cirurgiões-dentistas para R$ 13,6 mil, em jornada de 20 horas semanais, com impacto estimado em R$ 47 bilhões.

Com o retorno do projeto do socorro aos produtores rurais à Câmara, caberá aos deputados decidir se mantêm as mudanças feitas pelo Senado. O governo deve tentar reduzir o impacto fiscal da proposta na próxima etapa da tramitação.

Siga-nos noGoogle News
Compartilhar

Tags

Pauta-bomba produtores rurais Renan Calheiros tereza cristina pré-sal dividas rurais Dario Durigan ministério da fazenda Senado

Temas

Agronegócio Economia Congresso

LEIA MAIS

JORNADA DE TRABALHO

Fim da 6x1 x trabalho por hora: entenda diferenças entre as duas PECs

Carta aberta

Entidades alertam para risco em mudanças no gás propostas pela ANP

NOTÍCIAS MAIS LIDAS
Congresso em Foco
NotíciasColunasArtigosFale Conosco

CONGRESSO EM FOCO NAS REDES